“O importante é não sermos alérgicos a reformas estruturais”, defende o governador do Banco de Portugal
Álvaro Santos Pereira diz que Portugal é demasiado burocrático e promete que o Banco de Portugal vai dar o exemplo na simplificação do setor financeiro sem renunciar a “supervisão exigente e atenta".
- Álvaro Santos Pereira alertou para a necessidade de reformas estruturais em Portugal para garantir um futuro mais próspero e competitivo.
- O governador do Banco de Portugal reconheceu que o país está em melhor situação financeira do que no passado, mas enfatizou que isso não é suficiente para um crescimento sustentável e produtivo.
- Destacou ainda a importância de Protugal adotar novas tecnologias e simplificar processos burocráticos, comprometendo-se a liderar pelo exemplo na área financeira para aumentar a competitividade.
Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal, defendeu esta quarta-feira, no decorrer da apresentação do Boletim Económico de março, que Portugal não pode ficar satisfeito com o crescimento atual e tem de manter uma agenda ambiciosa de reformas estruturais se quiser garantir um futuro mais próspero.
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A mensagem foi dirigida tanto ao setor público como ao privado, deixando claro que “o importante é não sermos alérgicos a reformas estruturais”.
“Os países que consistentemente conseguem crescer mais são países que nunca estão satisfeitos ao nível de reformas”, defendeu o economista, detalhando ainda que estes países estão sempre a tentar identificar o que podem fazer para melhorar. “É isso que devemos fazer”, referiu Álvaro Santos Pereira, notando ainda que “se queremos ter um país com mais futuro, temos de continuar a tentar promover reformas estruturais neste país para conseguirmos crescer mais rapidamente e tornarmos o nosso clima de negócios mais atrativo”.
Temos de conseguir avançar mais cedo ou mais tarde com reformas que possam proteger o trabalhador, mas não necessariamente o posto de trabalho, aumentando a flexibilidade e segurança e melhorando a competitividade da economia portuguesa.
O líder do banco central reconheceu que o país está numa posição mais sólida do que no passado, mas sublinhou que isso não chega e não é razão para contentamento.
“Estamos numa situação muito melhor do que estávamos há uns anos, quer o setor financeiro quer as famílias quer o Estado, como também as empresas estão numa situação muito melhor do que estavam há uns anos, e, portanto, crescer é bom, mas, para crescermos mais, precisamos ter mais produtividade”, salientou o governador do Banco de Portugal.
Para dar esse salto qualitativo e quantitativo na produtividade, Álvaro Santos Pereira defende a importância de “não só adotar novas tecnologias, como a inteligência artificial e outras tecnologias de uma forma acelerada, como também temos de fomentar políticas para fomentar a produtividade e isso passa por reformas estruturais“.
Para o governador do Banco de Portugal, a adoção acelerada de novas tecnologias é indissociável desta agenda reformista. Na lista de prioridades, o economista identificou áreas concretas onde as reformas são inadiáveis. “Reformas, quer seja da Justiça, da Administração Pública, são importantes, mas também reformas regulatórias”, disse.
Queremos dar o exemplo [na área financeira], como queremos dar noutras áreas – o país tem de ir na direção certa, e a direção certa é cortar procedimentos, cortar a burocracia, simplificar. Precisamos ser mais competitivos nessa área.
Nesse capítulo, o governador foi além do discurso e comprometeu a própria instituição que lidera. “Somos um país muito burocrático ainda”, reconheceu. Álvaro Santos Pereira anunciou que o Banco de Portugal vai liderar pelo exemplo: “Na área financeira, vamos fazer o mais possível para simplificarmos sem diminuir riscos e sem pôr em causa uma supervisão exigente e atenta”.
O objetivo, sublinhou, é liderar pelo exemplo: “Queremos dar o exemplo [na área financeira], como queremos dar noutras áreas. O país tem de ir na direção certa, e a direção certa é cortar procedimentos, cortar a burocracia, simplificar. Precisamos ser mais competitivos nessa área”.
No mercado de trabalho, defendeu um modelo mais próximo dos melhores exemplos europeus. “Para termos uma sociedade de acordo com alguns dos melhores modelos que temos a nível europeu, de flexibilidade e segurança, temos de conseguir avançar mais cedo ou mais tarde com reformas que possam proteger o trabalhador, mas não necessariamente o posto de trabalho, aumentando a flexibilidade e segurança e melhorando a competitividade da economia portuguesa”.
Para Álvaro Santos Pereira, a “principal lição” e “o mais importante” é que o país não seja “alérgico a reformas estruturais”, num aviso dirigido a um país historicamente reticente a mudanças de fundo.
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