Minoritários ‘chumbam’ OPA da Visabeira sobre a Martifer e dizem que ação vale 3 euros
Associação de minoritários e Maxyield desaconselham a venda na OPA da Visabeira à Martifer. Falam em preço injusto, que não reflete valor da empresa e é lesiva dos interesses dos investidores.
Os pequenos investidores estão contra o preço oferecido pela Visabeira na Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a Martifer. A Associação Portuguesa de Acionistas Minoritários (APAM) considera mesmo que a ação vale cerca de 3 euros, mais 45% do que a contrapartida oferecida. Já Maxyield lembra que o investidor que precisar de liquidez ganha mais em vender na bolsa do que na OPA.
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A Visabeira está a oferecer 2,057 euros por ação, que a APAM “considera não refletir adequadamente o valor económico da empresa nem proteger de forma suficiente os acionistas minoritários”, assume a associação em comunicado. A Maxyield faz uma avaliação igual: “O preço oferecido é injusto e sem justificação, não refletindo o justo valor da empresa e do seu potencial“. Os títulos estão a cotar esta segunda-feira nos 2,30 euros.
A OPA decorre até ao dia 3 de junho, abrangendo mais de 14,4 milhões de ações da Martifer, correspondendo a 14,41% do capital da empresa. Mas basta à Visabeira adquirir pouco mais de 4,4 milhões de ações para ultrapassar o limiar de 90% do capital da Martifer para avançar com uma aquisição potestativa e retirar a empresa da bolsa.
É este cenário que preocupa a APAM, que salienta que a empresa se encontra hoje numa situação muito mais favorável, “com melhoria significativa da estrutura de balanço e atividade relevante em áreas estratégicas, incluindo indústria naval, defesa, energias renováveis e oil & gas“.
E tendo em conta os múltiplos setoriais europeus, o “patamar mínimo a considerar numa proposta verdadeiramente equitativa” situa-se perto dos 3 euros por ação, estima a associação que apela à Visabeira para que apresente uma proposta com um prémio substancial face ao preço atual, compatível com o valor económico da Martifer e com uma relação equilibrada entre acionistas de controlo e acionistas minoritários”.
A Maxyield diz não opor-se à OPA, mas salienta que o baixo valor oferecido é “lesivo dos interesses dos pequenos acionistas e prejudicial à confiança no mercado de capitais português”. E duvida que a operação venha a ter sucesso pois “os investidores que necessitem de liquidez, poderão alienar em bolsa as suas ações a preços superiores ao valor da OPA”.
A APAM considera que este não é apenas um “caso Martifer”, mas antes mais um episódio que “deve levar o mercado, regulador e legislador a refletirem sobre a proteção efetiva dos acionistas minoritários em processos de concentração acionista e saída de bolsa”.
“Quando uma empresa pode ser retirada do mercado a um preço inferior à cotação e sem avaliação independente, a confiança dos investidores fica inevitavelmente fragilizada”, afirma, propondo à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Governo e partidos um conjunto de alterações regulatórias em casos de OPA ou exclusão de bolsa com forte impacto nos minoritários.
Entre as medidas, recomenda obrigatoriedade de uma avaliação independente, o reforço do conceito de preço equitativo e ainda a criação de um quadro europeu de proteção dos pequenos investidores.
(notícia atualizada às 15h31)
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