Carris: Sindicatos abandonam reunião com o PCP

Estruturas independentes e afetas à UGT deixaram a reunião agendada com o grupo parlamentar do PCP, a propósito do pedido de apreciação parlamentar relativo à municipalização da Carris.

As quatro estruturas representativas de trabalhadores que assinaram um comunicado a defender a municipalização da Carris abandonaram hoje a reunião com o grupo parlamentar do PCP.

Ao ECO, o dirigente sindical Sérgio Monte diz que o PCP quis transformar o encontro numa auscultação aos trabalhadores. Mas essa auscultação, a acontecer, devia ter tido lugar mais cedo, e não agora que os comunistas já fizeram um pedido de apreciação parlamentar ao decreto-lei do Governo que transfere a gestão da Carris para a Câmara de Lisboa. “Não nos pronunciamos sobre factos consumados“, afirmou o dirigente.

“Estranhamos que o PCP tenha começado a reunião a dizer que era para auscultar os trabalhadores”, disse Sérgio Monte. Fica a ideia de que “o PCP queria lavar as mãos e dizer que ouviu os trabalhadores”, acrescenta. Para o dirigente, isso não faz sentido nesta fase. Depois de o pedido de apreciação parlamentar dar entrada no Parlamento, os representantes dos trabalhadores pediram este encontro para conhecer melhor as intenções do grupo parlamentar.

O sindicalista também registou com “estranheza” o facto de a reunião juntar não só as estruturas sindicais que solicitaram este encontro como também uma organização da CGTP, que já defendeu que a Carris não deve passar para a gestão da autarquia.

Sérgio Monte é dirigente do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (SITRA), afeto à UGT. Para além deste sindicato, o comunicado que defende a municipalização da Carris também foi subscrito pela Comissão de Trabalhadores da Carris, o Sindicato Nacional dos Motoristas (SNM) e a Associação Sindical do Pessoal de Tráfego da Carris (ASPTC). Estes representam cerca de 90% dos trabalhadores, diz Sérgio Monte, que espera agora uma nova reunião com o PCP.

Estas quatro associações juntaram-se hoje novamente para enviar outro comunicado, onde dão conta da posição assumida durante a tarde. Afirmam que “foram surpreendidas com a presença de outras organizações não subscritoras do pedido de reunião e pela tentativa do PCP querer transformar esta reunião numa espécie de acareação” entre as organizações representativas dos trabalhadores.

PCP quer introduzir travão à privatização da Carris

A Fectrans, que permaneceu no encontro até ao final, disse ao ECO que o grupo parlamentar o PCP adiantou algumas das propostas de alteração que pretende apresentar a 24 de fevereiro, data em que será discutido o pedido de apreciação parlamentar do diploma que transfere a Carris para a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a gestão da STCP para a área metropolitana do Porto.

Uma dessas propostas passa por colocar no decreto-lei uma norma que impeça a CML de vender a Carris. “Se o pretender fazer a empresa volta para a posse do Estado”, explicou ao ECO José Manuel Oliveira. O responsável precisa que esta é uma forma de impedir a câmara de privatizar a Carris. Uma preocupação que se estende às empresas Carrisbus e Carristur que o grupo parlamentar do PCP também não quer ver alienadas.

Segundo José Manuel Oliveira outra das propostas de alteração que o PCP deseja introduzir é a criação de mecanismos de garantia do financiamento da Carris, “porque consideram que mais à frente ficará provado que a câmara não terá capacidade para suportar a empresa”. E neste capítulo também defendem que deve ficar clara “a justa repartição das receitas dos bilhetes entre o Metro e a Carris”, já que a lei impõe uma bilhética comum. Os comunistas querem ainda tentar salvaguardar que não haverá uma redução das carreiras nas regiões limítrofes de Lisboa, onde as decisões sobre transportes são tomadas pelas respetivas câmaras municipais.

(notícia atualizada às 21h20 com as declarações de José Manuel Oliveira)

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