Juros altos? “Há um problema de perceção do risco”

Fernando Ulrich não vê justificação para que as taxas de juro da dívida estejam em torno dos 4%. Não acredita que seja receios em torno da banca. Diz que há uma perceção errada dos investidores.

Ao contrário do que tem acontecido com os restantes países intervencionados, os juros da dívida nacional têm vindo a agravar-se apesar das compras do Banco Central Europeu (BCE). A taxa a 10 anos está perto dos 4%. É a banca que está a assustar os investidores? Não, diz Ulrich. “Há um problema de perceção do risco”, refere. Até porque o défice está a cair.

“Não podemos olhar só para a taxa a 10 anos. Nos prazos mais curtos, a dívida tem taxas baixas ou mesmo negativas“, salientou o presidente executivo do BPI num encontro com jornalistas realizado no dia em que Portugal conseguiu financiar-se em títulos a seis e 12 meses com juros negativos. Contudo, nas maturidades mais longas, as taxas estão elevadas.

“Claro que preferíamos que o nível fosse um pouco mais baixo”, diz. É culpa da banca? Há receios com o que se passa no sistema financeiro nacional? “Não consigo estabelecer a ligação direta com algum banco”, disse. “Penso que o mercado ainda não valorizou o que Portugal tem estado a fazer. Pode haver problemas de perceção”, nota.

“A composição do Governo pode fazer confusão, mas estou convencido de que à medida que Portugal apresentar resultados consistentes, a perceção do mercado vai melhorar”, acrescentou Ulrich, notando a queda do défice. Sublinhou até que Portugal conta com um défice inferior a Espanha, apesar do peso da dívida ser elevado.

“Diria que estamos numa fase de estabilização da dívida e à medida que formos mantendo esta política de consolidação orçamental, o rácio da dívida deve diminuir”, rematou o presidente executivo do BPI.

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