Constitucional nega recurso da TAP contra tripulantes. “Vai prejudicar valor da companhia na privatização”, diz sindicato
O Tribunal Constitucional indeferiu o recurso apresentado pela companhia aérea. Em causa poderá estar o pagamento de 200 a 300 milhões de euros aos tripulantes, diz sindicato.
O Tribunal Constitucional indeferiu o recurso apresentado pela TAP da decisão do Supremo Tribunal Administrativo que considerou nula uma norma do anterior acordo coletivo de trabalho dos tripulantes. A decisão abre a porta ao pedido de 200 a 300 milhões de euros em indemnizações e prejudicará valor da companhia na privatização, diz o presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC). TAP ainda pode recorrer.
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“No âmbito do processo de uniformização de jurisprudência, que tinha sido objeto de recurso por parte da TAP para o Tribunal Constitucional, tivemos conhecimento de que o recurso foi indeferido pelo Tribunal“, afirma o SNPVAC num comunicado enviado esta sexta-feira aos associados.
Em causa está uma norma do anterior Acordo de Empresa dos tripulantes, que vigorou entre 2006 e 2023, que distinguia em matéria remuneratória entre tripulantes com contrato a termo e sem termo. O Supremo Tribunal Administrativo considerou, em junho, que aquela norma era nula e que os tripulantes a termo teriam de ser incluídos no quadro com a categoria de “CAB I”, auferindo o respetivo salário.
A decisão significa que a TAP terá de pagar com retroativos o valor que os tripulantes deveriam ter recebido com a inclusão imediata naquela categoria. Uma vez que deveriam também ter sido integrados no quadro, parte dos tripulantes dispensados na pandemia foram-no de forma irregular.
Esta decisão vai ter impacto na privatização e prejudicará o valor da TAP. Os governantes já deveriam ter acautelado esta situação.
Ricardo Penarróias, presidente do SNPVAC, diz que a decisão do Tribunal Constitucional tem impacto direto nos tripulantes que já têm ações em tribunal. Há também cerca de 300 a 400 que foram reintegrados na companhia e têm uma cláusula de salvaguarda que obriga a TAP a regularizar os valores que têm a receber caso a decisão lhes seja favorável.
“Há ainda 1600 a 2000 que terão de pôr ações em tribunal para verem reposta a situação salarial e receberem os retroativos”, explica. Em causa estão “200 a 300 milhões de euros que a companhia tem de pagar”. Um valor muito superior ao que a TAP considerou necessário, tendo constituído, até ao momento, uma provisão de 41 milhões de euros.
“Alertámos já três governos e foram sempre empurrando para a frente. Esta decisão vai ter impacto na privatização e prejudicará o valor da TAP. Os governantes já deveriam ter acautelado esta situação”, considera Ricardo Penarróias.
“Encontra-se agora a correr um prazo de 10 dias para reclamação, pelo que teremos de aguardar esse período para ver qual a postura da TAP”, esclarece o comunicado do sindicato. “Dadas as sucessivas decisões contra as pretensões da TAP, esperamos que a Empresa e o Governo encarem, de uma vez por todas, a realidade dos factos e assumam que terão de reembolsar centenas de Tripulantes, em vez de tentarem encontrar mais uma manobra dilatória“, acrescenta.
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