BRANDS' ECO Inovação e novas tecnologias na defesa

  • Conteúdo Patrocinado
  • 29 Maio 2026

A convergência entre as Forças Armadas e o ecossistema tecnológico tornou-se o pilar fundamental para responder à acelerada evolução geopolítica e assegurar a dissuasão militar na Europa.

A Sociedade de advogados PLMJ organizou na sua sede, em Lisboa, uma conferência dedicada ao tema “A nova economia da defesa”. O desenvolvimento tecnológico na área da defesa exige agilidade, uma característica intrínseca às empresas de base tecnológica que atuam no setor civil e militar.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

O primeiro painel da tarde foi subordinado ao tema “Organização da Inovação e Novas Tecnologias da Defesa”, com a abertura realizada por Pedro Siza Vieira, sócio da PLMJ. O ex-ministro da Economia afirmou que a esfera e a economia da defesa entraram na agenda europeia há 10 anos, mas de forma muito mais incisiva desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, e com um caráter de emergência desde a segunda eleição do Presidente Trump.

O responsável salientou ainda que, hoje, o objetivo geopolítico e geoestratégico da União Europeia (UE) passa por construir uma capacidade de dissuasão autónoma, suportada numa indústria de competências tecnológicas e militares próprias, de forma a enfrentar ameaças futuras no flanco europeu.

No debate moderado por Carla F. Machado, a sócia da PLMJ interpelou João Lima, engenheiro de prototipagem da Connect Robotics, sobre o papel da empresa no âmbito da defesa. O especialista destacou que o desenvolvimento tecnológico nessa área exige agilidade, característica intrínseca às empresas de base tecnológica, e que a tecnologia originalmente desenhada para o mercado logístico civil está a ser adaptada com sucesso para cenários de dupla utilização militar. Esta transição permite reaproveitar e robustecer sistemas comerciais para operar em ambientes táticos complexos, por exemplo, sob cenários de guerra eletrónica.

A tecnologia desenhada para o mercado logístico civil está a ser adaptada para cenários de dupla utilização militar

João Lima

Engenheiro de Prototipagem da Connect Robotics

Nesta mesma linha, Luís Miguel Campos, presidente da Beyond Vision, apontou no evento que as exigências do teatro de operações moderno – amplificadas pelas lições da guerra na Ucrânia – obrigam as empresas a repensar os seus ciclos de vida tecnológicos. Drones operados em ambiente de combate real sofrem taxas de desgaste inauditas, o que força a indústria a desenvolver baterias e componentes descartáveis de baixo custo, mas de elevada resiliência operacional.

A complementar esta perspetiva, Miguel Cordeiro, head of sales da Spotlite, partilhou como o setor da defesa levou a sua empresa a transpor capacidades civis de monitorização de infraestruturas via satélite para o contexto militar. Esta integração exigiu a reestruturação profunda de protocolos internos, com foco em cibersegurança e rapidez de resposta, cujos impactos colaterais beneficiam agora os próprios serviços civis da tecnológica. A atuar originalmente no mercado civil com o propósito de monitorizar de forma remota, através de imagens de satélite, grandes infraestruturas como pontes, estradas e redes elétricas, a empresa já detinha na sua génese um conceito de dupla utilização (dual-use), o que lhe permite operar na esfera militar.

Espaço, visão operacional e co-inovação

O domínio espacial assume uma posição fulcral na articulação entre as dimensões civil e militar. João Bentes de Jesus, head of institutional affairs da Geosat, apresentou os desafios de integração no programa VLEO-DEF (Very Low Earth Orbit Satellite Systems for Defence), da Agência Europeia de Defesa (EDA), financiado por cinco países (incluindo Portugal) para desenvolver o primeiro satélite militar europeu de órbita muito baixa (entre 250 e 350 quilómetros da Terra). O responsável releva a importância estratégica da soberania e do controlo dos dados dos satélites obtidos em órbita muito baixa para a segurança nacional, enfatizando que este domínio tecnológico de vanguarda garante às Forças Armadas uma autonomia crítica na tomada de decisões em tempo útil e em cenários operacionais complexos.

Do ponto de vista das Forças Armadas, Pedro Costa, chefe do Centro de Operações Especiais da Força Aérea, enfatizou que o conceito de duplo uso só é pleno quando integrado numa atividade operacional real. Isto porque o caminho para mitigar complexidades de aquisição reside no estreitamento das relações e num canal de comunicação contínuo entre os ramos militares e o tecido científico e produtivo nacional, na medida em que o domínio espacial assume uma posição fulcral nesta articulação.

A interoperabilidade e a desburocratização dos testes e compras públicas são urgências nacionais

Vítor Monteiro Correia

Senior Business Development Manager da Critical Software

Agilidade internacional vs. entropia burocrática

Hélder Alves, diretor de defesa e segurança do Indra Group, advertiu, por sua vez, que, embora o país possua elevado apetite de inovação, enfrenta complexidades regulatórias. A partir da sua experiência de liderança, sublinhou que o avanço tecnológico exige uma joint vision e um alinhamento com a vertente militar e defende que Portugal deve focar-se em nichos de especialização inteligente. Apontou a falta de uma diplomacia económica ativa, sustentando que o Ministério da Defesa e o Governo deveriam assumir um papel muito mais assertivo na promoção internacional para apresentar as competências e as empresas nacionais em bloco nos mercados externos.

Por seu lado, Vítor Monteiro Correia, senior business development manager da Critical Software, abordou os desafios da co-inovação associada à capacidade de dissuasão militar, enquanto avaliou o risco assumido ao nível da investigação, onde múltiplos projetos inovadores acabam por ser descartados face à velocidade do mercado.

O responsável expôs ainda as entropias da contratação pública, notando que a base reduzida de utilizadores finais afeta a fluidez da cadeia de fornecimento, indicando o Reino Unido como um exemplo na aceleração de ciclos de compras (procurement), tendo apelado à necessidade urgente de fundos e redes colaborativas que permitam aos players do mercado nacional concorrer em igualdade de circunstâncias na UE de forma a assegurar a competitividade internacional.

O debate concluiu que a promoção da interoperabilidade e a desburocratização dos testes e compras públicas são urgências nacionais para fixar o valor acrescentado da defesa em Portugal.

Assista ao painel no vídeo abaixo.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Inovação e novas tecnologias na defesa

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião