Ulrich: Contribuintes pagaram a banca? “É mentira”

O presidente do BPI diz que os contribuintes não pagaram os problemas na banca. Fernando Ulrich diz que os acionistas é que enfrentaram a "destruição colossal" do capital.

Afinal quem é que pagou os problemas da banca? Fernando Ulrich nega que tenham sido os contribuintes. Para o presidente do BPI, os acionistas é que mais foram penalizados com a crise no setor financeiro. Apesar do apoio do Estado à banca, não foi suficiente para livrar os acionistas de perdas expressivas. Uma situação que está a mudar com a recuperação do setor. Houve alturas em que a intervenção do Estado foi maior e teve capital em risco. Mas agora já não é assim. Ulrich diz que o Estado tem agora mais margem de manobra.

Fernando Ulrich diz estar preocupado com o que tem visto e ouvido na comunicação social — nomeadamente declarações de comentadores — que passam a mensagem de que os contribuintes é que têm pago os problemas na banca. “É mentira”, diz o presidente do BPI num encontro com jornalistas. Os números “mostram que quem fez um grande esforço e teve perdas gigantescas foram os acionistas dos bancos” e revelam que “os vários governos protegeram muito bem os contribuintes”, realça Ulrich.

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No encontro com jornalistas, Fernando Ulrich apresentou as contas feitas pelo BPI com base em informação pública. Conclusões? O presidente do BPI diz que houve uma “destruição de capital acionista colossal”. Diz que é o equivalente a 19% do produto interno bruto de 2016. O presidente do banco português realça ainda que “os aumentos de capital foram praticamente destruídos ao longo destes anos. Exceto o BPI, porque o banco vale quase o dobro dos aumentos de capital feitos”.

As contas mostram uma destruição de cerca de 35 mil milhões de euros nos cinco maiores bancos portugueses – BES/Novo Banco, BCP, CGD, BPN e Banif – entre 2001 e 2017. E quais as consequências? Segundo o presidente do BPI, a distorção brutal da concorrência. Quando há uma destruição do capital “para quem geriu de forma mais rigorosa, a vida foi mais difícil do que se tivéssemos todos tido a mesma atitude”. Mas também a distorção brutal na alocação de recursos, acrescenta.

“Os 30 mil milhões de euros [que foram injetados pelos acionistas nos bancos] não evaporaram, não se perderam, nem foram numa mala para a lua.” Ulrich reconhece que uma parte significativa destas perdas pode estar com relacionada com empréstimos que os bancos fizeram mas não conseguiram recuperar.

Estado tem mais “margem de manobra”

Mas a intervenção do Estado já foi maior e já teve mais capital em risco. Com os aumentos de capital, a situação está a melhorar. Ulrich relembra que o Estado tem a participação na CGD, a garantia das obrigações do Novo Banco — que vão ser extintas sem que tenha de pagar — e os empréstimos ao Fundo de Resolução. Mas a lista já foi muito superior. Tem, por isso, “agora mais margem de manobra”, refere.

Isto numa altura em que se fala da possível nacionalização do Novo Banco. E quem é que esta opção — entre um conjunto que inclui venda ou liquidação — vai proteger? A banca.

Nesta hipótese, que está por certificar que é viável, tendo em conta os acordos assumidos com a Comissão Europeia, os bancos ganham de duas formas: recebem um valor pela venda do Novo Banco ao acionista Estado e libertam-se do risco do side bank.

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