Merz exige “cortes” significativos no orçamento da UE. E ataca Bruxelas por querer reforçar equipa
O chanceler alemão considera “inaceitável” a criação de 2.500 novos empregos nas instituições europeias e defende cortes “em todas as áreas” na proposta orçamental da Comissão.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, defendeu cortes de “várias centenas de milhões de euros” na proposta de orçamento da União Europeia (UE), apresentada por Bruxelas, e considerou “inaceitável” e “desequilibrado” o plano de reforçar em 2.500 pessoas a equipa das instituições do bloco.
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“Precisamos de um projeto de orçamento com cortes em todas as áreas — totalizando várias centenas de milhares de milhões de euros. Estes cortes são essenciais”, afirmou Merz, durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, citado pelo Politico.
Questionado pelo mesmo jornal sobre se o valor correspondia aos 400 mil milhões de euros em reduções orçamentais sugeridos num documento alemão no final do mês passado, o chanceler recusou detalhar a proposta, remetendo para as negociações em curso.
Merz criticou também o plano da Comissão Europeia de reforçar o número de funcionários das instituições europeias, uma medida que Bruxelas justifica com o aumento da carga de trabalho provocado pelas atuais crises geopolíticas. “É inaceitável que sejam agora criados 2.500 novos lugares para as instituições europeias. Não vamos aceitar isso”, sublinhou.
O chanceler alemão argumentou que a Alemanha está a reduzir em 8% o número de funcionários públicos até 2029, numa altura em que Berlim defende uma contenção da despesa pública.
A Irlanda, que assume a presidência semestral do Conselho da União Europeia, terá agora de apresentar uma nova proposta orçamental antes da cimeira de líderes europeus marcada para outubro. O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, terá pela frente o desafio de aproximar posições entre a Alemanha e os países que defendem um orçamento europeu mais elevado, como Itália, Espanha e Polónia.
Na conferência de imprensa, o líder irlandês mostrou-se reticente em responder às exigências alemãs, limitando-se a dizer que iria “ouvir atentamente o chanceler sobre o que é importante para ele e para a Alemanha”.
“Acredito que, se todos abordarmos a tarefa com o espírito correto, um acordo deverá ser possível até ao final do ano”, referiu Micheál Martin, citado pelo Politico.
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