BCP apaga 309 milhões de ações próprias e limpa balanço
BCP extinguiu 309 milhões de ações próprias, limpando o balanço sem mexer na solidez financeira. Uma operação de engenharia contabilística que cristaliza a promessa de remuneração aos acionistas.
O BCP fechou esta terça-feira um importante capítulo na sua estratégia de remuneração acionista e reorganização contabilística. O banco liderado por Miguel Maya concluiu o registo comercial de uma operação de “engenharia financeira” que envolveu, num só movimento, a redução e o subsequente aumento do seu capital social. O objetivo? Formalizar a extinção de ações próprias compradas em mercado, limpando o balanço sem prejudicar os rácios de solvabilidade.
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Esta operação por parte do banco liderado por Miguel Maya surge na sequência do programa de recompra de ações de 200 milhões de euros, aprovado pelos acionistas na Assembleia Geral de maio de 2025. Segundo o comunicado enviado esta terça-feira ao mercado, o banco procedeu à “redução do capital social do Banco em 61.405.928,67 euros […], com a finalidade especial de execução do Programa de Recompra”. Na prática, isto significa que o banco “rasgou” os títulos que comprou a si próprio, retirando-os de circulação.
A operação envolveu a “extinção de 309.362.863 ações próprias nominativas escriturais”, mas sem qualquer efeito no capital do banco porque, imediatamente após a redução, o banco realizou um movimento contabilístico inverso para repor o valor nominal do seu capital. O documento enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) detalha um “subsequente aumento do capital social do Banco no montante de 61.405.928,67 euros para 3 mil milhões de euros, sem emissão de novas ações”.
Apesar da complexidade dos termos, a operação é neutra do ponto de vista patrimonial imediato. O próprio banco sublinha que “estas operações foram implementadas sem alteração da situação líquida do Banco”.
Este aumento foi feito através da incorporação de uma reserva especial, garantindo que o “número mágico” do capital social regressasse aos 3 mil milhões de euros, mantendo a robustez institucional do balanço.
É importante notar que, apesar da complexidade dos termos, a operação é neutra do ponto de vista patrimonial imediato. O próprio banco sublinha que “estas operações foram implementadas sem alteração da situação líquida do Banco e com vista à simplificação da respetiva estrutura de balanço”. Ou seja, não entrou nem saiu dinheiro novo do cofre do banco nesta fase específica de registo; trata-se de uma arrumação da casa que cristaliza o valor entregue aos acionistas via recompra.
Com este registo, a estrutura acionista do BCP fica agora representada por “14.804.627.089 ações escriturais sem valor nominal”. A operacionalização final será feita nos próximos dias junto da Euronext Securities Porto, mas para o acionista comum, a mensagem é de estabilidade e cumprimento da promessa de remunerar o capital investido, não apenas com dividendos, mas com a valorização da sua posição relativa na instituição.
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