Novas fragatas vão reforçar “o pilar europeu de defesa da NATO”, diz Nuno Melo

  • Tiago Martins d'Oliveira
  • 23 Julho 2026

O ministro da Defesa, Nuno Melo, defende que as três fragatas italianas vão reforçar "o pilar europeu de defesa da NATO" e consolidar o contributo português para a defesa coletiva da aliança militar.

“Somos a frente ocidental da NATO e da União Europeia, e por isso não estamos apenas a defender o território português e a exercer a soberania em território português. Reforçamos o pilar europeu de defesa da NATO também através de Portugal“, atirou o ministro da Defesa Nuno Melo, destacando que a compra das três fragatas à italiana Fincantieri por cerca de 3,9 mil milhões de euros vai consolidar o contributo português para a defesa coletiva da NATO, ao ECO/eRadar.

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A leitura de Nuno Melo enquadra a compra das fragatas FREMM EVO no atual contexto de reforço das capacidades militares europeias, numa altura em que a Aliança Atlântica tem vindo a exigir aos Estados-membros maior investimento em meios de combate e vigilância.

Estamos a garantir que no contexto da NATO damos resposta, porque a resposta que é parcelar entre países aliados, diz-nos que a eficácia de uns assegura a boa defesa coletiva e o fracasso de uns pode-nos atingir a todos”, assinalou o governante, ao ECO/eRadar à margem da assinatura de um contrato programa com Timor-Leste, no Ministério da Defesa.

Nós somos a frente ocidental da NATO e da União Europeia, e por isso nós não estamos apenas a defender o território português e a exercer a soberania em território português. Reforçamos o pilar europeu de defesa da NATO também através de Portugal.

Nuno Melo

Ministro da Defesa Nacional

Entre as capacidades que as novas fragatas irão assegurar, destaca-se a guerra antissubmarina, a defesa antiaérea e a proteção das infraestruturas críticas marítimas. “Estamos também a garantir, no que tem a ver com os alvos capacitados da NATO, a luta antissubmarina. Estamos a assegurar uma defesa antiaérea de que precisamos mesmo”, referiu.

Além de posicionar Portugal na defesa marítima da aliança militar, o investimento português — no âmbito do empréstimo europeu SAFE — também terá reforça a capacidade de soberania nacional. “O primeiro retorno é para a soberania nacional“, sublinhou o ministro da Defesa ao ECO/eRadar.

“Considerando o mar, e o mar é território e são recursos, Portugal é uma nação imensa, sobre o qual temos que exercer soberania, onde temos ações de busca e salvamento, de auxílio no combate à criminalidade, ao tráfico de droga, ao tráfico de pessoas, onde temos que assegurar a segurança e a vigilância de infraestruturas críticas, nomeadamente cabos submarinos, dos quais depende a economia e dos quais dependem as comunicações globais“, acrescentou.

O governante recorda ainda que Portugal precisa de manter uma marinha com capacidade oceânica, além da dimensão costeira e marítima do país.

Portugal é um país que tem de estar permanente dotado de uma marinha que é uma Marinha oceânica, não é uma Marinha costeira“, realçou Nuno Melo à margem da cerimónia de assinatura do Programa-Quadro de Cooperação no domínio da Defesa entre Portugal e Timor-Leste, que decorreu no Ministério da Defesa.

As novas fragatas substituirão progressivamente os navios das classes Vasco da Gama e Bartolomeu Dias, que se aproximam do fim da sua vida operacional. “Aquilo que nós estamos a fazer é a renovar capacidades, também em fragatas, serão 12 navios que chegarão até, enfim, nos próximos anos, de diferentes tipologias”, explicou Nuno Melo.

“Também através destas fragatas [italianas] substituir equipamentos que estão em fim de vida, nomeadamente as fragatas da classe Vasco da Gama, que foram adquiridas nos anos 90 e fragatas da classe Bartolomeu Dias que foram modernizadas nos anos 2000, mas foram adquiridas há anos já em segunda mão”, acrescentou ao ECO/eRadar.

O ministro vincou que “todos os equipamentos têm um tempo de vida” e que este investimento de 3,9 mil milhões nas fragatas italianas dará à Marinha Portuguesa capacitação para um ciclo de 30 anos. “Todos os equipamentos têm um tempo de vida, têm um princípio, um meio e um fim e as atuais fragatas que estão no fim desse ciclo de vida têm que ser substituídas parte delas”, sublinhou.

Aquilo que nós estamos a fazer é a renovar capacidades, também em fragatas, serão 12 navios que chegarão até, enfim, nos próximos anos, de diferentes tipologias.

Também através destas fragatas substituir equipamentos que estão em fim de vida, nomeadamente as fragatas da classe Vasco da Gama, que foram adquiridas nos anos 90 e fragatas da classe Bartolomeu Dias que foram modernizadas nos anos 2000, mas foram adquiridas há anos já em segunda mão.

Nuno Melo

Ministro da Defesa Nacional

Além da dimensão operacional, o governante voltou a sublinhar que os projetos financiados através do instrumento europeu SAFE terão obrigatoriamente de gerar retorno para a economia portuguesa. “É condição não apenas para as fragatas, mas para todos os investimentos no âmbito do SAFE, o retorno para a economia nacional”, assinalou ao ECO/eRadar.

O retorno da compra das compras deverá traduzir-se na participação de empresas portuguesas em áreas de defesa. “No caso das fragatas, também com o retorno, que é assinalável, porque passará, entre outras coisas, pela construção de uma doca flutuante, por sistemas de combate e software operacional, simuladores, sistemas integrados de comunicações, e que ficam a cargo de empresas portuguesas“, revelou.

Questionado sobre quais serão as empresas portuguesas envolvidas neste programa, Nuno Melo recusou identificar os parceiros antes da conclusão dos processos contratuais e apenas remeteu que serão anunciadas no futuro.

Arsenal do Alfeite com “investimento significativo na recapacitação”

Nuno Melo sublinhou ainda a necessidade da revitalização do Arsenal do Alfeite, com um “investimento significativo na recapacitação” do Arsenal, destacando que o Alfeite é “fundamental para a Marinha”.

É a nossa fortíssima convicção de que adquiriremos veículos blindados, mas que são produzidos em Portugal. Estamos a falar de investimento externo com participação portuguesa. Nós vamos adquirir veículos blindados que nos permitirão cumprir alvos capacitados da NATO, mas vamos produzir esses blindados cá. O mesmo vale para as munições, o mesmo vale para satélites.

Nuno Melo

Ministro da Defesa Nacional

O Arsenal é capaz de operar com estes navios que são de última geração, altamente sofisticados, com os próprios submarinos que o são também, e este investimento tarda há 30 anos”, vincou o ministro.

Contudo, quando questionado qual o montante que a Fincantieri deverá disponibilizar para o Arsenal do Alfeite, Nuno Melo adianta que o investimento não terá de ser obrigatoriamente do grupo italiano. “Não estou a dizer que será necessariamente dos italianos, porque eu acho que cada comunicação tem o seu tempo e há processos contratuais que exigem uma certa descrição na forma como são tratados, sendo depois tudo público e altamente fiscalizado e transparente”, sublinhou ao ECO/eRadar.

O governante frisou que o Governo tem uma “fortíssima convicção” que Portugal vai conseguir adquirir os veículos blindados através do montante do empréstimo europeu, com produção em território nacional para modernizar e capacitar as Forças Armadas. “É a nossa fortíssima convicção de que adquiriremos veículos blindados, mas que são produzidos em Portugal. Estamos a falar de investimento externo com participação portuguesa”, assinala.

“Nós vamos adquirir veículos blindados que nos permitirão cumprir alvos capacitados da NATO, mas vamos produzir esses blindados cá. O mesmo vale para as munições, o mesmo vale para satélites“, acrescentou.

O próximo acordo no âmbito do SAFE será para adquirir estes veículos blindados ou os drones? Nuno Melo foi perentório na resposta. “Quando se fala de calendários, para nós uma coisa está ligada à outra. A aquisição dos equipamentos está ligada ao retorno para a economia nacional e onde nós identificamos essa opção estratégica à produção no nosso país. Tudo tem que estar garantido e tudo tem que ser feito de forma muito criteriosa, passo a passo”.

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