CEO da OpenAI rejeita que IA vá provocar “apocalipse” no emprego

Sam Altman acredita que apesar do avanço da inteligência artificial, não haverá um “apocalipse laboral” e que o trabalho continuará a ter uma forte componente humana difícil de substituir.

O CEO da OpenAI afirmou esta terça-feira que o rápido desenvolvimento e adoção da inteligência artificial (IA) a nível global não deverão conduzir a um “apocalipse laboral” e que a tecnologia não eliminou tantos empregos qualificados quanto inicialmente receava.

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Numa conferência do Commonwealth Bank of Australia, em Sydney, Sam Altman admitiu, citado pela Reuters, que estava preocupado com o impacto da IA nos níveis globais de emprego quando o ChatGPT foi lançado, em novembro de 2022. No entanto, considerou que a OpenAI acertou nas previsões tecnológicas, mas falhou na avaliação das consequências sociais e económicas.

“Estou satisfeito por estar errado quanto a isso. Pensei que, por esta altura, já teria havido um impacto maior na eliminação de empregos administrativos de entrada do que aquele que realmente aconteceu”, afirmou Altman, numa entrevista ao CEO do banco australiano, Matt Comyn.

O responsável da empresa norte-americana acrescentou que compreende agora melhor porque é que esse cenário não se materializou tão rapidamente e reconheceu que os alertas iniciais sobre os riscos da IA poderão ter contribuído para algum alarmismo. Ainda assim, sublinhou que continua a considerar essa possibilidade um risco real no futuro.

Sam Altman defendeu que, apesar de a IA estar a assumir um papel cada vez mais relevante em várias profissões e setores, continua a existir uma componente “humana” do trabalho que dificilmente poderá ser substituída. Nesse sentido, referiu que experiências pessoais o levaram a essa conclusão, como o uso de IA para responder a mensagens e emails, algo que acabou por abandonar por valorizar mais as interações diretas. “Tinha a IA a responder às mensagens, que dizia ‘esta é a IA do Sam’, e isso mostrou-me de forma clara que as pessoas valorizam mesmo as interações humanas”, afirmou.

Papa Leão XIV alerta para regulação da IA

O Papa Leão XIV apelou esta segunda-feira a uma regulação rigorosa da inteligência artificial e defendeu que as empresas tecnológicas devem colocar o bem comum acima do lucro. Na sua primeira encíclica, intitulada “Magnifica Humanitas”, o Sumo Pontífice sublinha a necessidade de abrandar a corrida global à IA, defendendo mais tempo para reflexão sobre o impacto desta tecnologia na sociedade.

O documento alerta ainda para os riscos associados ao uso da IA em contextos militares, em particular em sistemas de guerra à distância, criticando o que descreve como uma “cultura do poder” no desenvolvimento destas tecnologias. Segundo o Papa, não deve ser permitido delegar decisões letais e irreversíveis a sistemas de inteligência artificial.

Por outro lado, a Bloomberg noticia ainda esta terça-feira, citando fontes próximas do processo, que a China está a impor restrições às viagens internacionais de especialistas de topo envolvidos em projetos de inteligência artificial avançada considerados estratégicos, incluindo profissionais ligados a empresas como a Alibaba Group Holding e a DeepSeek.

Segundo a agência de notícias, estes quadros passam a necessitar de autorização prévia das autoridades chinesas para poderem sair do país em deslocações ao estrangeiro.

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