Direita europeia pede formalmente a demissão de Dijsselbloem

Em causa estão as declarações de Dijsselbloem sobre os países do Sul da Europa, nomeadamente sobre Portugal. "A Jeroen Dijsselbloem só lhe resta resignar", diz o eurodeputado José Manuel Fernandes.

O Partido Popular Europeu (PPE) pediu formalmente, esta terça-feira, a demissão de Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo. Paulo Rangel, eurodeputado do PSD, é um dos subscritores da carta enviada ao ministro das Finanças holandês. Em causa estão as declarações de Dijsselbloem sobre os países do Sul, nomeadamente sobre Portugal.

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“Esta posição conjunta que subscrevi desde a primeira hora tem uma relevância política que só pode ter como consequência um pedido de formal de desculpas e a apresentação da demissão do presidente do Eurogrupo”, afirma Paulo Rangel em nota de imprensa, referindo que “perante a gravidade das declarações de caráter ofensivo e discriminatório não pode haver contemplações”. Além de pedir a demissão, a família política europeia do PSD e CDS exige um pedido de desculpas.

José Manuel Fernandes, coordenador do grupo PPE para a comissão dos orçamentos, diz que a “Jeroen Dijsselbloem só lhe resta resignar”. “O presidente do Eurogrupo tem de ser credível e capaz de unir”, defende o eurodeputado do PSD, referindo que “a atitude maniqueísta de Dijsselbloem divide e desagrega”.

Segundo a nota de imprensa do grupo parlamentar do Parlamento Europeu, a iniciativa da carta partiu do vice-presidente, o espanhol Esteban Gonzalez Pons, e foi subscrito por todos os eurodeputados do grupo europeu do PSD e por um vasto grupo de deputados de várias delegações. O presidente do grupo do PPE, o alemão da CSU, Manfred Weber, assinou a carta esta manhã em Bruxelas.

A carta dirigida a Dijsselbloem classifica os comentários de “ofensivos” e “sexistas” para as mulheres. “As suas declarações atacam um dos mais importantes valores que sustentam a União Europeia: a igualdade”, escreve o Partido Popular Europeu, referindo que respeitar esses valores “deveria ser a primeira obrigação de um líder europeu”. “Atacar um certo grupo de países como tem feito é atacar cada um dos Estados-membros“, ataca a direita europeia.

Jeroen Dijsselbloem faz parte do grupo socialista do Parlamento Europeu. O presidente do S&D, Gianni Pitella, também já pediu a substituição do ministro das Finanças holandês, do Partido Trabalhista da Holanda, que faz parte do seu grupo parlamentar. Contudo, em reação aos pedidos de demissão, Dijsselbloem avisou não ter a “intenção” de se demitir.

(Notícia atualizada às 13h02 com conteúdo da carta do PPE)

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