Portugueses reservam 750 euros para as férias, mas orçamento perde para a inflação
79% dos portugueses vão de férias este verão e estimam gastar 750 euros por pessoa. Portugal continua a liderar, mas a Europa ganha peso e o Alentejo supera o Algarve.
Os portugueses estimam gastar, em média, 750 euros por pessoa nas férias de verão deste ano, segundo o estudo “Férias dos Portugueses 2019-2026”, do Instituto Português de Administração e Marketing (IPAM). O valor representa um aumento de cerca de 5% face aos 712 euros registados em 2019.
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Apesar da subida, o aumento fica muito aquém da inflação acumulada no mesmo período. Para Mafalda Ferreira, professora do IPAM e coordenadora do estudo, isso mostra que “o aumento não acompanhou a inflação e sugere uma redução do orçamento de férias em termos reais, acompanhada por estratégias de contenção e adaptação das escolhas“. A investigadora acrescenta, em declarações ao ECO, que “as famílias não conseguiram acompanhar essa subida com um aumento equivalente do seu orçamento e estão a ajustar os comportamentos para manter as férias dentro das suas disponibilidades financeiras”.
O pequeno aumento não significa que os preços das férias tenham subido apenas 5%. Significa, provavelmente, que as famílias não conseguiram acompanhar essa subida com um aumento equivalente do seu orçamento e estão a ajustar os comportamentos para manter as férias dentro das suas disponibilidades financeiras.
Ainda assim, o estudo aponta para uma maior contenção da despesa. Quase metade dos inquiridos (43%) prevê gastar menos do que em 2025, outros 43% tencionam manter o mesmo nível de despesa e apenas 14% admitem aumentar os gastos.
O subsídio de férias continua a desempenhar um papel central no financiamento deste período. Em 2026, 77% dos portugueses afirmam recorrer, total ou parcialmente, a este rendimento para suportar as despesas das férias. Destes, 47% utilizam-no apenas em parte, enquanto 30% dependem integralmente do subsídio para financiar este período.
“Os resultados mostram que as férias continuam a ser encaradas pelos portugueses como um momento essencial de descanso e bem-estar”, afirma Mafalda Ferreira. “Apesar da maior contenção orçamental, observa-se uma adaptação dos comportamentos, com maior planeamento, maior recurso às ferramentas digitais e novas preferências ao nível dos destinos, tanto em Portugal como no estrangeiro”, explica.
Alentejo Litoral destrona o Algarve nas férias dos portugueses
O Alentejo Litoral ultrapassou o Algarve e tornou-se o destino nacional preferido dos portugueses para as férias de verão. É escolhido por 60% dos inquiridos que fazem férias em Portugal, quando em 2019 reunia apenas 29% das preferências, enquanto o Algarve, que liderava em 2019, caiu de 48% para 30%. O Norte Litoral também ganhou expressão, passando de 13% para 38%.
Portugal mantém-se como o destino mais escolhido, embora tenha perdido peso desde 2019, passando de 61% para 50% das preferências. Em sentido inverso, a Europa reforçou a sua atratividade, subindo de 34% para 40%.
O estudo revela ainda que 79% dos portugueses planeiam gozar férias este verão, abaixo dos 85% registados em 2019. Ainda assim, mantém-se inalterada a percentagem dos que, entre os que fazem férias, saem da residência habitual: 73%, o mesmo valor de há sete anos.
A praia continua a ser o principal fator na escolha do destino de férias, embora tenha perdido relevância, passando de 59% para 47%. Em contrapartida, critérios como o preço e a oferta cultural ganharam importância, refletindo uma maior diversificação das motivações de viagem.
A duração das férias mantém-se praticamente estável, com 57% dos inquiridos a optar por duas semanas, face aos 58% registados em 2019, seguindo-se três semanas (21%) e uma semana (14%). Outros 7% dizem não seguir um período contínuo de férias.

A digitalização do planeamento das férias é outra das mudanças assinaladas pelo estudo. Atualmente, 86% dos portugueses pesquisam informação na internet, contra 67% em 2019. Pela primeira vez, a Inteligência Artificial passou a integrar o planeamento das férias, sendo utilizada por 21% dos inquiridos através de ferramentas como ChatGPT, Copilot ou Claude para pesquisar destinos, alojamento ou atividades.
As plataformas online consolidaram-se também como o principal canal de reserva, sendo utilizadas por 64% dos inquiridos. O Alojamento Local é a opção preferida para as férias de verão, escolhida por 36% dos inquiridos, à frente dos hotéis (29%). O Airbnb representa 14% das preferências, o mesmo valor das estadias em casa de familiares ou amigos, enquanto outras opções recolhem 7%.
O automóvel continua a ser, de longe, o principal meio de transporte para as férias de verão, escolhido por 82% dos inquiridos. O avião surge em segundo lugar, com 25%, seguido do comboio, com 17%.
O estudo “Férias dos Portugueses 2019-2026” foi realizado pelo IPAM-Porto entre 15 e 26 de junho de 2026, através de questionários online e presenciais, junto de uma amostra de 450 pessoas com 18 ou mais anos.
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