Intermediários já valem mais de metade do crédito aos consumidores
Mais de metade do crédito para a aquisição de carro, viagens, eletrodomésticos ou educação já passa pelas mãos de um intermediário de créditos. Banco de Portugal dá conta de uma “mudança" no mercado.
Os intermediários continuam a reforçar o seu peso no mercado de crédito. Estes agentes já eram responsáveis por mais de metade da contratação de crédito à habitação. E agora também são eles que dominam no crédito aos consumidores, com o Banco de Portugal a dar conta de uma “mudança no modelo de distribuição”.
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Em 2025, e segundo os dados do Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito, divulgado esta segunda-feira pelo supervisor, 50,6% do crédito aos consumidores foi concedido através de intermediários de crédito – em 2024 tinha ficado nos 49,9%.
Ou seja, os intermediários de crédito passaram “a constituir o principal canal de comercialização” neste segmento, tal como já faziam no mercado do crédito da casa.
Para o Banco de Portugal, isto “sinaliza uma mudança no modelo de distribuição do crédito aos consumidores, sendo que o aumento do peso dos intermediários de crédito reflete o acréscimo da sua importância no crédito pessoal e no crédito renovável”.
No ano passado, foram concedidos por bancos e financeiras mais de 9,1 mil milhões de euros em empréstimos aos consumidores para a compra de automóvel, férias, eletrodomésticos, painéis solares, educação e outros fins. Foi um aumento de 10,8% em relação a 2024.
O relatório revela que existiam no final do ano passado mais de 6.200 intermediários de crédito autorizados junto do Banco de Portugal, que em função do crescimento desta atividade avançou para uma revisão do regime jurídico destes agentes no sentido de dar maior transparência ao setor.
Desde 2019 o número de intermediários aumentou mais de 30%. Praticamente 87% destes intermediários eram pessoas coletivas, enquanto apenas 13% em singulares. Grande parte deles tinha atividade no setor de venda e reparação automóvel, segundo um retrato feito pelo supervisor.
Num relatório publicado recentemente, o Banco de Portugal revelou que são os consumidores com menos estudos e rendimentos mais baixos que mais recorrem aos intermediários de crédito, onde o crédito pessoal sai 1,2 pontos percentuais mais caro do que no banco.
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