“Sempre prestei contas dos cargos que exerci. O mesmo acontece agora”

Na apresentação do livro de memória, Aníbal Cavaco Silva sublinhou que este livro é uma prestação de contas e não um ataque a ninguém. E aproveitou para deixar um agradecimento a todos os portugueses.

“Agradeço calorosamente a vossa presença” foi assim que o antigo presidente da república se dirigiu às centenas de pessoas que encheram a sala Almada Negreiros do Centro Cultural de Belém e que vieram homenagear o percurso profissional e, especificamente, os dez anos de presidência de Aníbal Cavaco Silva. Na primeira fila, a família e os companheiros de vida política: Ramalho Eanes, Manuela Ferreira Leite, Pedro Passos Coelho e Assunção Cristas.

“Quinta-feira e outros dias” afirma-se pelas palavras de Manuel Braga da Cruz, amigo e conselheiro de Cavaco, como um livro de “prestação de contas e não de ajuste de contas, visto que não é escrito contra ninguém”. Este fez questão de sublinhar os feitos do político que “não começou nas juventudes partidárias, mas nos ministérios” e que esteve ao leme do país durante os tempos de “divergência com a Europa”

E numa situação de divergência dentro e fora do país, Cavaco pressionou o governo da forma que achou mais acertada, através das reuniões de quinta-feira, ou como o próprio definiu “a via mais eficaz que um presidente possui de influenciar o processo de decisão.” Ainda assim, e como referiu o Braga da Cruz, “nem sempre as advertências foram ouvidas, nem sempre os conselhos foram seguidos.”

Sobre o segundo protagonista do livro, nem uma palavra. O nome de José Sócrates não foi proferido nem pelo autor nem pelo conselheiro. Apenas o reparo, repetido por ambos, de que tudo isto servirá para informar os portugueses. “Dou o testemunho das partes importantes da minha magistratura para os portugueses fazerem o seu juízo informado e esclarecido.”

Dos dez anos que esteve em Belém, Cavaco sublinhou as viagens pelos país a conhecer jovens e empresários: “Realizei-as com um gosto muito especial.” E não esqueceu os que votaram para que fosse eleito com maioria pelas quatro vezes que se apresentou: “Não esqueço esse apoio que repetitivamente me foi dado pelo povo português.”

Os agradecimentos mais especiais ficaram para o Chefe da Casa Civil, o Chefe da Casa Militar e para Maria Cavaco Silva, sua esposa. “Sem ela não teria tido a carreira profissional e política que tive. Sem ela o livro não existia”, confessou, já emocionado o antigo Presidente da República.

A garantia de que o percurso politico ficou por aqui também foi dada: “Este é o primeiro ato público do período pós politico da minha vida, que assim será até ao fim.” Para breve, só o segundo volume do livro.

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