Mau tempo: Operadores de emergência da Região de Leiria sem receber parte de horas extra
Operadores de telecomunicações da Região de Leiria continuam sem receber parte do valor das horas extraordinárias que fizeram na sequência da depressão Kristin, denuncia sindicato.
“A ANEPC [Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil] assume a necessidade de trabalho suplementar, mas depois não quer pagar ou demora a pagar”, declarou à agência Lusa o presidente do Sindicato Independente dos Trabalhadores da Floresta, Ambiente e Proteção Civil (SinFAP). Segundo Alexandre Carvalho, estão em causa montantes de “centenas de euros” por operador de telecomunicações de emergência do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Leiria.
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O dirigente do SinFAP explicou que quando o trabalho suplementar excede 60% do salário tem de haver autorização para pagamento do respetivo valor das horas extraordinárias, o que ainda não sucedeu relativamente a operadores de telecomunicações de emergência da Região de Leiria.
Alexandre Carvalho adiantou ter indicação do Ministério da Administração Interna de que a alteração do diploma, que limita o pagamento do trabalho suplementar além dos 60% do salário, está na Presidência do Conselho de Ministros para aprovação.

À Lusa, uma funcionária do Comando Sub-regional da Região de Leiria lamentou a “falta de reconhecimento pelo trabalho que os operadores desenvolveram para manter a resposta operacional perante a tragédia que assolou a Região de Leiria”, a depressão Kristin, em 28 de janeiro deste ano.
“Mesmo considerando o número de operadores — nove — nunca foi colocada em causa a prontidão, para manter a sala de operações em funcionamento“, disse esta funcionária, destacando que alguns dos operadores deixaram as suas casas com danos para irem trabalhar.
A mesma fonte referiu que “uma sala [de operações] que devia contar com um efetivo de 15 operadores de telecomunicações de emergência tem apenas nove, e foram estes nove que asseguraram a continuidade do trabalho nos dias seguintes após a depressão Kristin”, há praticamente seis meses.
Questionada pela Lusa, a ANEPC referiu que, “relativamente aos valores reclamados por alguns trabalhadores, respeitantes a trabalho suplementar prestado no âmbito das operações de proteção e socorro”, foi pago “trabalho suplementar remunerável em estrito cumprimento do regime jurídico aplicável aos trabalhadores da Administração Pública e dos limites legalmente estabelecidos”.
“As situações identificadas reportam-se a casos pontuais em que o trabalho suplementar prestado ultrapassou os limites remuneratórios legalmente previstos“, observou, reconhecendo que, “nestes casos, a ANEPC não dispõe de competência para autorizar ou processar pagamentos para além desses limites sem o respetivo enquadramento legal e sem as autorizações legalmente exigidas”.
A ANEPC garantiu que “continua a desenvolver as diligências legalmente admissíveis com vista à apreciação destas situações e à identificação das soluções juridicamente adequadas que permitam o respetivo enquadramento, reiterando o seu compromisso com o cumprimento da legalidade, a transparência da sua atuação e a salvaguarda dos direitos dos seus trabalhadores”.
A Região de Leiria, a mais afetada pela depressão Kristin, integra os concelhos de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.
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