Economia soma dados “francamente positivos” no segundo trimestre, garante ministro das Finanças
Joaquim Miranda Sarmento aponta para uma recuperação da atividade económica entre abril e junho, impulsionada pelas exportações e pela chegada dos fundos europeus do PRR ao terreno.
- Joaquim Miranda Sarmento, ministro de Estado e das Finanças, anunciou que a economia nacional acelerou no segundo trimestre, após um primeiro trimestre sem crescimento.
- O ministro destacou que o turismo e as exportações estão a crescer, enquanto a taxa de desemprego caiu abaixo dos 6%, refletindo um mercado de trabalho resiliente.
- A execução do Plano de Recuperação e Resiliência está a ser intensificada, com a previsão do Governo de que a totalidade das subvenções e empréstimos seja realizada até ao final do ano.
Joaquim Miranda Sarmento, ministro de Estado e das Finanças, assegurou esta quarta-feira, na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), que a economia nacional acelerou no segundo trimestre, ao mesmo tempo que fez o balanço da execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e do processo de identificação de imóveis públicos pela Estamo.
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Após um primeiro trimestre marcado por um crescimento nulo do Produto Interno Bruto, penalizado pelo mau tempo e pelo chamado “comboio de tempestades”, o ministro das Finanças traçou um quadro mais favorável para os três meses seguintes.
“Os dados que já dispomos para o segundo trimestre são, francamente, positivos, com uma aceleração do consumo do investimento e das exportações”, afirmou Miranda Sarmento, adiantando que a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística só deverá ser conhecida no final deste mês.
A perspetiva do governante é contrária à do Fórum para a Competitividade, que recentemente revelou que “depois de o PIB ter estagnado em cadeia no primeiro trimestre, parece que terá registado algum crescimento no segundo trimestre, mas ainda tímido”.
Iremos executar a totalidade das subvenções e provavelmente também a totalidade dos empréstimos.
O governante sublinhou ainda o comportamento de vários indicadores que sustentam esta leitura mais otimista. Segundo o ministro, o turismo mantém-se “muito dinâmico”, as exportações continuam a crescer “não apenas na parte do turismo, mas também na parte tecnológica e de serviços”, e o mercado de trabalho revela-se “bastante resiliente”, com a taxa de desemprego já abaixo dos 6% e uma forte criação de emprego.
Miranda Sarmento associou ainda este desempenho à evolução dos salários, destacando que 2024 e 2025 registaram “o maior crescimento das remunerações em termos reais da última década”, o que, combinado com as reduções sucessivas do IRS, elevou o rendimento disponível das famílias em mais de 10% ao longo dos dois anos e impulsionou a poupança.
Bazuca europeia segue a ‘todo o gás’
O ministro revelou ainda que o Governo está a intensificar o ritmo de execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), notando que “temos acelerado bastante o PRR, estamos agora próximo do décimo pagamento”, acrescentando uma projeção otimista para o desfecho do plano: “Iremos executar a totalidade das subvenções e provavelmente também a totalidade dos empréstimos”.
O peso do PRR na despesa pública foi, de resto, um dos fios condutores da intervenção inicial de Miranda Sarmento, que apontou o forte aumento do investimento público — em boa parte ligado à execução do PRR e do Portugal 2030 — como um dos principais motores do crescimento da despesa do Estado este ano.
O ministro recordou também que 2026 continua a ser um exercício orçamental exigente precisamente porque a execução do PRR implica um “montante de empréstimos muito elevado”, o que reduz a margem orçamental disponível para fazer face a choques imprevistos, como as tempestades e o conflito no Médio Oriente.
Estamos a falar já de 100 mil jovens que beneficiaram da isenção de IMT e imposto de selo e mais de 40 mil jovens que beneficiaram da garantia pública.
No capítulo do património público, o ministro das Finanças revelou números atualizados sobre o trabalho da Estamo, a empresa pública responsável pela gestão dos imóveis do Estado. “A Estamo já identificou mais de 60 mil imóveis e chegará aos 80 mil no final do ano”, afirmou, enquadrando este levantamento no objetivo mais amplo de rentabilizar o património do Estado.
Miranda Sarmento explicou que parte destes imóveis será alienada, com a receita gerada a reverter para o financiamento de políticas públicas de habitação. “Estamos a alienar alguns desses imóveis para depois usar essa receita para financiar políticas públicas de habitação”, sustentou, ligando este processo ao conjunto de medidas de apoio ao acesso à casa própria que o Governo tem vindo a implementar, entre isenções de IMT e imposto de selo para jovens compradores e a garantia pública ao crédito à habitação.
“Estamos a falar já de 100 mil jovens que beneficiaram da isenção de IMT e imposto de selo e mais de 40 mil jovens que beneficiaram da garantia pública”, referiu ainda Miranda Sarmento.
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