BRANDS' ECO Madeira tem “capacidade instalada para produzir 100% de energia renovável”
Como é que as infraestruturas energéticas podem impulsionar investimento e inovação? Este foi o mote do último painel de debate da 2ª conferência do ciclo "Rota da Descarbonização", no Funchal.
O impacto que a inovação das redes energéticas pode trazer aos diferentes setores da economia esteve na base do debate do último painel de oradores da segunda conferência do ciclo “Rota da Descarbonização”, promovida pela Sonorgas, que decorreu esta terça-feira no auditório do Museu da Electricidade – Casa da Luz, no Funchal.
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Temas como a produção de eletricidade a partir do gás no quadro das políticas de descarbonização, a mobilidade a gás e os seus resultados operacionais, bem como o impacto dos custos da energia na competitividade de setores como o turismo foram analisados por representantes dos setores do turismo, dos transportes e da energia.

“Sendo a Madeira uma região autónoma isolada, nós temos de contar com o gás, que é uma parcela importante das fontes de produção eletricidade. Aliás, durante este trimestre temos estado a produzir a todo o gás, literalmente, porque queremos manter os depósitos de fuel cheios. Todos os dias temos que jogar com esta disponibilidade, quer das fontes da energia fóssil, quer das fontes de energia renovável“, começou por dizer Francisco Taboada, presidente do Conselho de Administração da EEM – Empresa de Eletricidade da Madeira.
O presidente da EEM acrescentou ainda que já têm “capacidade instalada para produzir 100% de energia renovável”, mas esclareceu que isso só seria possível se os recursos hidroelétrico e eólico estivessem a 100% todos os dias. Como isto não acontece, até pela imprevisibilidade climática da região, o gás tem-se apresentado como a melhor solução: “O gás é uma solução muito importante para a Madeira. O grupo Sousa construiu aqui uma cadeia logística e de abastecimento que é única e que tem sido exemplo porque há entidades de vários países a quererem vir ver o gasoduto natural que nós usamos na central térmica“.

Esta solução tem sido igualmente aposta no setor dos transportes. Paulo Amaral, diretor de operações da STCP, partilhou o exemplo da STCP, que já tem 315 autocarros movidos a gás, e afirmou que “olhando para 2025, os custos dos quilómetros a gás, comparando com diesel, ficam 30% mais baixos. Temos de combinar o melhor dos dois mundos, por isso temos um mix energético na nossa frota – 5% é a diesel, 25% é de frota elétrica e 70% é de frota a gás natural“.
Quando questionado se esta opção também poderia ser adotada para os transportes públicos na Madeira, o responsável da STCP garantiu que sim e, para justificar a sua opinião, apresentou os dois sistemas de abastecimento a gás usados no continente: “Nós temos dois sistemas diferentes. Numa das estações recebemos o gás via gasoduto, já na outra temos um posto criogénico, para o qual o gás vem por cisterna, de Sines, e é colocado em quatro reservatórios. Depois passa por um sistema de alteração química por aquecimento, ganha volume, e vai para o set de garrafas de alta pressão Isto permite que uma viatura de estação possa abastecer noutra estação“.

Já no setor do turismo, o gás natural e de biometano têm sido a solução para “os processos que não são eletrificáveis a curto prazo”. De acordo com António Jardim Fernandes, vice-presidente do Conselho Fiscal da Confederação do Turismo de Portugal, é um “fator de competitividade um destino turístico ter competitividade energética”, já que “qualquer impacto no aumento dos custos energéticos, vai comprometer as margens das empresas”.
Nesse sentido, e à semelhança da STCP, o vice-presidente destacou a importância de ter um mix energético que, no caso da atividade hoteleira, vai variando consoante o peso do consumo de cada área: “Por exemplo, na lavandaria industrial temos energia fotovoltaica, mas para a parte de vapor temos biomassa e gás. No aquecimento das águas temos biomassa e vamos, juntamente com outros hotéis, para uma central fotovoltaica de autoconsumo coletivo, da qual podemos ter produção fotovoltaica para alimentar os hotéis”

“O desafio está em transformar a sustentabilidade em eficiência. Isto faz-se através da eficiência energética, usando energias renováveis. Mas depois também há outras dimensões, como a redução de consumo de água, de desperdício alimentar, e tentar criar cadeias mais curtas e de proximidade. O desafio é conciliar a sustentabilidade com a competitividade económica“, concluiu.
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