Ministro admite “adiar uma semana” arranque das aulas do secundário
Fernando Alexandre admite adiar uma semana o início das aulas no ensino secundário para aliviar a pressão sobre os professores classificadores. Os pedidos de reapreciação já superam os 20 mil.
O ministro da Educação admitiu esta terça-feira que o Governo está a ponderar adiar uma semana o arranque das aulas no ensino secundário, face ao elevado volume de trabalho dos professores com a classificação dos exames nacionais, revelando ainda que os pedidos de reapreciação já ultrapassam os 20 mil.
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“Aquilo que está neste momento em cima da mesa é a possibilidade de adiar uma semana o ensino secundário”, afirmou Fernando Alexandre, em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.
Segundo o governante, a hipótese está a ser avaliada porque os professores do ensino secundário enfrentam uma carga de trabalho excecional, depois de uma primeira fase dos exames marcada por problemas na classificação digital. Aos trabalhos da segunda fase juntam-se agora milhares de pedidos de reapreciação e a época especial de exames que decorre entre 3 e 8 de setembro.
“Nós queremos que os professores cheguem às escolas com força, com energia e parece-me difícil pedir isso aos professores com este esforço todo”, justificou, acrescentando que um adiamento de uma semana “não prejudicará o calendário do ano letivo e certamente beneficiará os alunos”.
Pedidos de reapreciação de exames ultrapassam os 20 mil
O ministro revelou também que os pedidos de reapreciação dos exames nacionais já ultrapassam os 20 mil. “Temos pedidos de reapreciação superiores a 20 mil neste momento e isso resulta também do novo método que temos, porque há muitos alunos que têm 9,4, 11,4, 12,4 ou 14,4 e, obviamente, um aluno nessa situação sentirá uma grande vontade de pedir a reapreciação, e muito bem”, afirmou Fernando Alexandre.
Segundo o ministro, nestes casos, um novo professor fará uma reapreciação integral da prova para avaliar se a classificação deve ou não ser alterada.
Ministro responde às críticas da Fenprof
As declarações de Fernando Alexandre surgem um dia depois de o Ministério da Educação ter definido um regime excecional de remuneração para os professores classificadores, que prevê o pagamento de um euro por resposta corrigida e de 12 euros por cada reapreciação.
A medida foi contestada pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof), que a classificou como “absolutamente inaceitável” e uma “afronta” aos docentes, considerando insuficiente o pagamento de um euro por resposta avaliada.
Questionado sobre essas críticas, Fernando Alexandre defendeu que o pagamento “faz parte do novo modelo” de classificação dos exames nacionais. “O novo modelo terá uma forma de pagamento similar à que agora foi apresentada”, afirmou, referindo-se ao despacho publicado na segunda-feira.
O ministro sustentou que a remuneração deve refletir o trabalho efetivamente realizado pelos professores classificadores. “Se eu tenho alguém que corrige 200 provas ou alguém que corrige cinco provas, não é a mesma coisa. Temos de dar um incentivo e valorizar o trabalho dos professores que efetivamente estão a contribuir numa função que é essencial para a vida das famílias portuguesas e dos alunos”, afirmou Fernando Alexandre.
Fernando Alexandre considerou ainda que esta é “a forma mais justa” de remunerar os docentes, lembrando que Portugal já adotou, no passado, um modelo semelhante de pagamento pela classificação de exames.
Não faltam professores classificadores
Fernando Alexandre rejeitou ainda que exista falta de professores disponíveis para classificar exames, atribuindo os constrangimentos ao atual modelo de seleção dos classificadores. “O que temos é um problema de afetação. O processo como é feita a escolha é extremamente ineficiente”, afirmou.
Como exemplo, referiu que, só na segunda-feira, foram identificados, na região de Lisboa, 111 professores inicialmente convocados para classificar exames que acabaram por não estar disponíveis, por se encontrarem de férias ou de baixa médica.
O ministro disse continuar a receber relatos de professores disponíveis para classificar exames que ainda não foram contactados, considerando que isso demonstra que existe disponibilidade suficiente para responder às necessidades.
Segunda fase decorre “com toda a normalidade”
Fernando Alexandre garantiu ainda que a segunda fase dos exames nacionais está a decorrer “com toda a normalidade”, revelando que mais de 20% das provas já foram corrigidas, apesar de só terem sido disponibilizadas aos classificadores na segunda-feira.
O governante acrescentou que a digitalização das provas ficou concluída durante o fim de semana “sem problemas maiores identificados” e mostrou-se otimista quanto ao cumprimento dos prazos.
(Notícia atualizada às 13h05 com mais informação)
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