Otimizar liquidez é o maior desafio de tesouraria corporativa para os CFO
Diretos e administradores financeiros sentem necessidade de ter maior visibilidade e previsão de liquidez baseadas em dados, segundo uma análise da empresa de pagamentos Adyen e da BCG.
A transparência e a otimização da liquidez da empresa é o principal desafio da tesouraria corporativa para cerca de metade (48%) dos administradores financeiros europeus e norte-americanos. Esta é uma das conclusões de um novo relatório elaborado pela empresa de pagamentos Adyen e pela consultora Boston Consulting Group (BCG) que faz a radiografia à visão dos CFO – Chief Financial Officers.
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O problema indicado pelos CFO é particularmente notório ao nível das grandes empresas. Uma em cada quatro empresas têm dificuldades em otimizar a liquidez e o capital circulante, portanto os CFO sentem necessidade de ter maior visibilidade e previsão de liquidez baseadas em dados, segundo o “Relatório de Tesouraria”. Em 2028, este era um desafio apontado por apenas 39% dos inquiridos.
Entre as preocupações surgem, lado a lado, as ciberameaças e de seguida os riscos económicos (33%) e a exposição cambial (29%), de acordo com o estudo realizado através de entrevistas a cerca de 300 diretores financeiros, tesoureiros corporativos, gestores de finanças e pagamentos na União Europeia, Reino Unido e Estados Unidos.
O número crescente de relações bancárias e de pagamentos que uma empresa é obrigada a gerir está a prejudicar diretamente a visibilidade do caixa, a criar encargos desnecessários para as equipas financeiras e, em última instância, a reduzir os retornos do capital circulante. “A consolidação das integrações bancárias pode reduzir custos de tesouraria, libertar capital e recursos e permitir uma monetização mais eficaz ao longo do tempo”, lê-se no documento.
“Existe uma oportunidade para diretores financeiros e tesoureiros integrarem as entradas e saídas de caixa numa visão unificada. Isso irá otimizar a liquidez, acelerar a tomada de decisões e garantir um melhor desempenho financeiro”, sugeriu Adrian Davis, responsável comercial de Serviços Financeiros da Adyen.

Os serviços de gestão financeira incluem: visualização de contas, centralização de caixa, gestão de liquidez de curto prazo, utilização de linhas de crédito/cheque especial, previsão de fluxo de caixa, avaliação do capital circulante em tempo real, contabilidade e conciliação de caixa, compensação, gestão de recebíveis e conversão de moeda.
Quais as complexidades sistémicas que os departamentos de tesouraria enfrentam?
- Fragmentação causada por demasiados parceiros – A empresa média gere cinco a seis relações bancárias e mais de 40 contas bancárias distintas. A isto soma-se um ecossistema de, em média, 12 prestadores de serviços de pagamento diferentes (seis para entradas e seis para saídas).
- Preço – A fragmentação captura a liquidez, aumenta as necessidades de capital circulante e limita os retornos sobre saldos positivos ou sobre o float. Isto reduz a flexibilidade financeira e abranda a inovação, frequentemente com impacto na experiência do cliente.
- Incerteza e risco – O controlo operacional, incluindo aprovações de pagamentos, execução de transações e reconciliação entre múltiplos sistemas, é classificado como o risco mais crítico para os responsáveis de tesouraria. Em modelos de negócio com ciclos operacionais curtos, o desfasamento entre o momento das entradas e das saídas de pagamentos é um fator crítico. Quase dois em cada dez (18%) CFO consideram a velocidade dos pagamentos de entrada e saída como o maior desafio que enfrentam atualmente.
- Carga operacional – A complexidade obriga as equipas de tesouraria a gastar um tempo considerável em tarefas manuais de baixo valor acrescentado. De acordo com o relatório, gastam 10% do seu tempo a visualizar contas, 13% a gerir relações bancárias e mais de 20% a tratar entradas e saídas de pagamentos.
Apesar da complexidade e da fragmentação das finanças corporativas, os CFO indicaram que há uma oportunidade significativa de desbloquearem valor operacional e financeiro relevante através da consolidação da gestão de dinheiro. “Os responsáveis de tesouraria estão a ir além da otimização isolada da liquidez. Estão a otimizar todo o fluxo do recebimento ao pagamento, colocando a experiência do cliente no centro. Esta mudança irá moldar a próxima geração das finanças”, comentou o CFO da Adyen, Ethan Tandowsky.
A maioria dos participantes nesta análise (74%) disse que gostaria de recorrer a soluções de gestão de fundos mais integradas, que cubram todo o ciclo de vida do caixa. Entre os que procuram uma solução integrada, 88% indicam que é provável que consolidem estes serviços em menos prestadores.
“A tesouraria corporativa está num ponto de viragem. Prestadores de confiança, tecnologia moderna, infraestruturas de pagamento adequadas e a vontade da função financeira de unificar e melhorar já existem. Chegou o momento de os CFO exigirem mais da sua função de tesouraria e dos parceiros que a suportam”, garante Stanislas Nowicki, managing diretor e sócio da BCG.
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