Montenegro rejeita “caos” nos exames, mas admite que ainda há 0,5% de respostas por corrigir

Luís Montenegro rejeitou a ideia de "caos" nos exames, mas reconheceu problemas no processo de digitalização. Defendeu, ainda assim, que modelo deve manter-se.

A polémica em torno dos exames nacionais marcou esta quinta-feira o debate do Estado da Nação. A oposição acusou o Governo de ter mergulhado o processo num “caos”, questionou se as classificações serão divulgadas dentro do prazo e voltou a pedir responsabilidades políticas. Luís Montenegro rejeitou essa leitura, admitindo, contudo, que a transição para a correção digital “não aconteceu na exata medida” que o Governo antecipava e que ainda há respostas por corrigir.

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A crise dos exames acabou por dominar um dos principais momentos do debate parlamentar, com sucessivas críticas da oposição à gestão da passagem para o novo modelo de correção digital das provas.

O primeiro ataque partiu do líder do Chega. André Ventura acusou Luís Montenegro de ter discursado “durante meia hora sem dizer uma palavra sobre os assuntos que estão a prejudicar o país”, apontando como exemplo o “caos” vivido nos exames nacionais. O presidente do Chega acusou ainda o Governo de tentar responsabilizar os professores pelos atrasos na classificação das provas e classificou toda a situação como “uma vergonha nacional”.

Também o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, desafiou diretamente o primeiro-ministro a garantir que todas as classificações serão divulgadas a tempo, questionando se o Governo está “em condições de garantir que sexta-feira todas as classificações serão publicitadas”.

Está em condições de garantir a esta Assembleia da República que amanhã todas as classificações serão publicitadas?

José Luís Carneiro

Secretário-geral do PS

Pela bancada do Livre, Inês Mendes Lopes considerou existir um “caos nos exames como não há memória” e classificou como “imprudente” a decisão de avançar para a digitalização da classificação das provas.

A líder parlamentar da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, afirmou que continuam a existir famílias “sem saber se podem confiar no resultado que vão receber” e perguntou a Luís Montenegro se “é este o rigor que o seu ministro da Educação garantiu ao país”. Já o Bloco de Esquerda pediu mesmo demissão do ministro da Educação.

Na resposta, o primeiro-ministro rejeitou a caracterização feita pela oposição. “Não há um caos nos exames em Portugal”, afirmou, reconhecendo, no entanto, que existiram “problemas de natureza técnica e eventualmente da gestão do processo”, que obrigaram ao adiamento da divulgação das classificações.

Temos 99,5% das respostas corrigidas, mas a parte que falta evidentemente é tão relevante como a que está cumprida“, afirmou, acrescentando que o ministro da Educação “já teve ocasião de se pronunciar variadíssimas vezes” sobre o processo e que o Governo continua a trabalhar para que o prazo previsto para esta sexta-feira possa ser cumprido.

Luís Montenegro reconheceu ainda que a transição para a correção digital “não aconteceu na exata medida que estávamos a antecipar”, mas recusou que os problemas justifiquem falar em “caos”.

Dirigindo-se à porta-voz do Livre, o primeiro-ministro defendeu que o novo modelo será “mais fiável”, “mais rigoroso” e “mais transparente” quando estiver plenamente operacional, acrescentando que a mudança corresponde a um compromisso já assumido pelo Estado.

O primeiro-ministro voltou também a defender a reforma, sublinhando que “sabíamos que esta transformação era muito delicada” e que compete ao Executivo “estabelecer o objetivo” e concretizá-lo, mesmo que não exista consenso total em torno da medida.

Na reta final da resposta, Montenegro procurou tranquilizar alunos e famílias, prometendo uma “avaliação rigorosa” que reflita o esforço e os conhecimentos demonstrados pelos estudantes e assegure justiça no acesso ao ensino superior.

Montenegro reconheceu que “nem tudo correu bem”, mas insistiu que a digitalização acabará por trazer “melhorias para a vida dos estudantes, das famílias portuguesas e também para o sistema educativo e para os seus profissionais”. Rejeitando a ideia de “caos”, contrapôs: “Mais perto do caos foi a escola pública que encontrámos.”

Apesar da contestação política, Luís Montenegro voltou a afastar qualquer cenário de remodelação governamental. Questionado sobre se mantinha a confiança em Fernando Alexandre, respondeu que continua a confiar “plenamente” no ministro da Educação e em todos os outros ministros e secretários de Estado.

O debate ocorre na véspera da data prevista para a divulgação das classificações dos exames nacionais, depois de Fernando Alexandre ter admitido existir o risco de as pautas não serem afixadas dentro do prazo caso ainda existam provas por classificar. Na sexta-feira realiza-se também, no Parlamento, um debate de urgência especificamente dedicado aos problemas registados no processo de correção dos exames.

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