Empresas europeias apelam a mais infraestruturas digitais para ampliar o uso da inteligência artificial

  • Servimedia
  • 24 Junho 2026

As empresas europeias precisam de mais infraestruturas digitais para ampliar o uso da inteligência artificial nos seus processos de produção.

A procura por IA em setores como indústria, energia, saúde, transportes, banca e administrações públicas está a aumentar a pressão sobre a capacidade europeia em centros de dados, cloud, conectividade avançada, computação de borda, cibersegurança e computação de alto desempenho.

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A Comissão Europeia colocou esta questão no centro do Plano de Ação do Continente de IA e da futura Lei de Desenvolvimento de Nuvem e IA, que procuram fortalecer o ecossistema europeu de cloud e IA, expandir o investimento e a infraestrutura e responder às necessidades das empresas e administrações públicas.

Bruxelas reconhece que, à medida que a procura por inteligência artificial aumenta, a Europa deve estar preparada para responder às crescentes necessidades de centros de dados, cloud e capacidade de computação. A Lei de Desenvolvimento de Cloud e IA visa acelerar a implementação de centros de dados sustentáveis, melhorar o acesso a recursos como energia, terra, água e finanças, e triplicar a capacidade dos centros de dados europeus nos próximos cinco a sete anos.

A Telefónica também associou publicamente a competitividade europeia em IA à necessidade de desenvolver as suas próprias capacidades tecnológicas. O presidente da empresa, Marc Murtra, argumentou a 3 de junho no Círculo de Economia que a Europa deve acelerar o desenvolvimento das suas próprias capacidades para reforçar a sua autonomia estratégica e competir num ambiente marcado por inteligência artificial, computação quântica e novos sistemas autónomos. Nesse discurso, afirmou que “construir a nossa própria tecnologia é o caminho para defender os valores europeus” e que a Europa deve desenvolver e controlar capacidades críticas em energia, infraestruturas digitais, semicondutores e IA.

A empresa levou essa ideia para o campo das infraestruturas. Em março, a Telefónica apresentou, juntamente com a Comissão Europeia e mais de 70 entidades, o projeto EURO-3C, definido como uma infraestrutura soberana pan-europeia que integra capacidades de Telco, Edge, Cloud e IA sob um modelo federado, aberto e seguro. Segundo a empresa, esta rede implementa mais de 70 nós Edge e Cloud em mais de 13 países europeus para oferecer serviços digitais avançados em setores como automóvel, transportes, energia ou segurança pública.

INFRAESTRUTURAS

O diagnóstico empresarial também aparece em estudos tecnológicos. A Nokia publicou em janeiro de 2026 que 84% das mais de 1.000 empresas inquiridas incluem IA na sua estratégia de crescimento, mas 75% consideram que a infraestrutura atual limita a sua capacidade de concretizar essas ambições.

Por seu lado, a Connect Europe argumentou recentemente que a infraestrutura de cloud e IA se tornarão cada vez mais relevantes para a competitividade e soberania tecnológica da Europa. Sublinhou ainda que a conectividade avançada é a “infraestrutura invisível” por detrás da ambição europeia e que o ecossistema europeu de cloud soberana não poderá prosperar sem redes robustas, avançadas e escaláveis.

Neste contexto, iniciativas europeias na cloud, centros de dados ou gigafábricas procuram expandir a capacidade disponível para empresas, startups, investigadores e administrações desenvolverem e implementarem aplicações de inteligência artificial na Europa.

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