Exclusivo Meo e Thales avançam candidatura para fornecer a constelação de satélites europeia IRIS 2

Ainda este mês a Meo e a Thales em Portugal apresentam uma candidatura através da Agência Espacial Portuguesa para serem fornecedores de gateway de satélite ao consórcio da constelação IRIS 2.

Ana Carla Sousa, senior director Meo Wholesale – Centro Operacional de Satélites do Continente/Teleporto da Meo em Alfouvar, Sintra.Hugo Amaral/ECO

A Meo e a Thales querem ser fornecedores de gateway de satélite, a partir dos teleportos de Alfouvar e Santa Maria, do consórcio que está a desenvolver a IRIS 2, a constelação de satélites europeia que pretende ser uma alternativa segura à Starlink de Elon Musk. Vão ainda este mês apresentar uma candidatura através da Agência Espacial Portuguesa.

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A Meo e a Thales são as gestoras de dois teleportos em Portugal, onde estão estão instaladas várias antenas de receção de sinais de satélite, nomeadamente, em Alfouvar, perto de Sintra, e em Santa Maria, nos Açores. Centros que pretendem agora colocar ao serviço do consórcio da constelação IRIS 2, com as antenas ali alojadas a receber os sinais da constelação e ligando-os à rede terrestre.

“A candidatura portuguesa é uma candidatura conjunta entre a Meo e a Thales. Existe um teleporto em Santa Maria, que seria o teleporto secundário, este [o de Alfouvar] seria o principal. Estamos a fazer a candidatura com os dois teleportos”, avança Ana Carla Sousa, senior director da Meo Wholesale Solutions, ao ECO/eRadar.

“No final [desta semana] será entregue à PT Space [Agência Espacial Portuguesa], que é quem vai depois fazer a candidatura portuguesa”, detalha.

O que propõe a IRIS 2

Como mais de 60 antenas espalhadas por 12 hectares, o Centro de Satélites de Alfouvar já acolhe antenas de dois dos operadores de satélite ligados ao consórcio que está a desenvolver a IRIS 2 (Infraestrutura para a Resiliência, a Interconectividade e a Segurança por Satélite).

Os operadores europeus SES, Eutelsat e Hispasat lideram o consórcio SpaceRise que conta ainda com a participação de empresas da indústria aeroespacial e telecomunicações, como a Thales Alenia Space, a Airbus Defence and Space, a OHB, a Telespazio, a Deutsche Telekom, a Orange, a Hisdesat e a Thales Six.

A candidatura portuguesa é uma candidatura conjunta entre a Meo e a Thales. Existe um teleporto em Santa Maria, que seria o teleporto secundário, este [o de Alfouvar] seria o principal. Estamos a fazer a candidatura com os dois teleportos.

Ana Carla Sousa

Senior director da Meo Wholesale Solutions

A constelação IRIS 2, que combina satélites de órbita baixa (LEO), órbita média (MEO) e geoestacionários, terá um duplo uso. O objetivo é não só disponibilizar às autoridades da União Europeia e dos Estados-Membros serviços de comunicações por satélite fiáveis e seguros para as áreas da defesa, controlo de fronteiras e da gestão de crises, como, em simultâneo, desenvolver aplicações comerciais, como soluções de conectividade para a aviação, o setor marítimo ou redes da Internet das Coisas (IoT).

A ambição é reforçar a soberania estratégica europeia, reduzindo a sua dependência de redes exteriores à região, como a Starlink, de Elon Musk.

“Iremos um bocadinho para além disso. É a própria Europa a posicionar-se no setor do espaço com alguma visibilidade e também com algum domínio. É um projeto ambicioso e é, por isso, que acaba por ser um consórcio de todas as empresas europeias a atuar no setor. Nós estamos a posicionar-nos como fornecedores do consórcio”, considera Ana Carla Sousa.

Os primeiros serviços, admitia em janeiro o comissário Andrius Kubilius, deverão começar a ser disponibilizados em 2029. Cumprindo-se o calendário do projeto, a IRIS 2 deverá estar completamente operacional em 2030.

[Com a IRIS 2] é a própria Europa posicionar-se no setor do espaço com alguma visibilidade e também com algum domínio. É um projeto ambicioso e é, por isso, que acaba por ser um consórcio de todas as empresas europeias a atuar no setor. Nós estamos a posicionar-nos como fornecedores do consórcio.

Ana Carla Sousa

Senior director da Meo Wholesale Solutions

A Polónia foi o mais recente país a aderir em julho ao projeto, tendo encaminhado 656 milhões da bazuca europeia para a construção de satélites para a constelação. Em março tinha sido a vez da Noruega e Islândia.

Contributo nacional para a constelação

O projeto arranca com equipamento já em funcionamento. O consórcio quer “começar a dar o serviço com aquilo que é a infraestrutura já no terreno. E nós aqui [em Alfouvar] já temos instalações de dois membros desse consórcio. É uma das vantagens que consideramos quando estamos a fazer a candidatura ao projeto”, aponta Ana Carla Sousa.

A responsável prefere, no entanto, não revelar quais os operadores do consórcio que já usam os serviços de gateway do teleporto do Meo, nem o número de antenas já no centro. “Até porque nem sabemos com quantas [destas antenas] é que eles vão funcionar no projeto IRIS 2”, justifica.

Mais, as antenas existentes “é só para dar o início do serviço. O projeto em si prevê a construção de gateways novas. Queremos criar aqui entre a 12 a 25 novas antenas“, revela.

Centro Operacional de Satélites do Continente/Teleporto da MEO em Alfouvar, Sintra.Hugo Amaral/ECO

A proximidade aos operadores — que já conhecem as capacidades do teleporto — não é a única vantagem que a responsável do Meo considera que a candidatura portuguesa apresenta. A maior, diz, é o próprio centro.

“Alfouvar é hoje um centro de referência. Na Península Ibérica não existem muitos como este”, destaca. “O centro tem todas as condições que consideramos adequadas para receber um projeto como o IRIS 2, quer a nível de segurança, quer a nível de redundância, conectividade”, aponta, garantindo que não há falhas na operação. Em caso de falha de eletricidade, como sucedeu com o ‘apagão’, o teleporto tem capacidade para funcionar já que tem geradores que garantem fornecimento de energia, por exemplo.

A localização do centro também joga a favor da candidatura. “O facto de estarmos na Área Metropolitana de Lisboa, muito perto dos centros de interligação — quer seja a Linda-a-Velha [onde a Meo tem o Centro de Interligação de Redes Internacional], da Equinix [empresa de data centers] ou da Atlas Edge —, e conseguirmos ligar-nos rapidamente a esses centros, com cabos de fibra ótica redundantes, também é uma vantagem”, realça a senior director da Meo Wholesale Solutions.

A Meo está ainda a trabalhar na certificação do centro. “Esperamos ter concluído até ao final do ano a certificação deste centro, por forma a poder, na prática, ter qualquer tipo de gateway de qualquer operador. É torná-lo um bocadinho mais apetecível”, refere.

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