Exclusivo Atmos Space Cargo estuda abertura de operação em Portugal

A Atmos Space Cargo foi a primeira empresa a obter da Anacom a licença comercial de reentrada e recuperação de um veículo orbital em espaço português.

Marta Oliveira, cofundadora da Atmos Space Cargo.

A Atmos Space Cargo está a “avaliar” a abertura de uma operação em Portugal, em Santa Maria, ilha açoriana “estratégica” para a empresa que planeia fazer a reentrada da sua cápsula orbital reutilizável. Cofundada pela portuguesa Marta Oliveira, a empresa obteve em março a primeira licença comercial de reentrada e recuperação de um veículo orbital em espaço português, a missão Phoenix 2.1.

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“Como Santa Maria assume uma importância estratégica para a Atmos, estamos a avaliar a possibilidade de estabelecer uma presença permanente na ilha, através da abertura de um escritório e da criação da infraestrutura necessária, o que poderá também traduzir-se na criação de oportunidades de emprego”, adianta Marta Oliveira, cofundadora da Atmos Space Cargo, ao ECO/eRadar. Hoje a empresa já conta com mais de 110 trabalhadores, diz.

A também chief operating officer da empresa não precisa, todavia, uma data. “Nesta fase, trata-se ainda de uma iniciativa em avaliação, pelo que não dispomos de uma calendarização definida nem de mais detalhes para partilhar”, justifica quando questionada sobre o tema.

Como Santa Maria assume uma importância estratégica para a Atmos, estamos a avaliar a possibilidade de estabelecer uma presença permanente na ilha, através da abertura de um escritório e da criação da infraestrutura necessária, o que poderá também traduzir-se na criação de oportunidades de emprego.

Marta Oliveira

Cofundadora da Atmos Space Cargo

A Atmos Space Cargo foi a primeira empresa a obter da Anacom a primeira licença comercial de reentrada e recuperação de um veículo orbital em espaço português, a missão Phoenix 2.1. A cápsula permite, por exemplo, fazer investigação em microgravidade, testar materiais como semicondutores ou cristalização de proteínas em órbita.

O objetivo é que as próximas missões da companhia façam igualmente reentrada ao largo da ilha açoriana. “Queremos que o nosso retorno seja sempre nos Açores, em Santa Maria. Esta primeira licença é para a Phoenix 2.1, mas o nosso segundo passo, uma vez que o sucesso da missão esteja provado, é fazer uma licença envelope, para várias missões do tipo de cápsula Phoenix 2”, explicava em março a cofundadora em entrevista ao ECO/eRadar.

Na época, a primeira missão estava prevista para a segunda metade de 2026. Questionada sobre datas, Marta Oliveira não avança com um prazo, apenas que o retorno será nos Açores e terá como clientes a Space Cargo Unlimited.

Polónia acolhe Atmos Works para setor da defesa

A empresa, que atua no setor do espaço, levantou recentemente 27,5 milhões de euros e anunciou uma nova unidade de negócio, a Atmos Works, para direcionar serviços para o setor de defesa. Em junho, a Atmos Works abriu na Polónia.

“A Atmos Works existe porque os clientes europeus responsáveis pela segurança e pela resiliência operacional necessitam de acesso soberano à logística orbital e à capacidade de regresso de carga proveniente da órbita — no âmbito de enquadramentos europeus e em condições definidas pela Europa”, justificou Sebastian Klaus. “Estamos a criar esta empresa precisamente para responder a essa necessidade”, referiu o CEO da Atmos Space Cargo, citado em comunicado.

A companhia está sedeada em Cracóvia, e o responsável da empresa no país justifica a opção. “Cracóvia oferece à Atmos Works os recursos técnicos e de investigação e desenvolvimento (I&D), a base industrial e a localização estratégica necessários para responder às necessidades dos clientes do setor europeu da defesa”, aponta Jarosław Pustul. “Estamos a construir uma empresa polaca que opera de acordo com os padrões europeus e responde à necessidade de segurança assente na soberania tecnológica”, destacou o diretor-geral da Atmos Works, citado em comunicado.

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