Panama Papers volta a assombrar Governo islandês

Em abril, o ex-ministro das Finanças recusou demitir-se dada a ligação aos Panama Papers, razão que levou à queda do então primeiro-ministro. Meses depois, chegou a chefe do Governo.

O Partido da Independência, o Futuro Brilhante e o Regeneração chegaram a um acordo governamental. O próximo primeiro-ministro islandês será Bjarni Benediktsson, ex-ministro das Finanças, também ele envolvido no caso Panama Papers, justamente a razão que fez cair um Governo em abril de 2016. A notícia, que é avançada pela Reuters, revela que o novo Executivo quer fazer um referendo à entrada na União Europeia, processo ainda em stand by.

Os três partidos — que chegaram a uma coligação depois de um longo impasse desde o resultado das eleições de outubro — são de centro-direita e juntos totalizam 32 dos 63 deputados. O maior partido da coligação é o Partido da Independência, com 21 deputados, liderado por Benediktsson. O novo Governo vai levar ao Parlamento islandês a questão de se fazer ou não um referendo para a adesão à UE, até porque o principal partido é desfavorável, apesar de os outros dois serem a favor.

Estas eleições de outubro foram provocadas pela queda do primeiro-ministro, Sigmundur David Gunnlaugsson, em abril, do Partido do Progresso, por causa da sua relação com os Panama Papers. Na altura descobriu-se que o político e a sua mulher adquriram, através da Mossack Fonseca, a Wintris, fundada em 2007 e sediada nas Ilhas Virgens britânicas, empresa que detinha obrigações em três grandes bancos islandeses que colapsaram na crise financeira de 2008. Em substituição, Sig­urður Ingi Jó­hanns­son assumiu o cargo de chefe do Governo até existir novas eleições, onde sofreu uma derrota significativa: o partido foi castigado pelo escândalo e só conseguiu eleger oito deputados.

Mas o caso Panama Papers parece não querer deixar de assombrar a política islandesa. É que o novo primeiro-ministro, ex-ministro das Finanças do Governo de Gunnlaugsson, também está envolvido na investigação jornalística, tal como recordou esta terça-feira o jornalista alemão do Süddeutsche Zeitung, Frederik Obermaier, membro do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, um dos principais responsáveis pela investigação aos ficheiros Mossack Fonseca.

Em abril, Bjarni Benediktsson recusou demitir-se na sequência desse mesmo escândalo. Em causa estava uma participação detida pelo então ministro das Finanças numa empresa de investimento que era uma offshore nas Seychelles. Além disso, o Iceland Monitor reporta que o agora primeiro-ministro foi criticado pela forma como lidou com um relatório com nomes de islandeses que tinham contas offshores. Benediktsson afirmou que não teve acesso antes da dissolução do Parlamento, devido às eleições, mas houve provas em contrário e o islandês desculpou-se pela “timeline imprecisa”, afirmando que duvidava que o relatório pudesse ter impacto no resultado das eleições.

Editado por Mariana de Araújo Barbosa (mariana.barbosa@eco.pt)

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