AdC demorou “mais de dez anos” a pronunciar-se sobre os CMEC

  • ECO
  • 17 Junho 2017

Um relatório técnico do Ministério Público critica o regulador da concorrência por ter demorado uma década a pronunciar-se sobre o regime das rendas pagas à EDP.

O regulador da concorrência precisou de vários anos para se pronunciar finalmente sobre os CMEC, as rendas pagas à EDP desde 2007 que surgiram com a imposição do mercado liberalizado de energia e consequente fim de contratos energéticos em vigor até então. Segundo o Expresso [acesso pago], a alegada falta de ação da Autoridade da Concorrência (AdC) consta num relatório do Ministério Público (MP) produzido no âmbito da investigação aos CMEC, datado de meados de 2015.

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“A AdC, apesar dos recursos técnicos ao seu dispor, precisou de mais de dez anos após a publicação do regime dos CMEC, ou de mais de seis anos após a cessação efetiva dos CAE [Contratos de Aquisição de Energia], para formular a recomendação que se impunha na ótica da defesa do interesse público”, lê-se nesse relatório, citado pelo semanário. A recomendação da AdC surgiu no final de 2013.

Mais: alegadamente, o regulador terá tido uma equipa a investigar essas rendas pagas à EDP sob a presidência de Manuel Sebastião, cuja última só deverá expirar em 2027, contou uma fonte não identificada ao jornal. A AdC diz que “nunca abriu qualquer outra investigação ou processo de natureza contraordenacional” sobre os CMEC, também chamados de Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual.

Em contrapartida, o antigo presidente do regulador recorda apenas uma queixa recebida sobre esse mecanismo e que a mesma foi reportada à Direção-Geral da Concorrência da União Europeia, por tratarem-se de “alegadas ajudas de Estado”.

O Expresso avança também que terá sido um “reformado da EDP” o autor da denúncia anónima que motivou a abertura do processo que constituiu António Mexia e Manso Neto como arguidos. Também este sábado reagiu o acionista maioritário da EDP, a China Three Gorges, pedindo a colaboração com a investigação e a manutenção de todos os acordos válidos, onde se inserem os CMEC.

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