EDP aponta concurso para ligar consumidores à rede como “o que vai ser relevante” para o país
A ligação de consumidores à rede é essencial para perceber quais os próximos passos da EDP no país, afirma o CEO.
O CEO da EDP e EDP Renováveis, Miguel Stilwell d’Andrade, considera que “o que vai ser relevante” em Portugal nos próximos tempos é conhecer-se o resultado do concurso para as Zonas de Grande Procura, que vai definir que projetos deverão ligar-se à rede elétrica nacional.
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O referido concurso foi criado para gerir situações em que existe elevada procura de capacidade de ligação à Rede Elétrica de Serviço Público mas em que, em simultâneo, os reforços de rede necessários não podem ser concluídos dentro dos prazos exigidos pelos interessados, explica a Direção Geral de Energia e Geologia, no seu site.
Confrontado com a possibilidade de fechar contratos de fornecimento de eletricidade a centros de dados, Miguel Stilwell indicou que não existe “nada de concreto” que conte negociar até ao final deste ano na Península Ibérica, e que “possa partilhar”.
“Podemos ter alguma coisa eventualmente nos Estados Unidos”, indicou. Em paralelo, considerou que “aqui na Península Ibérica, o que vai ser relevante, principalmente em Portugal, é conhecer os resultados das Zonas de Grande Procura“.
Neste âmbito, “obviamente aguardamos para conhecer os resultados”, disse, depois de confirmar que a EDP participou no processo e que espera agora conhecer as conclusões do lado da REN e da DGEG. A EDP aguarda com expectativa porque o resultado deste processo vai permitir “definir o que é que pode ser o consumo para os próximos anos”, logo, “o resultado desse concurso é que vai definir os próximos passos” da elétrica.
Foi em março que encerrou o procedimento, o qual registou uma procura total de 5,6 gigawatts, correspondentes a 29 manifestações de interesse, submetidas na fase de consulta pública, de acordo com informações partilhadas pelo ministério da Energia e citadas pelo Expresso. A consulta pública tinha aberto a 3 de fevereiro. Seguiu-se a fase de manifestação de interesse e prestação de caução, e por fim a validação das mesmas e verificação da capacidade disponível.
A 27 de janeiro, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirmou que o Governo optou por criar uma “zona única” de grande procura, dado o elevado número de pedidos de ligação à rede, muito dispersos no país, “de forma a que todos os pedidos sejam avaliados de uma forma integrada”.
O despacho que avança esta alteração, explicou a governante na altura, determina que terá de ser aberta uma consulta de interessados e, caso a capacidade prevista nos pedidos exceda a que está disponível, será feita uma seriação dos pedidos, num concurso.
Nesta zona, está previsto o pagamento de uma caução, que será maior do que aquela que está prevista para a zona de grande procura que já existe, em Sines. “Isto vai permitir separar os pedidos que são reais daqueles que são só tentativas”, afirmou a responsável da tutela.
Mais recentemente, em maio, o responsável máximo pelas operações da REN (COO), João Conceição, afirmou que os pedidos entregues inicialmente, e que correspondiam a 46 gigawatts, ficaram reduzidos a 4 gigawatts. Uma redução que colocou em perspetiva: o consumo nacional, no ponto máximo, exige ao dia de hoje dez gigawatts. “Isto ia aumentar em cinco vezes a ponta de consumo”, frisou.
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