Sánchez afasta eleições antecipadas para “não lançar Espanha numa paralisia”

  • Lusa
  • 27 Maio 2026

Acossado por vários casos judiciais e pelas buscas na sede do PSOE, em Madrid, o primeiro-ministro espanhol recusa demitir-se e mantém apoio a Zapatero, acusado de tráfico de influências.

O primeiro-ministro espanhol afastou “de forma categórica” a hipótese de eleições antecipadas, reiterando a intenção de cumprir a legislatura e argumentando que, no atual contexto internacional, é necessária estabilidade e não lançar o país numa paralisia.

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Numa conferência de imprensa em Roma, onde se reuniu com o papa Leão XVI, Pedro Sánchez defendeu que a Constituição estabelece um mandato de quatro anos e que a sua intenção é completá-lo para concretizar as políticas do Governo e dar certezas aos cidadãos certezas.

Sánchez reconheceu que há “vários companheiros” nas fileiras socialistas que lhe pedem a antecipação das eleições legislativas, depois de figuras como o presidente de Castela-La Mancha, Emiliano García-Page, o terem feito.

A este propósito, o chefe do Governo ironizou, afirmando que se García-Page o defende, é porque “tem consciência” de que conseguiria “uma maioria parlamentar maior no Governo e no Congresso para poder governar de forma muito mais tranquila”. “Agradeço-lhe, mas não posso convocar eleições por interesse partidário”, acrescentou.

“Tenho de convocar eleições em função do interesse geral dos cidadãos” e isso passa atualmente “pela estabilidade e pela consolidação de políticas” que estão precisamente a permitir escapar às consequências sociais e económicas destas crises, argumentou.

Nestas circunstâncias é preciso “não lançar o país numa paralisia”, uma vez que, após as eleições, surgem processos de investidura que podem ser incertos.

Em Espanha “há experiências bastante evidentes”, acrescentou, numa referência aos governos de coligação entre o PP e o Vox em várias comunidades autónomas.

Sánchez mantêm apoio a Zapatero

O primeiro-ministro espanhol manteve o apoio ao seu antecessor José Luis Rodríguez Zapatero, acusado de tráfico de influências, após a divulgação, no início da semana, de novos pormenores sobre a investigação em curso.

“Penso que não há razão suficiente, não há motivo para alterar essa posição”, declarou Pedro Sánchez numa conferência de imprensa no Vaticano, após um encontro com o papa Leão XIV.

Sánchez afirmou que mantém a posição tornada pública na semana passada, no plenário do Congresso, depois de conhecida a acusação contra o antigo chefe do Governo.

Disse que leu o despacho do juiz, tomou conhecimento do processo através dos meios de comunicação social, falou com pessoas “que sabem muito mais de direito” do que ele e não vê motivos para alterar a sua posição.

Toda a colaboração com a justiça, todo o respeito pela presunção de inocência do presidente Zapatero e todo o meu apoio ao presidente Zapatero”, afirmou, recordando as palavras proferidas no hemiciclo do Congresso.

Questionado sobre se a leitura do processo não lhe suscitou dúvidas, insistiu que não vê elementos que “neste momento” o levem a mudar de posição.

Zapatero será ouvido pela justiça em 17 e 18 de junho, no caso em que está indiciado por tráfico e influências, indicaram terça-feira as autoridades judiciais.

O antigo primeiro-ministro espanhol foi notificado na semana passada para prestar declarações ao juiz que tem a instrução deste caso em 02 de junho, em Madrid, mas a defesa de Zapatero, também antigo líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), pediu mais tempo, invocando que só na segunda-feira teve acesso ao processo.

O juiz acedeu ao pedido e agendou a audição de Zapatero para 17 e 18 de junho, informou depois a Audiência Nacional de Espanha, a instância onde decorre a instrução.

A justiça espanhola revelou há uma semana que Zapatero, primeiro-ministro entre 2004 e 2011, está ser investigado “por delitos de tráfico de influências e outros conexos”. A Audiência Nacional de Espanha disse ainda que em causa está um processo judicial “aberto para investigar o resgate da companhia aérea Plus Ultra”, em 2021.

Segundo o sumário do processo judicial, Zapatero é suspeito de liderar “uma estrutura estável e hierarquizada de tráfico de influências” com o fim de obter “benefícios económicos” através de “influências em instâncias públicas em favor de terceiros, principalmente, a Plus Ultra”.

A investigação suspeita ainda da utilização de empresas e documentação simulada “para exercer influências ilícitas” e lavar dinheiro, nomeadamente, ocultar a origem e o destino de verbas, incluindo uma empresa de que são administradoras e sócias as filhas de Zapatero.

A justiça suspeita que Zapatero e as duas filhas receberam mais de dois milhões de euros de forma irregular.

José Luis Rodríguez Zapatero, de 65 anos, garantiu inocência e prometeu total colaboração com a justiça.

A empresa Plus Ultra, considerada de pequena dimensão, beneficiou em 2021 de um resgate financeiro de 53 milhões de euros, concedidos na modalidade de empréstimo pelo governo espanhol, liderado pelo socialista Pedro Sánchez, que na altura criou um fundo de dez mil milhões de euros para resgatar empresas consideradas estratégicas que estavam com dificuldades por causa da covid-19.

O Governo tem manifestado tranquilidade e “respeito pela justiça”, mas sem esquecer “o princípio fundamental da presunção de inocência”, na investigação a Zapatero e também em relação ao resgate da Plus Ultra.

Zapatero foi um dos grandes apoiantes de Sánchez nas últimas eleições espanholas, em julho de 2023, e chegou a ser classificado pela imprensa como o “grande ativo eleitoral” atual do PSOE.

A investigação judicial a Zapatero soma-se a outras que envolvem outras pessoas próximas ou que foram próximas de Sánchez, como um antigo ministro, ex-dirigentes do PSOE ou o irmão e a mulher do primeiro-ministro, acusados ou investigados por corrupção ou tráfico de influências.

 

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