Universidade de Leiria cria sistema com IA e drones para detetar incêndios florestais

Este sistema permite identificar potenciais focos de ignição e fornecer às autoridades informação de apoio à decisão, contribuindo para reforçar a prevenção e a deteção precoce de incêndios rurais.

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Numa altura em que os incêndios colocam o país em alerta, investigadores da Universidade de Leiria e Oeste criaram um sistema autónomo de vigilância florestal, que combina drones autónomos, inteligência artificial e “gémeos digitais” para vigiar áreas de maior risco. Esta solução funciona de forma permanente, recolhendo e analisando informação em tempo real, anunciou esta instituição de Ensino Superior esta quinta-feira.

Através da monitorização contínua, este sistema permite identificar potenciais focos de ignição e fornecer às autoridades informação de apoio à decisão, contribuindo para reforçar a prevenção e a deteção precoce de incêndios rurais, detalha a Universidade de Leiria e Oeste numa nota enviada às redações.

Segundo a instituição de Ensino Superior, “este novo sistema representa um salto significativo” face ao protótipo apresentado em junho de 2025, no âmbito do projeto DBoidS – Sistema de Gémeos Digitais e Boids para a prevenção de fogos, que contou com financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

“Graças à aquisição de novos equipamentos, nomeadamente drones de última geração e uma doca inteligente que permite a aterragem, carregamento e nova descolagem automáticos, o sistema passou a operar de forma totalmente autónoma”, explana a universidade. Enquanto um drone vigia a área florestal, outro permanece na doca a recarregar a bateria, assegurando, assim, uma monitorização sem interrupções.

“Hoje damos mais um passo importante, ao transformar uma tecnologia desenvolvida em contexto de investigação num sistema autónomo de vigilância permanente”, começa por assinalar António Pereira, professor catedrático e investigador, citado no comunicado.

Segundo a universidade, a evolução do sistema acontece em colaboração com o Comando Territorial de Leiria da Guarda Nacional Republicana (GNR), com o propósito da “sua futura implementação operacional na prevenção e deteção precoce de incêndios rurais”.

Esta colaboração, nota o professor catedrático, “tem permitido validar funcionalidades e introduzir melhorias que respondem às exigências operacionais da vigilância e prevenção de incêndios rurais num território particularmente sensível ao risco de incêndio“. Em 2017, as chamas, que atingiram Pedrógão Grande e os concelhos vizinhos, mataram 66 pessoas, atingiram 261 habitações e destruíram cerca de 53 mil hectares de território.

Paulo Sousa, chefe da Secção do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) do Comando Territorial de Leiria da GNR, citado na mesma nota, considera que este sistema pode complementar os meios atualmente existentes. “Esperamos que, assim que estiverem reunidas as condições necessárias, possa vir a integrar os instrumentos de apoio à nossa missão”, afirma.

 

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