Capacidade inicial do aeroporto Luís de Camões vai afinal ser maior
Concessionária aponta agora para uma capacidade de 56 milhões de passageiros na abertura em vez de 45 milhões. ANA atualizou estimativas de tráfego, mas mantém abertura só em 2037.
Quando a ANA divulgou o primeiro relatório sobre o novo aeroporto de Lisboa afirmou que a capacidade inicial seria de 45 milhões de passageiros. Um ano e meio depois, o número aumentou 24% para 56 milhões. O ECO sabe que existiu também uma ligeira atualização para cima nas projeções de tráfego, mas o que explica a mudança na capacidade é o perfil de utilização que a infraestrutura poderá ter.
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“A infraestrutura planeada para a inauguração do NAL [Novo Aeroporto de Lisboa] foi desenvolvida para uma capacidade inicial de 45 milhões de passageiros“, lê-se no Relatório inicial entregue ao Governo em janeiro de 2025.
Mais de um ano e meio depois, a ANA aponta agora para “uma capacidade prevista para 56 milhões de passageiros por ano no ano de abertura“, lê-se no comunicado divulgado esta quarta-feira à imprensa. O número foi também referido pelo CEO da concessionária, Thierry Ligonnière, acrescentando que, na sua configuração máxima, o Luís de Camões poderá chegar aos 85 milhões de passageiros.
Esta diferença de números não significa, no entanto, que a ANA esteja agora a planear um aeroporto maior.
Os 45 milhões correspondem à capacidade que a concessionária pretende instalar para dar resposta a um dia típico de tráfego na abertura. Os 56 milhões correspondem a uma utilização mais uniforme durante o dia, incluindo nas horas habitualmente menos utilizadas. Ou seja, se a ANA conseguir ter mais tráfego fora das horas de pico, o número de passageiros aumenta, sendo que a infraestrutura estará preparada para acolher essa procura.
“A ANA estima que o projeto apresentado garante uma capacidade de até 56 milhões de passageiros na fase de abertura do NAL em condições ótimas de serviço para os passageiros, face aos 36,1 milhões de passageiros em 2025 no Aeroporto Humberto Delgado (AHD), uma capacidade que será suportada por uma infraestrutura moderna e sustentável”, explica a concessionária no sumário executivo do Relatório Técnico.
ANA aumentou estimativas de tráfego
A ANA, que pertence ao grupo francês Vinci, fez uma ligeira atualização às projeções de tráfego. Este é um tema que tem gerado alguma discórdia com o Governo. Em março, em resposta ao Relatório Ambiental do novo aeroporto, o Governo pediu que fossem alterados os pressupostos.
“O Governo voltou a expressar reservas quanto às projeções de tráfego apresentadas pela concessionária, por considerar que não refletem a evolução do setor nem o potencial de procura associado ao novo aeroporto”, dizia o comunicado do Ministério das Infraestruturas com os pontos-chave da resposta à ANA.
“Os pressupostos utilizados são demasiado conservadores, o que pode comprometer o correto dimensionamento do NAL [Novo Aeroporto de Lisboa], sendo por isso essencial que a concessionária proceda à revisão das projeções”, acrescentava.
No sumário executivo do Relatório Ambiental, a ANA menciona que “foi desenvolvido um estudo aprofundado dos fatores de hora de ponta, que constituem a base do dimensionamento das infraestruturas do NAL, em alinhamento com as melhores práticas da indústria e com as recomendações da IATA”.
O estudo é sustentado “numa análise de dados mais abrangente e robusta que aquela que foi possível a nível do Relatório Inicial entregue a 17 de dezembro de 2024, assim agora reflete de forma rigorosa as tendências de evolução do mercado”.
Os resultados, diz a concessionária, apontam “para um aumento dos valores do tráfego de horas ponta”. “As previsões de tráfego aéreo apresentam, por natureza, um nível elevado de incerteza, particularmente nos horizontes de médio e longo prazo. Neste enquadramento, o planeamento do NAL assenta numa abordagem flexível e faseada, permitindo ajustar o desenvolvimento da infraestrutura à evolução efetiva da procura, assim como a sua natureza ao longo do tempo”, destaca ainda a ANA.
O projeto do Aeroporto Luís de Camões prevê duas pistas na fase inicial, 64 portas de embarque, 72 pontes de embarque em contacto, um terminal de passageiros com cerca de 500.000 m². O custo estimado oscila entre os 7,9 e os 8,9 mil milhões de euros.
Ainda que o Governo aponte o arranque da operação para 2035, a ANA mantém que isso só deverá em meados de 2037. “A ANA continua a procurar oportunidades de otimização do calendário do projeto e considera que a data de entrada em operação poderá ser antecipada, dependendo da conclusão dos Acordos do NAL ocorrerem mais cedo do que o previsto no cronograma”, diz o sumário executivo.
Ainda sobre o custo, a concessionária alerta que a inflação dos custos de construção poderá continuar a aumentar nos próximos anos, impulsionada por “incertezas geopolíticas, pelas pressões nas cadeias de abastecimento e pela volatilidade dos mercados, fatores que poderão ter impacto adicional nos custos globais do projeto”.
O valor não inclui “compensações ambientais ou medidas de mitigação que venham a resultar do processo de licenciamento e que já não estejam integradas no âmbito do projeto, nem os impactos decorrentes de sujeições arquitetónicas adicionais, e/ou de elevada complexidade material”.
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