Fraca produtividade? Europa não precisa apenas de mais inovação, mas também difundi-la
Estudo conclui que fraca produtividade europeia resulta não só de menor inovação face economias como a americana, mas também de dificuldades de difusão e consequentemente de chegar à economia real.
O desafio da produtividade na Europa resulta quer do menor dinamismo da inovação, quer das barreiras que impedem que essa inovação seja comercializada, difundida e adotada em larga escala. A conclusão é do economista Bart Van Ark num artigo que servirá de mote ao debate da primeira sessão do Fórum do Banco Central Europeu (BCE) em Sintra, cujos trabalhos arrancam esta terça-feira e se estendem até quarta-feira.
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O artigo “Rewiring Europe’s productivity framework: aligning investment, innovation, and diffusion“, de Bart Van Ark, professor na Universidade de Manchester, – e que será debatido esta manhã num painel dedicado à importância de acelerar o crescimento na Europa e moderado por Boris Vujčić, vice-presidente do BCE – analisa o problema da produtividade na Europa através de uma abordagem que liga investimento, inovação e difusão tecnológica.
Partindo da premissa de que o “fraco” desempenho da produtividade europeia está no centro das atuais preocupações, mas continua a ser frequentemente apresentado como uma escolha entre reforçar a inovação na fronteira tecnológica e melhorar a difusão, o autor conclui que a visão de “ou uma coisa ou outra” é limitada para captar a verdadeira natureza do desafio.
Deste modo, ao longo do artigo, Bart Van Ark não só destaca o agravamento do diferencial de produtividade entre a Europa e os Estados Unidos, como defende que o principal desafio europeu “não reside apenas num menor dinamismo da inovação de fronteira, mas também nas barreiras que impedem que a inovação seja comercializada, disseminada e adotada em larga escala“.
Fragilidades que, alerta, estão ligadas a um problema de investimento, sobretudo em ativos intangíveis que sustentam simultaneamente a inovação e a capacidade de absorção das empresas, como a investigação e desenvolvimento (I&D), o desenvolvimento de software de inteligência artificial (IA) e fábricas partilhadas de IA, que suportam infraestruturas de computação de ponta para inteligência artificial.
“A Europa enfrenta simultaneamente um menor dinamismo na fronteira tecnológica e barreiras sistémicas que impedem que as inovações existentes se difundam amplamente por toda a economia”, pode ler-se na análise.
A Europa enfrenta simultaneamente um menor dinamismo na fronteira tecnológica e barreiras sistémicas que impedem que as inovações existentes se difundam amplamente por toda a economia.
Segundo o economista, essas barreiras incluem uma regulamentação fragmentada e, por vezes, restritiva dos mercados de bens, fraca concorrência e reduzido dinamismo empresarial, dificuldades de financiamento para empresas jovens e em crescimento, bem como desajustamentos entre competências e capacidades que limitam a capacidade das empresas para absorver novas tecnologias.
Neste sentido, considera que um crescimento sustentado da produtividade na Europa apenas é possível se simultaneamente existir um maior dinamismo na fronteira tecnológica e uma redução sistemática dos obstáculos à adoção generalizada das novas tecnologias.
“Exige também reconhecer que as consequências da fraca inovação e da limitada difusão tecnológica têm uma dimensão cada vez mais distributiva. Os diferenciais de produtividade agravaram-se não apenas entre a Europa e os Estados Unidos, mas também entre setores, empresas e regiões europeias, tornando ainda mais relevante conciliar ganhos de eficiência com uma maior inclusão“, advoga.
Assim, adverte que a principal necessidade, em termos de políticas públicas, passa por reconfigurar o modelo europeu de produtividade, de forma a ligar a inovação de fronteira, a comercialização, a disseminação de tecnologias e de práticas inovadoras e a capacidade de absorção necessária para transformar esses processos em ganhos de produtividade amplamente distribuídos pela economia.
“No contexto europeu, isto exige uma governação multinível capaz de alinhar investimento, inovação e difusão entre os níveis da União Europeia, nacional e regional, promovendo simultaneamente a produtividade na fronteira tecnológica e um crescimento mais inclusivo“, aponta.
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