Guerra com Irão pressiona EUA a investir 51 mil milhões na produção de mísseis Patriot

  • Tiago Martins d'Oliveira
  • 30 Julho 2026

O Pentágono atribui contrato de 58,6 mil milhões de dólares à Lockheed Martin para aumentar produção de intercetores, numa altura em que conflitos pressionam reservas norte-americanas.

Os Estados Unidos avançaram com um contrato de até 58,6 mil milhões de dólares (cerca de 51 mil milhões de euros) para a produção de mísseis intercetores Patriot, numa altura em que o conflito no Médio Oriente tem pressionado os stocks norte-americanos de sistemas de defesa aérea.

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O contrato atribuído pelo Exército norte-americano à Lockheed Martin transforma um acordo inicial de um ano, avaliado em 4,7 mil milhões de dólares (aproximadamente 4,1 mil milhões de euros) e anunciado em abril, num plano plurianual de produção dos intercetores entre os anos fiscais de 2026 e 2032, noticia a Reuters.

A decisão surge num momento em que Washington enfrenta o desafio crescente de manter o apoio militar aos aliados enquanto utiliza simultaneamente munições em operações próprias no Médio Oriente, com responsáveis em Washington a alertarem para o impacto que uma campanha militar prolongada poderia ter nas reservas de munições.

Na semana passada, o chefe do Estado-Maior conjunto dos Estados Unidos, general Dan Caine, alertou Donald Trump para o impacto que uma escalada do conflito teria nas reservas norte-americanas de munições, um dos vários fatores considerados antes de suspender a campanha de bombardeamentos. O vice-presidente JD Vance terá igualmente manifestado reservas quanto ao alargamento da guerra.

Apesar destas preocupações, Donald Trump rejeitou a existência de uma escassez de munições. O Presidente norte-americano afirmou que os Estados Unidos têm “muita munição” e garantiu que os intercetores Patriot continuam a ser produzidos.

A utilização intensiva de sistemas de defesa aérea, incluindo os Patriot, aumentou as preocupações sobre a disponibilidade de armas de precisão e de sistemas capazes de intercetar mísseis balísticos.

Nesse sentido, o Pentágono tem pressionado os fabricantes de defesa para acelerarem a produção, com acordos preliminares estabelecidos este ano para aumentar a capacidade industrial. A administração de Donald Trump tem também aumentado a pressão sobre as empresas do setor para privilegiarem o aumento da produção militar em vez da distribuição de lucros pelos acionistas.

A Lockheed Martin afirmou que o financiamento permitirá cumprir o objetivo de triplicar a capacidade de produção dos intercetores Patriot PAC-3 MSE até ao final de 2030 e aumentar o número de trabalhadores na sua fábrica de Camden, no Arkansas, em cerca de 50%.

A empresa norte-americana prevê ainda investir entre 8 e 9 mil milhões de dólares até 2030 na modernização de mais de 20 instalações industriais, incluindo novos centros de produção de munições no Alabama e Arkansas.

Apesar do reforço anunciado, os atuais níveis de produção continuam a ser uma preocupação estratégica para Washington. O Center for Strategic and International Studies (CSIS), citado pela Reuters, estima que os Estados Unidos tenham menos de mil intercetores Patriot disponíveis e menos de 250 intercetores THAAD, dois dos principais sistemas de defesa aérea norte-americanos. Ambos os sistemas têm sido utilizados intensivamente no Médio Oriente.

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