BCE revê em alta inflação (especialmente para 2026) e corta crescimento devido à guerra

O Banco Central Europeu está mais pessimista devido à guerra no Médio Oriente, alertando para riscos em alta para a inflação e em baixa para o crescimento económico na Zona Euro.

O Banco Central Europeu (BCE) cortou esta quinta-feira o crescimento económico esperado para este ano e o próximo e reviu em alta as projeções para a inflação, sobretudo para 2026, devido ao impacto da guerra no Médio Oriente. Perante a subida esperada dos preços das matérias-primas, a instituição liderada por Christine Larga alerta que o impacto a médio prazo vai depender da duração e intensidade do conflito.

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Frankfurt espera assim agora um crescimento económico, em média, de 0,9% em 2026, 1,3% em 2027 e 1,4% em 2028, e uma taxa de inflação de 2,6% em 2026, 2% em 2027 e 2,1% em 2028.

As novas projeções elaboradas por especialistas do BCE e divulgadas no âmbito da reunião do Conselho de Governadores, na qual foi decidida manter as taxas de juro inalteradas, incorporam excecionalmente informação até 11 de março, uma data de fecho da informação mais tardia do que o habitual, de modo a incluir o impacto da guerra no Irão.

No que toca à inflação, as novas projeções significam uma revisão em alta face a dezembro, especialmente para 2026, uma vez que o BCE espera que os preços dos produtos energéticos serão mais elevados devido à guerra no Médio Oriente. No final de 2025, a instituição apontava para uma taxa de inflação de 2,1% em 2025, 1,9% em 2026, 1,8% em 2027 e 2,0% em 2028.

Quando descontados os preços dos produtos energéticos e dos produtos alimentares, os especialistas do BCE projetam uma inflação de 2,3% em 2026, 2,2% em 2027 e 2,1% em 2028. “Esta trajetória também é mais alta do que a indicada nas projeções de dezembro, principalmente em virtude da transmissão dos preços mais elevados dos produtos energéticos à inflação excluindo preços dos produtos energéticos e dos produtos alimentares”, explica a instituição no comunicado divulgado após a reunião.

“O aumento dos preços da energia causado pela guerra vai elevar a inflação acima de 2% no curto prazo. Se persistir, o aumento dos preços da energia poderá levar a um maior aumento da inflação através de efeitos indiretos e de segunda ordem, uma situação que exige monitorização constante“, alertou Lagarde em conferência de imprensa.

A guerra no Médio Oriente tornou as perspetivas consideravelmente mais incertas, criando riscos em alta para a inflação e riscos em baixa para o crescimento económico. Terá um impacto significativo na inflação a curto prazo através de preços mais elevados dos produtos energéticos.

Banco Central Europeu

O impacto da guerra tornou o BCE igualmente mais pessimista face ao crescimento económico, esperando agora uma taxa de 0,9% em 2026 e 1,3% em 2027, menos 0,6 pontos percentuais e menos 0,1 pontos, respetivamente, do que projetava em dezembro.

O corte nas perspetivas, sobretudo para este ano, refletem “os efeitos da guerra nos mercados de matérias-primas, nos rendimentos reais e na confiança a nível mundial”, salienta a instituição. Ainda assim, assinala, “o desemprego baixo, a solidez dos balanços do setor privado e a despesa pública em defesa e infraestruturas deverão continuar a sustentar o crescimento”.

“A guerra no Médio Oriente tornou as perspetivas consideravelmente mais incertas, criando riscos em alta para a inflação e riscos em baixa para o crescimento económico. Terá um impacto significativo na inflação a curto prazo através de preços mais elevados dos produtos energéticos“, advertiu Lagarde.

Neste sentido, avisou que “as suas implicações a médio prazo dependerão quer da intensidade quer da duração do conflito e da forma como os preços dos produtos energéticos afetarão os preços no consumidor e a economia“.

No cenário base, o BCE assume que o preço do barril de petróleo sobe para 81,3 dólares em 2026 e 72,1 dólares em 2027, quando em dezembro assumia um custo de 30,1 dólares e 15,2 dólares, respetivamente. Já para o gás natural incorpora o pressuposto de 46,4 euros por MWh este ano e 36,6 euros em 2027, quando em dezembro assumia 56,6 euros/MWh e 33,1 euros/MWh, respetivamente.

Além do cenário base, a instituição também preparou projeções para cenários alternativos, consoante a duração da guerra no Médio Oriente, cuja divulgação será feita durante a tarde desta quinta-feira. “O impacto será ainda mais acentuado em cenários alternativos com um choque energético mais severo e prolongado”, referiu a presidente do BCE.

(Notícia atualizada às 15h42 com mais informação)

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