Negócios do fogo de artifício perdem 2 milhões de euros após restrições com incêndios
Industriais de pirotecnia e explosivos criticam “proibição cega” de utilização de fogo-de-artifício em todo o país, quando há eventos que se realizam na água e em locais livres de risco.
A Associação Portuguesa dos Industriais de Pirotecnia e Explosivos (APIPE) estima que as empresas do setor perderam cerca de dois milhões de euros em cinco dias devido à interdição de espetáculos pirotécnicos no âmbito do estado de alerta decretado pelo Governo desde domingo e que se estende até quinta-feira.
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A APIPE critica a medida do Executivo por contemplar uma “proibição cega” de utilização de fogo-de-artifício em todo o país, quando há eventos que se realizam na água e em locais livres de risco, como escreve o Jornal de Notícias (acesso pago) na edição desta terça-feira.
“Todas as medidas são bem-vindas para proteger a floresta, mas é para a proteger, não é para proteger as águas do mar, das albufeiras, dos rios e os centros das cidades. É esta a nossa indignação, mas obviamente estamos aqui e acatamos as decisões injustas de quem tem poder para decidir”, diz Carlos Macedo, presidente da associação. Contabiliza que só no domingo “foram canceladas dezenas de espetáculos e até quinta-feira serão mais de uma centena”.
Esta terça-feira, também a Associação Portuguesa de Empresas de Animação Turística criticou a legislação relativa aos avisos de calor e de risco de incêndio que impede o funcionamento das empresas de turismo da natureza, pondo em causa a sua sobrevivência.
Em declarações à Lusa, o presidente da associação, António Marques Vidal, considerou que “a lei não foi bem feita” porque, “mais uma vez, foi feita nos gabinetes da Administração Interna e Proteção Civil e esqueceram-se de ouvir outros setores”, nomeadamente os que trabalham no terreno.
“Esqueceram-se que são as empresas que trabalham na natureza, nas florestas, as primeiras a alertar, as primeiras a intervir, muitas vezes até ajudam à manutenção de caminhos. Digamos que somos agentes benévolos para este tipo de situação”, afirmou o responsável.
Esta não é a primeira vez que as empresas de turismo na natureza apelam à alteração da legislação que as impede de trabalhar em situações de aviso de calor e de incêndios como a que se vive atualmente.
“Alertámos o governo da altura que havia situações na legislação que não faziam sentido e apresentámos propostas de alteração, mas não foram acolhidas. Entendemos que a legislação deveria conter exceções e as empresas de turismo na natureza deveriam constar nessa exceção e ser parceiras no plano concelhio de prevenção”, lamentou. “A lei foi feita por pessoas que não compreendem os outros setores da atividade e, portanto, é uma lei coxa”, acrescentou.
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