Sobe para 116 número de portugueses e lusodescendentes mortos no duplo sismo na Venezuela

  • Lusa
  • 14 Julho 2026

Entre os 116 cidadãos portugueses e lusodescendentes mortos, dos quais 99 tinham também a nacionalidade venezuelana, contam-se 22 crianças e 94 adultos, aponta Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O número de portugueses e lusodescendentes que morreram no duplo sismo que atingiu a Venezuela em 24 de junho aumentou para 116 e o número de desaparecidos diminuiu para 53, anunciou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

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Entre os 116 cidadãos portugueses e lusodescendentes mortos, dos quais 99 tinham também a nacionalidade venezuelana, contam-se 22 crianças e 94 adultos, acrescentou o MNE.

O anterior balanço, divulgado no domingo, contabilizava 114 portugueses e lusodescendentes mortos e 54 desaparecidos ou incontactáveis.

Já o número total de mortos subiu para 4.561, enquanto o número de feridos se manteve em 16.740, informa o relatório oficial divulgado na rede social Telegram pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.

As autoridades não referiram o número total de desaparecidos.

A Organização das Nações Unidas estimou, dois dias após o desastre, que o número de desaparecidos poderia chegar a 50 mil, enquanto outras projeções, citadas pela Agence France-Presse (AFP), sugerem um número próximo de 10 mil.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Caracas nomeia representante nos EUA como ministro para o exterior

Entretanto, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, nomeou o diplomata Félix Plasencia como novo ministro dos Negócios Estrangeiros, numa altura em que país procura ajuda humanitária após o duplo sismo que provocou mais de 4.500 mortos.

“Anuncio ao país que decidi fundir os ministérios das Relações Exteriores e do Comércio Externo (…) Para dirigir esta nova etapa, nomeei o diplomata Félix Plasencia”, declarou Rodríguez na plataforma de mensagens Telegram.

Plasencia exercia até agora funções como chefe da missão diplomática venezuelana nos Estados Unidos, e Yván Gil, que ocupou o cargo desde 2023, passa a ministro da Ciência e Tecnologia. Plasencia já tinha ocupado a pasta dos Negócios Estrangeiros entre 2021 e 2022.

Diplomata experiente, o novo chefe da diplomacia venezuelana foi embaixador no Reino Unido, na Colômbia e na China, e chefiava a missão de Caracas em Washington.

Félix Plasencia é o novo ministro dos Negócios Estrangeiros da VenezuelaLusa

Os dois países reativaram relações em março, após terem rompido os laços diplomáticos em 2019, mas continuam sem embaixadores.

A mudança ocorre quando os Estados Unidos, que capturaram o ex-presidente Nicolás Maduro a 03 de janeiro, anunciaram uma ajuda de cerca de 400 milhões de dólares (351 milhões de euros) e o envio de dois navios de guerra para apoiar o país, segundo a embaixada norte-americana.

Rodríguez governa sob pressão de Washington desde a detenção de Maduro. O plano norte-americano prevê estabilizar o país, relançar a economia e avançar para uma transição democrática em três fases.

Nomeado por Maduro, Gil é considerado parte da ala “dura” do poder e integra o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), fundado por Hugo Chávez (1999-2013).

Durante o seu mandato, o ministério multiplicou comunicados hostis contra os Estados Unidos e a Europa.

Em 2024, acusando-os de “ingerência”, expulsou representantes de sete países latino-americanos após a contestada reeleição de Maduro. A oposição reivindica vitória nesse escrutínio, marcado por alegações de fraude.

Em janeiro de 2025, Caracas limitou a três o número de diplomatas franceses, italianos e neerlandeses autorizados a permanecer no país, em represália pela recusa em reconhecer a vitória de Maduro. A medida foi progressivamente levantada após 03 de janeiro de 2026, sob pressão norte-americana.

 

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