Contas bancárias ‘low cost’ crescem 8% para novo recorde

O número de contas de custos mínimos superou as 265 mil em 2025, com quase dois terços das novas contas a resultarem da conversão de contas ja existentes, mas com comissões muito mais elevadas.

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  • A conta de serviços mínimos bancários (SMB), com um custo anual de pouco mais de 5 euros, continua a ganhar popularidade, atingindo 265.627 contas no final de 2025.
  • O Banco de Portugal revela que 65,9% das mais de 28 mil novas contas de SMB constituídas em 2025 resultaram da conversão de contas tradicionais.
  • Foram encerradas 8.955 contas de SMB no ano passado, mais 37,9% face a 2024, sendo que 74,8% das contas encerradas foram a pedido do cliente.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Há em Portugal uma conta bancária que custa pouco mais de cinco euros por ano e que garante acesso a cartão de débito, homebanking e até ao MB Way. Não é nova, existe desde 2012, e não pára de ganhar adeptos.

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No final do ano passado existiam 265.627 contas de serviços mínimos bancários (SMB), um crescimento de 8% face ao ano anterior, segundo dados do Banco de Portugal divulgados esta segunda-feira, mostrando que, num país onde a pressão sobre os orçamentos familiares não dá tréguas, cada vez mais famílias procuram na banca uma solução de custo muito reduzido para gerir o dia-a-dia financeiro.

Por trás deste crescimento está um fenómeno que os dados do supervisor bancário ajudam a explicar com clareza: das 28.535 contas de SMB criadas ao longo de 2025, a esmagadora maioria – 18.818, o equivalente a 65,9% – resultaram “da conversão de uma conta de depósitos à ordem já existente na instituição”.

A fatia de pessoas que chegam pela primeira vez ao sistema bancário através das contas de SMB vai encolhendo, enquanto cresce o peso de quem já estava no banco e decidiu mudar de modalidade.

Apenas 9.717 corresponderam à abertura de novas contas no sistema bancário, destaca o supervisor bancário liderado por Álvaro Santos Pereira. Significa que dois em cada três novos titulares de contas de serviços mínimos já eram clientes do banco onde ficaram domiciliados, tendo optado por transformar a sua conta tradicional numa modalidade muito mais barata.

A tendência de conversão não é nova, mas tem vindo a intensificar-se de forma consistente. “A proporção de contas de SMB constituídas que resulta da abertura de novas contas foi de 40,8% em 2023, 35,7% em 2024 e 34,1% em 2025”, sublinha o Banco de Portugal na sua apresentação.

Ou seja, ano após ano, a fatia de pessoas que chegam pela primeira vez ao sistema bancário através das contas de SMB vai encolhendo, enquanto cresce o peso de quem já estava no banco e decidiu mudar de modalidade, num sinal de que a conta de serviços mínimos está a ser cada vez mais encarada como uma alternativa de poupança para quem já tem conta.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

Os encerramentos também merecem atenção. Em 2025, “foram encerradas 8.955 contas de SMB, das quais 6.702 (74,8%) a pedido do cliente”. Trata-se de um aumento de 37,9% face às 6.593 contas de SMB encerradas em 2024 e um aumento de 18,5% quando são consideradas apenas o fecho das contas a pedido das famílias.

As instituições encerraram 2.253 contas por sua própria iniciativa, “principalmente pela inexistência de movimentos na conta há pelo menos 24 meses”. Uma parte significativa destas contas inativas representa, portanto, um paradoxo: produtos criados para garantir inclusão financeira que acabam por não ser utilizados.

O perfil de quem está a criar estas contas também está em mutação. Em 2025, “as pessoas com idade igual ou superior a 65 anos constituíram 40,4% das contas de SMB”, face a 38,1% em 2024 – a maior fatia etária -, enquanto a proporção de jovens com menos de 25 anos continua residual, com apenas 2,9% do total.

No final do ano passado, duas instituições concentravam 55% de todas as contas de SMB e “82,5% estavam domiciliadas em cinco instituições.

O Banco de Portugal nota ainda que “51,3% das contas de SMB foram constituídas por clientes do género feminino” (50,6% em 2024), e quase um quarto dos titulares, cera de 24,6%, tinha também depósitos a prazo na mesma instituição, revelando que a conta de mínimos não é, necessariamente, sinónimo de cliente sem outros produtos bancários.

Em termos de concentração, o mercado continua bastante polarizado. No final de 2025, duas instituições concentravam 55% de todas as contas de SMB, e “82,5% estavam domiciliadas em cinco instituições”.

O supervisor nota, porém, que “o número de contas de SMB aumentou em quase todas as instituições, continuando a observar-se a redução na concentração das contas face ao final de 2024”, sugerindo uma lenta, mas progressiva, dispersão pelo sistema.

A conta de serviços mínimos bancários foi criada para garantir acesso universal à banca, permitindo ao titular “aceder a serviços bancários essenciais a custo reduzido” – 5,37 euros por ano em 2026, equivalente a 1% do Indexante de Apoios Sociais.

Inclui cartão de débito, homebanking, levantamentos ao balcão, débitos diretos e “cinco transferências, por mês, com o limite de 30 euros por operação, através de aplicações de pagamento operadas por terceiros, como é o caso do MBWay”. Pode ser aberta por qualquer pessoa que não tenha outra conta à ordem, ou convertida a partir de uma conta já existente, que é, como mostram os dados de 2025, precisamente o que a maioria dos novos titulares continua a fazer.

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