Fidelidade quer faturar 10 mil milhões até 2030 e lança fundação
A estratégia passa por expandir a mais três países e atingir 15 milhões de clientes em todo o mundo. Revelações foram feitas perante acionistas e 4 mil colaboradores e parceiros.
A Fidelidade estabeleceu os objetivos a atingir até 2030 e revelou-os a uma audiência de 4.000 colaboradores e agentes e corretores, no encontro Pensar Maior, realizado este sábado no MEO Arena, em Lisboa. Incidindo na “longevidade” como fio condutor da estratégia, a seguradora quer conseguir a gestão de 6% das poupanças dos portugueses, o dobro do patamar atual.
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Os objetivos a atingir globalmente, daqui a cinco anos, foram divulgados por Rogério Campos Henriques, CEO da Fidelidade: 15 milhões de clientes em todo o mundo (hoje são 9,8 milhões), conseguir 10 mil milhões de euros em prémios (em 2024 foram 6,1 mil milhões), gerir 25 mil milhões em ativos (hoje são 19 mil milhões), manter Rating A nas agências principais (realidade atual quanto à Fitch e S&P), entrar no top 5 das marcas mais valiosas em Portugal. Ainda investir em três novos países na expansão internacional e obter um ROE (retorno dos capitais investidos) de 13 a 15% anual para os acionistas.
“Portugal é um dos melhores pilares económicos da Europa”
Guo Guangchang, fundador do grupo Fosun e descrito com “um dos 50 líderes empresariais mais influentes na China”, esteve presente e relembrou a entrada do seu grupo no capital da Fidelidade em 2014. “Há 11 anos as ruas de Lisboa estavam vazias”, hoje considera Portugal “um dos melhores pilares económicos da Europa” e “o país mais importante para a Fosun depois da China”, sinalizando que no primeiro semestre deste ano já 53% dos negócios do grupo foram realizados no estrangeiro.

O presidente da Fosun, que detém 85% do capital, salientou que a Fidelidade “tem de pensar maior para alcançar o topo”, “tem muito trabalho pela frente” e deve explorar as sinergias com o grupo Fosun.
Também Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos, detentora de 15% do capital, deixou um depoimento para transmitir mensagens. “Somos líderes e queremos estender essa liderança”, disse, sugerindo “maior rapidez e melhor ajustamento dos produtos seguradores às suas necessidades para reduzir a crescente incerteza que está à sua volta”, concluindo para os presentes: “podem contar sempre com a Caixa”.
A entrada em bolsa foi referida, não pelos acionistas mas por Rogério Campos Henriques que afirmou ser “uma decisão dos acionistas. Temos estado a trabalhar nesse sentido e quando os acionistas decidirem estaremos prontos”.
Audácia e Fundação We Care
Para Jorge Magalhães Correia, Presidente da Fidelidade, o futuro estará alimentado pelo pensamento constante em crescimento e pela audácia. Referiu que há uns anos “a companhia decidiu não entrar numa guerra de preços no mercado nacional e com isso perdemos 10% de quota de mercado em 2 anos, já recuperámos e ultrapassámos o dado antigo”.

Acrescentou: “fomos criticados quando entrámos na América do Sul, quando seguradoras europeias e americanas saíam desses mercados”, agora, segundo disse André Cardoso, membro da comissão executiva com pelouro internacional, noutro momento do evento, “em 3 anos recuperámos o investimento feito na América Latina”, indiciando ainda que será nessa região que estará pelo menos uma das próximas aquisições da Fidelidade.
Finalmente, o presidente lembrou a pandemia Covid-19 e a decisão ousada de incluir o tratamento da doença nas coberturas “abrindo os custos com saúde ao incluir uma exclusão óbvia para todas as seguradoras, sem sabermos onde iria parar”.
Aproveitou para anunciar a criação da Fundação We Care, “para tornar permanentes os nossos contributos para a sociedade”. Tem base num programa existente “em que os colaboradores podem ir mais longe do que aquilo a companhia é obrigada, especialmente na área de sinistros”, diz o presidente, descrevendo a nova fundação como “não apenas filantrópica e cultural, queremos fazer algo concreto, combater as mortes prematuras”, concluiu.
Soluções além dos seguros vão continuar para distribuidores
A área comercial estava presente em peso na assistência, agentes exclusivos e multimarca, corretores e profissionais de bancassurance, com predominância de colaboradores da CGD, puderam ouvir as linhas principais de ação da Fidelidade, através do CEO Campos Henriques.
“A Distribuição é uma peça-chave neste caminho de transformação que temos vindo a percorrer. Começámos, há já vários anos, por vos desafiar a diversificar o portfólio e a apostar em produtos estratégicos e não obrigatórios — como o seguro de saúde ou a poupança, ou mesmo em produtos para pequenas empresas”, disse Campos Henriques, “vamos continuar a apostar e a desafiar-vos a investir em novos produtos e soluções além dos seguros. O lançamento da FinEasy, na área de intermediação de crédito, é apenas um exemplo — mas não será caso único”, garantiu.
Alertando que a Fidelidade vai incorporar mais tecnologia nos processos de venda, notou que há maior necessidade de concentração de distribuidores e afirmou: “vamos estar prontos para apoiar esse caminho”. Noutro sentido disse “queremos mais parceiros exclusivos e queremos maior proatividade” – fator também reforçado pelo administrador Miguel Abecasis noutro momento do evento – salientando que “o serviço ao cliente tem sido a nossa vantagem competitiva, pelo queremos o melhor NPS (indicador de satisfação de clientes) em todas linhas de negócio”.
O CEO reforçou que a “longevidade” será o mote da estratégia e que esta passa por saúde, poupança, assistência.
Na saúde “vamos ter cuidados de saúde primários e dentários, desenvolveremos a medicina de precisão, a genética e a prevenção e teremos uma parceira com Teladoc em Portugal e Perú para telemedicina e saúde virtual”.
Já na assistência lembrou que a resposta do Estado não é eficaz, reforçou a aposta no portal “Sofia”, dirigido a cuidados apara maiores de 60 anos, e no alargamento dos serviços e regiões assistidas em Portugal.
No campo da Poupança porque, segundo o CEO, “sem poupança não há futuro sustentável”, a Fidelidade vai reforçar a competência em gestão de ativos e incrementar o portal Mysavings. Tem objetivo ambicioso: “Na totalidade, só gerimos 3% das poupanças dos portugueses queremos gerir 6%”.
O Pensar Maior contou ainda com um pitch de Alka Patel, uma médica especializada em longevidade e estilo de vida e criadora do método 1 Milhão de Horas, destinado a proporcionar 114 anos de vida sempre fortes ao ser humano.
O evento foi apresentado por José Villa de Freitas, da direção de Marketing e Clientes e por Catarina Furtado e culminou com um jantar e festa para 4 mil pessoas.
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