“Portugal é um dos países mais bem conectados do mundo”, afirma o vice-presidente da Portugal DC

Carlos Paulino destaca a conectividade de Portugal na área dos cabos submarinos que permitem ligar o país a "todos os continentes". E explica que os data centers têm um forte impacto no PIB.

“Portugal é um dos países mais bem conectados do mundo.” Foi assim que Carlos Paulino, vice-presidente da Associação Portuguesa de Centros de Dados (Portugal DC), descreveu esta terça-feira o potencial geográfico do país, sublinhando a importância da sua rede de cabos submarinos, um fator importante para atrair investimentos em data centers de inteligência artificial (IA).

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Com cerca de 2.500 quilómetros de costa banhada pelo Oceano Atlântico, Portugal destaca-se como um dos países com maior extensão costeira do mundo, uma vantagem estratégica em relação ao resto da Europa para a conectividade e a infraestrutura digital. “Portugal é o primeiro país ligado a todos os continentes por fibra ótica, com uma rede de telecomunicações extremamente poderosa”, explicou o vice presidente da Portugal DC, durante a conferência organizada pelo Instituto Português de Corporate Governance (IPCG), cujo tema principal foi “Governance: Inteligência Artificial e Sustentabilidade”.

Segundo Carlos Paulino, Portugal está estrategicamente posicionado para se tornar um hub digital de referência não apenas na Europa, mas também em África. “Somos o país mais bem posicionado para servir toda a costa oeste de África, desde Rabat até à Cidade do Cabo. Se dissermos que temos a melhor ‘autoestrada digital’ da Europa conseguimos levar esta conectividade de Portugal até Fortaleza (Brasil). Há uma oportunidade para pensar grande. A Europa enfrenta atualmente um problema energético, algo que Portugal ainda não tem”, afirmou.

O executivo da Portugal DC ressalvou ainda que Portugal tem não só energia verde significativa, como a “preços bastante competitivos”.

“A previsão é que os data centers em Portugal tenham um impacto de 26 mil milhões no PIB”

Para Carlos Paulino, Portugal pode posicionar-se como um dos principais hubs de data centers da Europa, com um impacto cada vez mais visível na economia nacional. O vice-presidente da Portugal DC explicou que, entre 2022 e 2024, o setor gerou 311 milhões de euros, acrescentando que “neste momento, a previsão é que os data centers em Portugal tenham um impacto de 26 mil milhões de euros no PIB entre 2025 e 2030”.

“Portugal já não é apenas um player discreto na Europa, estamos a mostrar que temos capacidade e todas as vantagens, incluindo a construção de infraestruturas sustentáveis”, acrescenta.

O consumo de energia dos data centers em Portugal situa-se entre 15 e 30 megawatts (MW), embora os dados precisos ainda sejam limitados. Para efeito de comparação, apenas na zona financeira de Londres, o consumo atinge cerca de 1,000 MW.

Cada sistema de IT na área da banca em Portugal consome aproximadamente 0,2 MW, enquanto um modelo de treino de inteligência artificial, mesmo o mais simples, consome cerca de 90 MW. “Isso significa que, para desenvolver modelos específicos para o setor financeiro em Portugal, é necessário muito mais energia do que toda a banca consome atualmente”, explicou Carlos Paulino.

“Portugal está a posicionar-se de forma extraordinária para trazer uma das cinco gigafábricas de IA para o país”, referindo-se à infraestrutura prevista para Sines.

Portugal enfrenta vários concorrentes europeus pela liderança na área da inteligência artificial. Espanha, por exemplo, tem atraído investimentos “massivos” em data centers, e a cidade de Milão compete também diretamente com Portugal. No entanto, Carlos Paulino sublinhou que, apesar de “no sul da Europa existirem duas ou três geografias concretas em competição, a conectividade coloca-nos à frente de qualquer outro concorrente”.

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