Comissão Europeia critica Itália pelos atrasos no SAFE

Os atrasos no processo italiano podem não só afetar o desembolso dos fundos, como a reafetação das verbas não distribuídas que têm de ser feitas, no âmbito do SAFE, até ao final do ano.

A Comissão Europeia criticou Itália pelos atrasos na ativação dos 14,9 mil milhões de euros que garantiu no âmbito do SAFE, depois de no Parlamento italiano o ministro dos Negócios Estrangeiros ter apontado para o final do ano a decisão sobre qual o montante efetivo que iria utilizar do programa europeus de empréstimos militares. “Esperar até dezembro não é um calendário adequado para nós”, disse porta-voz da Comissão Europeia.

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Itália foi um dos 19 países que recorreu ao programa SAFE, tendo garantido uma verba de cerca de 15 mil milhões de euros que, até ao momento, ainda não foi ativada.

Na sexta-feira, ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, afirmou no Parlamento italiano que o país tinha “decidido utilizar a totalidade dos 14,9 mil milhões de euros do SAFE”, mais tarde disse que apenas tinha “reservado” o montante máximo disponível, apontando uma decisão sobre qual o valor “até ao final do ano”.

O governante admitia que esse valor poderia situar-se entre os seis e os nove mil milhões de euros.

“Esperar até dezembro não é um calendário adequado para nós”, reagiu porta-voz da Comissão Europeia aos jornalistas, citado pelo Euroactiv.

Os atrasos no processo italiano podem não só afetar o desembolso dos fundos, como a reafetação das verbas não distribuídas que têm de ser feitas, no âmbito do SAFE, até ao final do ano. “Precisamos de mais do que apenas alguns dias em dezembro para o fazer”, advertiu o porta-voz.

Em Kiev, durante a sua visita à Ucrânia, onde anunciou uma parceria industrial entre a UE e o país, Ursula von der Leyen tinha referido que cerca de 10 mil milhões de euros remanescentes do SAFE seriam utilizados para reforçar a produção de drones na Ucrânia.

Itália não será o único país a optar pela revisão em baixa da aplicação do montante para a compra de material militar. França, Estónia e Letónia também não recorreram à totalidade das verbas que tinham garantido.

Alguns países, entre os quais Portugal, ainda têm de concluir o acordo de empréstimo com a Comissão Europeia. Portugal fechou recentemente o primeiro contrato Estado a Estado no âmbito SAFE, precisamente com Itália para a compra de fragatas no valor de 3,9 mil milhões de euros.

Portugal garantiu uma fatia de 5,8 mil milhões de euros do SAFE.

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