BRANDS' ECONTAS Compliance Talks: IA na função fiscal e financeira

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  • 26 Maio 2026

Da automatização à tomada de decisão, a Inteligência Artificial está a ganhar espaço nas áreas fiscal e financeira. No sexto episódio das Compliance Talks, especialistas debatem os impactos no setor.

A Inteligência Artificial está a mudar a forma como as empresas gerem as áreas fiscal e financeira, desde a automatização de tarefas repetitivas até ao apoio na análise de dados e na tomada de decisão. Mas quais são os principais desafios que esta evolução coloca às organizações? E como garantir que esta inovação tecnológica acompanha as exigências de conformidade e segurança?

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No sexto episódio das Compliance Talks, Ana Roldão, Associate Partner e responsável pelo grupo de Inovação e Tecnologia Fiscal da KPMG Portugal, e Mafalda Vasconcelos, Diretora Executiva na Área de Contabilidade e Fiscal na EDP, respondem a estas e outras questões, e esclarecem como criar um equilíbrio entre eficiência, controlo e confiança ao ter a IA como aliada dentro das organizações.

“O tema dos dados é fundamental para termos um trabalho bem processado e toda a mecânica da função financeira e fiscal a funcionar. Estas funções exigem um enorme rigor e o compliance com a lei, portanto têm muito conhecimento técnico, mas também se baseiam em muitos dados. E a qualidade dos dados é crítica para termos um processamento correto do que é uma demonstração financeira“, começou por dizer Mafalda Vasconcelos, que ainda explicou de que forma a automação ajuda na contabilidade do grupo.

No caso da EDP, que trabalha em mais de 20 países, a sua estrutura jurídica comporta mais de 1600 empresas: “Para dar uma ideia, nós fazemos mais de 30 mil declarações fiscais de várias naturezas, à volta do mundo, em diferentes jurisdições. Ao mesmo tempo, toda a contabilidade que temos insourcing faz mais de 150 milhões de lançamentos contabilísticos para formar as contas do que é um grupo EDP. Estes números permitem dar uma ideia das transações e do volume. Portanto, sem máquinas, sem robôs e sem automação, não era possível fazer este tipo de processamento, sobretudo quando pensamos em compliance de tempo”.

A necessidade de automatizar processos também foi sentida pela KPMG, que acabou por desenvolver a sua própria ferramenta de Inteligência Artificial. “Nós temos uma ferramenta, que é o GenAI no Digital Gateway, que é a nossa plataforma por excelência de colaboração com os nossos clientes. Todas as KPMG associaram-se para desenvolver a nossa própria ferramenta. Para isso, adquirimos os modelos de OpenAI e incorporamos os mesmos na nossa tool, o que deu uma segurança adicional aos dados“, explicou Ana Roldão.

Esta decisão de ensinar a IA a resolver os processos fiscais partiu da dificuldade sentida, logo no começo, quando a KPMG adquiriu modelos de OpenAI e não recebeu as respostas que pretendia: “Os modelos de IA estavam a ir à internet obter a informação e aprender. Mas sabemos que na internet existe muita coisa boa, mas também existe muita coisa que não é correta. Então pensamos em focar-nos numa solução, que passou por ensinar os modelos a pensar o ´fiscalês´. Demos-lhe todo um conjunto de dados – de faturas, de relatórios e contas, de códigos, de acórdãos, etc – e ensinamos o modelo. Com isso, levamos o modelo à nossa universidade – a universidade KPMG – e isso foi fantástico porque, a partir desse momento, ele consegue atuar e pensar como nós“.

“Nós, na EDP, utilizamos um ERP de mercado e temos outros sistemas que permitem fazer uma consolidação. Temos robôs que trabalham 24/7 a fazer processamento de lançamentos e utilizamos ferramentas disponíveis no mercado que nos permitem fazer lançamentos em massa. Assim, na prática, o nosso talento na EDP está muito mais reservado a atividades de controlo de processos, de análise, de tomada de decisão. Reservamos toda esta automação e IA como o apoio de um colaborador EDP e não tanto como uma parcela que toma decisão ou que pode disromper o processo”, disse, por sua vez, Mafalda Vasconcelos.

Para Ana Roldão, a aposta da EDP em ERP faz todo o sentido, uma vez que “depois vai usar Inteligência Artificial para acelerar outros processos”. A responsável da KPMG Portugal acrescentou, ainda, que “existem várias ferramentas que se podem utilizar” e, por essa razão, a formação é muito “importante para as pessoas perceberem o que é a IA faz e o que não faz”: “Na KPMG, primeiro demos formação aos nossos superusers e depois generalizamos para todo o Tax. Hoje em dia, temos 400 profissionais com formação”.

Personas são agentes guiados. Um agente é, na literatura do IA, alguém que faz o seu próprio plano, executa esse plano, e depois dá-nos o resultado. Nós não queremos tanto isso. Queremos algo mais controlado e daí termos as personas que, com base nas nossas instruções, fazem efetivamente aquilo que nós dizemos“, acrescentou.

A mesma ideia é seguida pela EDP que, de acordo com Mafalda Vasconcelos, já tem “bastantes casos de uso na componente de automação”: “Quando falo na componente de automação, refiro-me à automação controlada dentro do que é um job script específico. Ou seja, há um robô que tem de fazer uma atividade e fá-la da forma como nós lhe ensinamos. Esta é uma função que funciona muito bem, sobretudo para dar resposta a um tipo de atividade que tem muita transacionalidade, que é o que a área da contabilidade e a área fiscal têm”.

Ainda assim, Ana Roldão considera “fundamental” o “ser humano estar envolvido no processo” e haver modelos de governo que ajudem. “Nós podemos ter a melhor ferramenta e dar a melhor formação aos nossos profissionais, mas se não tivermos as coisas organizadas, não vai funcionar bem. Portanto, um modelo de governo é fundamental e tem de prever claramente que dados estamos a trabalhar e criar este data lake organizado. Tem de prever formação contínua porque quanto melhor conhecemos a ferramenta, melhor vão ser os resultados e, obviamente, também tem de incluir uma métrica de avaliação do próprio programa de implementação. O que é que isto quer dizer? Que nós temos estes RPA a trabalhar 24/7, assim como a IA, mas também temos que os avaliar para saber se efetivamente estão a fazer a sua função“, concluiu.

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