Confiança dos consumidores em mínimos de dezembro de 2023 com ataque ao Irão
Após as tempestades terem influenciado as respostas dos consumidores em fevereiro, os inquéritos do INE referentes a março revelam que a guerra no Médio Oriente agravou o clima económico.
Depois de já ter caído em fevereiro, a confiança dos consumidores voltou a registar em março uma “redução significativa”, atingindo o valor mais baixo desde dezembro de 2023, segundo mostram os inquéritos de conjuntura divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O clima económico, que tinha tido uma ligeira melhoria no mês anterior, recuou agora para valores próximos aos de há um ano.
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Os dados do serviço estatístico, recolhidos entre 2 e 17 de março, indicam que o indicador de confiança entre 1.236 consumidores inquiridos recuou em março pelo segundo mês consecutivo, após as subidas observadas em dezembro e janeiro.

Se a quebra da confiança dos consumidores em fevereiro foi marcada pelos estragos causados pelo “comboio de tempestades” que assolou o país entre o fim de janeiro e meados do mês passado, com particular impacto na região Centro, as respostas aos inquéritos referentes a março evidenciam já os constrangimentos decorrentes da guerra dos EUA e de Israel contra o Irão, que teve início ainda no final de fevereiro.
De acordo com o INE, esta diminuição reflete, sobretudo, os “expressivos contributos negativos das perspetivas sobre a evolução futura da situação económica do país e da situação financeira do agregado familiar“. Também as opiniões sobre a evolução passada da situação financeira do agregado familiar e as expectativas sobre a evolução futura da realização de compras importantes por parte das famílias pesaram no agravamento do indicador, ainda que de forma ligeira no último caso.
Ao mesmo tempo, o saldo das perspetivas dos consumidores sobre a evolução futura da situação económica do país diminuiu nos últimos dois meses, de “forma significativa em março, atingindo o valor mínimo desde janeiro de 2023”, indicam ainda os inquéritos de conjuntura.
Quanto à inflação, o INE revela que a preocupação dos consumidores piorou pelo terceiro mês consecutivo, registando em março o segundo maior aumento da série do INE e o valor mais elevado desde março de 2022.
Comércio e construção penalizam clima empresarial
Já entre as empresas, depois dos sinais moderados de recuperação observados em fevereiro, o clima económico registou este mês uma diminuição para um valor próximo do observado há um ano, devido, sobretudo, à queda da confiança nos setores do comércio e da construção e obras públicas.

O indicador de confiança no comércio está em queda há quatro meses, refletindo em março “os contributos negativos das perspetivas sobre a atividade nos próximos três meses e das opiniões sobre o volume de vendas”. No caso da construção e obras públicas, a diminuição registada em março decorre do contributo negativo das perspetivas de emprego.
Mas os setores da indústria transformadora e dos serviços não acompanharam esta evolução. O primeiro, que já em fevereiro tinha aumentado, subiu “ligeiramente” em março, refletindo o contributo positivo das apreciações relativas aos stocks de produtos acabados e das opiniões sobre a evolução da procura global.
Por seu lado, o indicador de confiança dos serviços aumentou entre fevereiro e março, verificando-se contributos positivos nas apreciações sobre a atividade da empresa e sobre a carteira de encomendas, referem os inquéritos do INE, que no caso das empresas decorreram entre os dias 1 e 24 de março.
O saldo de respostas das expectativas dos empresários sobre a evolução futura dos preços de venda aumentou nos quatro setores, de forma expressiva na indústria transformadora, para o “valor mais elevado desde outubro de 2022”.
Sentimento económico cai na Zona Euro em março afastando-se da média de longo prazo
A confiança na economia caiu tanto na União Europeia (UE) como na Zona Euro em março. O Indicador de Sentimento Económico, publicado esta segunda-feira pela Comissão Europeia, revela uma queda de 1,5 pontos, para 96,7, na média dos 27 Estados-membros do bloco comunitário, e de 1,6 pontos, para 96,6, nos países da área da moeda única.
O Indicador de Expectativas de Emprego (EEI, na sigla em inglês) também recuou em ambos (UE: -1,3 pontos, para 97,3; Zona Euro: -1,4 pontos, para 96,4). “Somando-se à queda de fevereiro, a acentuada deterioração do sentimento económico em março afastou ambos os indicadores da sua média de longo prazo de 100”, salienta o relatório.
Na semana passada, a estimativa preliminar do indicador de confiança do consumidor já tinha apontado para um recuo de 3,4 pontos percentuais em comparação com fevereiro na União Europeia e de quatro pontos percentuais na Zona Euro.
Com -15,2 pontos (UE) e -16,3 pontos (Zona Euro), a confiança dos consumidores situa-se “consideravelmente abaixo da sua média de longo prazo, atingindo o nível mais baixo desde outubro de 2023”.
(Notícia atualizada pela última vez às 10h55)
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