Autarquias também vão gerir alojamento turístico. Conheça os projetos
Mais de 20 imóveis do Estado passaram para a gestão de 16 municípios de Norte a Sul do país. Estes são os edifícios que as câmaras vão converter para fins turísticos.
As antigas casas florestais do Carvoeiro, em Viana do Castelo, e do Alto da Freita, localizada num dos principais polos turísticos do Arouca Geoparque Mundial da Unesco, vão ser requalificadas para fins turísticos. Enquanto a primeira será convertida numa unidade de turismo de montanha sob gestão comunitária, a segunda dará lugar a um alojamento turístico explorado pelo município. Já a autarquia do Porto vai reabilitar a antiga discoteca Kasa da Praia para fins desportivos e Évora transformará as antigas instalações EPAC – fábrica de sementes num museu de arte urbana.
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Estes são alguns projetos de requalificação de 21 imóveis, património do Estado, sem utilização ou devolutos, que passaram para a gestão de 16 municípios de Norte a Sul do país, no âmbito do processo de descentralização de competências da Administração Central para a Local. No total, as autarquias deverão investir 16 milhões de euros para valorizar o património, dinamizar a economia local e criar mais emprego no território.

O investimento mais avultado caberá à autarquia de Évora que vai investir 8,5 milhões de euros na reabilitação das antigas instalações EPAC – fábrica de sementes para as transformar num museu de arte urbana. Segue-se o Porto, onde a autarquia presidida por Pedro Duarte investirá três milhões de euros no antigo estabelecimento de diversão noturna Kasa da Praia, próximo do Castelo do Castelo. E que será reabilitado num investimento de três milhões de euros para fins desportivos.
Entre os municípios abrangidos nos acordos assinados esta terça-feira, nos Paços do Concelho do Porto, com a Estamo – empresa pública responsável pela gestão, valorização e rentabilização do património imobiliário do Estado –, constam ainda as câmaras de Ansião, Arcos de Valdevez, Arronches, Carregal do Sal, Castelo de Paiva, Chaves, Guarda, Moimenta da Beira, Montalegre, Ponte da Barca, Viana do Castelo, Vila Pouca de Aguiar e Viseu.

Fomos tentar perceber como será o processo de gestão e exploração dos futuros alojamentos turísticos de Viana do Castelo e de Arouca, após as obras de requalificação das respetivas casas florestais.
A futura unidade de turismo de montanha sustentável, que nascerá na Casa Florestal do Carvoeiro, funcionará sob gestão comunitária, “sob alçada de uma entidade legalmente constituída para gerir o baldio, a Comunidade Local dos Baldios de Carvoeiro”, avança o município em declarações ao ECO/Local Online.
Este modelo de exploração do espaço, justifica a autarquia, “garante uma exploração não especulativa, ambientalmente sustentável e socialmente responsável, assegurando acessibilidade, valorização e dinamização económica do território“.
Presidida pelo socialista Luís Nobre, a autarquia considera mesmo que, “ao privilegiar a gestão comunitária, com abertura a parcerias estratégicas, assegura um modelo participativo, transparente e ancorado nos valores ambientais, sociais e culturais locais”. Este modelo de gestão comunitária permitirá ainda, nota, “assegurar a manutenção contínua e reinvestimento das receitas nas atividades do baldio”.
Avaliada em 73 mil euros, a Casa Florestal do Carvoeiro, atualmente em estado devoluto, será reabilitada num investimento de 120 mil euros financiado por fundos camarários e comunitários. Este alojamento de montanha de pequena escala irá “acolher visitantes interessados em experiências ligadas à natureza”.
A unidade de turismo de montanha sustentável deverá funcionar como motor da economia local, criando emprego e rendimento para a comunidade. “Este projeto configura-se como uma oportunidade para promover práticas de turismo responsável, criação de emprego local e reforçar a identidade da comunidade local”, assinala a Câmara de Viana ao ECO/Local Online.
Com este projeto de reabilitação, o município pretende igualmente fomentar um “turismo de base comunitária, envolvendo a população local nas dinâmicas do projeto“. Salvaguardar e valorizar o património florestal e edificado são mais alguns dos objetivos a cumprir.
Paralelamente, serão desenvolvidas atividades de turismo de natureza, como caminhadas e percursos pedestres interpretativos, observação da biodiversidade local, e programas de educação e sensibilização ambiental.

Já o alojamento turístico que vai nascer na Casa Florestal do Alto da Freita, em Arouca, funcionará sob gestão municipal. O projeto terá um custo de 173,7 mil euros, financiado por fundos municipais, segundo garantiu ao ECO/Local Online a autarquia presidida por Margarida Belém (PS).
“Com a futura requalificação do edifício pretende-se dar uma nova vida a este importante património e contribuir para a dinamização da serra da Freita, um dos principais polos turísticos do Arouca Geoparque Mundial da Unesco”, detalha o município.
Avaliado em 24,6 mil euros, o imóvel foi, durante décadas, residência e posto de trabalho do guarda-florestal responsável pela vigilância e proteção da floresta contra incêndios.
Nos últimos dois anos, 64 autarquias já receberam 95 imóveis que representam um investimento em reabilitação de cerca de 80 milhões de euros.
Conheça mais alguns dos imóveis que serão transformados em habitação acessível, espaços museológicos, centros de conhecimento, serviços municipais ou conservatório de música.
- O antigo serviço das Finanças e as antigas Casas da GNR, em Ansião, serão requalificados para habitação acessível num investimento global de 1,5 milhões de euros.
- O antigo quartel do Guarda Fiscal em Arronches vai acolher serviços municipais e um conservatório de música, numa obra que custará cerca de 672 mil de euros.
- A Casa Florestal Fonte Santa, em Moimenta da Beira, será convertida num Posto de Informação Turístico. A obra custará 550 mil euros.
- Os antigos serviços de Finanças de Castelo de Paiva acolherão serviços municipais, num investimento de 375 mil euros.
- A Casa Abrigo de Penadoeiro e a Casa do Guarda Florestal da Igreja, em Ponte da Barca, passarão a funcionar como centros de conhecimento dedicados à biodiversidade e à geodiversidade do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), num projeto que vai custar 347,3 mil euros e 328,4 mil euros respetivamente.
- No antigo edifício do Serviço da Luta Antituberculosa, em Viseu, nascerá um espaço museológico cujas obras rondarão os 300 mil euros. Segundo o presidente da Câmara Municipal de Viseu, João Azevedo, este “projeto dará uma nova vida a um edifício emblemático que estava abandonado, promovendo assim um novo equipamento que reforçará a estratégia municipal de aumento da oferta de espaços de fruição pública”.
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