Portugal prepara entrada nos satélites NATO com Constelação Atlântico
Espanha integra a iniciativa da NATO para vigilância permanente com satélites (APSS). Portugal tem em "desenvolvimento os procedimentos necessários para definir os respetivos termos de integração".
Portugal está a preparar a entrada na Alliance Persistent Surveillance from Space (APSS), iniciativa da NATO para fornecer aos aliados, a partir de satélites, informação de vigilância permanente para as suas missões, com as capacidades do lado nacional da Constelação Atlântico.
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Na cimeira NATO de Ancara, Espanha passou a integrar este projeto. “Será o 19.º país a aderir à iniciativa. A Espanha contribuirá reforçando a vigilância costeira por meio de imagens dos seus satélites da Constelação Atlântica”, referiu Radmila Shekerinska, vice-secretária-geral da NATO, durante o Fórum Industrial de Defesa, na Turquia.
Em Espanha, Open Cosmos apresentou em maio o desenho final de oito satélites espanhóis que irão fazer parte da Constelação Atlântica, com dotação de 30 milhões de euros, que juntar-se-ão aos do lado português, um misto de satélites de alta resolução (SAR) e óticos.
Mas sendo a Constelação Atlântico um projeto ibérico, como fica do lado português a entrada neste projeto da NATO?
“A Constelação do Atlântico continua a ser um projeto conjunto entre Portugal e Espanha. Contudo, embora partilhem este objetivo comum, cada país desenvolve a sua componente e define o seu percurso de implementação de acordo com a respetiva estratégia e prioridades nacionais”, refere porta-voz do Gabinete do Estado-Maior-General das Forças Armadas, ao ECO/eRadar.
“Na edificação da Constelação do Atlântico, Portugal optou por desenvolver, numa primeira fase, as capacidades nacionais através da colocação de satélites em órbita. Os satélites entretanto lançados já permitem gerar produtos operacionais, ao mesmo tempo que prossegue o desenvolvimento da restante constelação”, continua.
Depois de lançar em março dois satélites da Constelação Atlântico, um deles um SAR da Força Aérea, em junho, Portugal adquiriu mais dois satélites de alta resolução (SAR) à empresa finlandesa ICEYE, que serão operados pela Força Aérea e irão reforçar a Constelação do Atlântico.
A aquisição dos satélites foi realizada no âmbito da Agenda New Space Portugal do PRR, através do CTI Aeroespacial [que envolve a Força Aérea, CEiiA e a Geosat] , e o seu lançamento está previsto para o final de outubro. A Constelação deverá ter, pelo menos, 16 satélites, só do lado português.
“Consolidadas estas bases, encontram-se reunidas as condições para preparar a participação nacional na Alliance Persistent Surveillance from Space (APSS), estando em desenvolvimento os procedimentos necessários para definir os respetivos termos de integração, em consonância com a estratégia nacional para o setor espacial”, refere porta-voz do Gabinete do Estado-Maior-General das Forças Armadas.
O Estado-Maior-General das Forças Armadas não adianta se o objetivo seria concretizar-se essa entrada ainda este ano, de acordo com a informação apontada por fontes do setor ouvidas pelo ECO/eRadar.
O que é o APSS
Lançada em 2023, com liderança e financiamento iniciais de Luxemburgo (16,5 milhões de euros), a iniciativa APSS é descrita como o “maior investimento multinacional em capacidades espaciais na história da Aliança” e servirá para fortalecer “a cooperação em vigilância espacial, estabelecendo uma constelação virtual de grande escala composta por satélites de vigilância nacionais e comerciais, denominada “Aquila”.
“Dezanove aliados estão a contribuir com o equivalente a mais de mil milhões de dólares para aproveitar os ativos espaciais comerciais e nacionais, bem como para expandir capacidades avançadas de exploração de dados”, informa a NATO.
Bélgica, Bulgária, Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Polónia, Roménia, Suécia, Turquia, Estados Unidos e agora, desde a cimeira de Ancara, Espanha são os países aliados envolvidos.
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