Montenegro ‘segura’ Fernando Alexandre. “Ministros estão no Governo para resolver problemas”
Primeiro-ministro diz que governantes estão no Executivo para “resolver problemas” e não para se “queixarem”. Chefe do Executivo diz ainda esperar uma descida dos preços dos combustíveis.
Luís Montenegro garantiu esta segunda-feira que mantém “com certeza” a confiança no ministro da Educação, Fernando Alexandre, apesar dos atrasos e da polémica em torno da correção dos exames nacionais. O primeiro-ministro sublinhou que os membros do Governo estão em funções para encontrar soluções e não para se “queixarem” das dificuldades que enfrentam.
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Questionado sobre se continuava a confiar no ministro da Educação perante todas as alterações e confusões relacionadas com os exames nacionais, o chefe do Executivo afastou qualquer cenário de desgaste político. “Mas estaria em causa alguma vez a confiança que eu tenho nos ministros? isso não é uma questão”, respondeu o primeiro-ministro, defendendo o trabalho desenvolvido pelo titular da pasta da Educação.
Luís Montenegro argumentou que tanto os ministros como os secretários de Estado e o próprio primeiro-ministro têm a responsabilidade de responder aos problemas que surgem durante a governação. “Os ministros, como os secretários de Estado, como o primeiro-ministro, estão no Governo para resolver problemas, não é para se queixarem dos problemas, nem é para, digamos, esmorecerem quando eles aparecem”, afirmou.
O chefe do Executivo salientou ainda que Fernando Alexandre está sujeito a uma “pressão quotidiana, diária”, mas considerou que a sua permanência no Governo resulta precisamente da capacidade para enfrentar desafios. “Está no Governo porque tem, naturalmente, competência para encontrar as soluções para os problemas”, acrescentou.

Na sexta-feira, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, vai ao Parlamento dar explicações sobre os atrasos na correção dos exames nacionais. O PCP requereu um debate de urgência potestativo sobre os exames nacionais, agendado para 17 de julho, data prevista para a divulgação dos resultados das mais de 300 mil provas do secundário.
No requerimento entregue ao presidente da Assembleia da República, o PCP acusa Fernando Alexandre de se estar a furtar aos esclarecimentos parlamentares, lembrando que o ministro recusou comparecer na Comissão de Educação antes de 21 de julho. O partido já tinha pedido uma audição urgente do governante e, entretanto, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, admitira avançar com um debate de urgência caso o ministro não se disponibilizasse para prestar esclarecimentos.
Também o Chega defendeu a realização de um debate urgente sobre a situação dos exames nacionais e chegou a propor que decorresse igualmente a 17 de julho, depois de um primeiro pedido para o dia 15 ter sido recusado pelo presidente da Assembleia da República.
Entre as críticas apontadas pelos comunistas estão as orientações dadas aos professores para corrigirem provas incompletas, mesmo quando faltam folhas, os problemas técnicos da plataforma digital de classificação, que sofreu várias interrupções nos últimos dias, e a pressão exercida sobre os docentes envolvidos no processo. O PCP critica ainda o anúncio do pagamento de trabalho extraordinário aos professores, considerando que essa remuneração “não é mais do que uma obrigação”.
A polémica em torno dos exames nacionais intensificou-se nas últimas semanas, depois de o Ministério da Educação ter convocado professores de emergência para acelerar a correção das provas e de terem surgido relatos de falhas na plataforma informática utilizada pelos classificadores.
Governo espera uma descida dos preços dos combustíveis
Questionado também sobre a subida recente dos preços dos combustíveis, impulsionada pela instabilidade no Médio Oriente, Montenegro reconheceu não ter explicações para a rapidez com que os aumentos chegam às bombas de gasolina, em contraste com as descidas.
“Eu não tenho essa explicação porque não tenho intervenção na fixação do preço”, afirmou, recordando, contudo, que o Governo procurou atenuar o impacto da escalada dos preços através da redução da carga fiscal. Segundo o primeiro-ministro, o Executivo devolveu “a parte de imposto” que arrecadaria com a subida das cotações internacionais, numa tentativa de reduzir a pressão sobre consumidores e empresas.
“Tudo o resto é o funcionamento do mercado”, sustentou Montenegro, manifestando o desejo de que os preços regressem aos níveis anteriores ao agravamento das tensões no Médio Oriente. O primeiro-ministro falava aos jornalistas à margem da cerimónia de assinatura do auto de consignação da Estrada Nacional EN 222 – A32/IC2 (nó de Canedo/Serrinha), em Castelo de Paiva, distrito de Aveiro.
“O que eu desejo é que o mercado possa estabilizar e que possamos retomar os preços que tínhamos antes desta crise no Médio Oriente, para podermos ter a nossa economia mais pujante e para podermos ter também a vida quotidiana dos cidadãos mais facilitada”, concluiu.
Há 42 dias consecutivos que o preço do litro de gasóleo, em termos médios, está acima do chamado preço eficiente, calculado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), escreve o Público esta segunda-feira.
Isto significa que o que se paga na bomba está há quase mês e meio acima do valor que a ERSE calcula, periodicamente, para um litro de combustível, incluindo cotações internacionais e fretes, logística primária, incorporação de biocombustível, margem de retalho e impostos.
(Notícia atualizada às 11h14)
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