Tempestades ‘arrastam’ mais de 60% dos lucros da Altri até junho

Grupo de pasta e papel liderado por José Soares de Pina lucrou 4,6 milhões de euros no primeiro semestre. Efeito do comboio de tempestades no acesso a madeira “irá diluir nos próximos trimestres”.

O comboio de tempestades que ocorreu em Portugal e devastou a região Centro causou também estragos nas contas da Altri na primeira metade deste ano. O grupo que detém as empresas Biotek, Caima e Celbi registou lucros de 4,6 milhões de euros no primeiro semestre, o que corresponde a uma queda de 66,6% face ao mesmo período de 2025.

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Entre os meses de janeiro e junho, a papeleira liderada por José Soares de Pina teve receitas de 364,7 milhões de euros, menos 2,2%, segundo o relatório financeiro enviado esta quinta-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) caiu 38% para 35,5 milhões de euros, enquanto o EBIT se fixou nos 12,2 milhões de euros. A penalizar esta performance esteve, por exemplo, os efeitos no acesso a madeira, quer em termos de quantidade quer em termos de preço, causados pela Kristin e pelas outras intempéries. “Acreditamos que este impacto se irá diluir nos próximos trimestres”, prevê a Altri.

No que diz respeito ao investimento realizado pelo grupo Altri, totalizou 33,7 milhões de euros, acima dos anteriores 20,9 milhões de euros, onde se incluem 27 milhões de euros referentes a investimentos ligados à sustentabilidade (classificados como ESG), que representaram 80% deste bolo.

No segundo trimestre, o panorama foi significativamente diferente em relação aos primeiros três meses do ano. Entre abril e junho, as receitas totais do grupo atingiram os 204,6 milhões de euros, o que corresponde a um aumento de 20,8% em termos homólogos.

Quanto ao lucro operacional (EBITDA) também teve uma melhoria em cadeia, situando-se em 30 milhões de euros, um valor que compara em alta com os 28,2 milhões do segundo trimestre de 2025.

O CEO da Altri enalteceu esta evolução, na mensagem publicada com o relatório financeiro: “O segundo trimestre ficou marcado por uma recuperação clara da nossa atividade. Depois de um início de ano particularmente exigente, conseguimos restabelecer a normalidade operacional e voltar a um nível de desempenho que melhor reflete a capacidade do grupo”.

“As receitas cresceram de forma expressiva, impulsionadas pelo aumento dos volumes vendidos e por uma melhoria gradual dos preços das fibras celulósicas. A rentabilidade recuperou significativamente face ao trimestre anterior, embora ainda tenhamos sentido alguns impactos indiretos das tempestades que afetaram Portugal no início do ano, sobretudo no abastecimento de madeira, logística de produtos acabados e respetivos custos”, referiu José Soares de Pina, no documento divulgado à CMVM.

Na bolsa de Lisboa, as ações da Altri subiram esta quinta-feira 0,43% para 4,66 euros cada.

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