Carlos Osório de Castro, sócio da Morais Leitão, pede exoneração do cargo, depois de acusação por fraude fiscal

Carlos Osório de Castro pediu a exoneração de sócio da Morais Leitão, que foi aceite. Em causa a acusação de que foi alvo pelo Ministério Público, de um crime de fraude fiscal qualificada.

O sócio da Morais Leitão, Carlos Osório de Castro, pediu a exoneração do cargo ao escritório de advogados, que foi aceite. Em causa a acusação de que foi alvo pelo Ministério Público (MP) de um crime de fraude fiscal qualificada.

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“A Morais Leitão recebeu um pedido, por parte de Carlos Osório de Castro, de exoneração da qualidade de sócio à sua Assembleia Geral, justificado com a vontade de não criar constrangimentos à sociedade e de ter maior disponibilidade para preparar a sua defesa. Este gesto de enorme dignidade e de respeito pela nossa sociedade foi aceite, mantendo a Morais Leitão toda a confiança em Carlos Osório de Castro e no seu trabalho. Estaremos a acompanhar o processo, com a serenidade e a discrição habituais, incluindo na defesa dos nossos clientes por todos os meios legais e nas instâncias próprias”, disse fonte oficial do escritório ao ECO/Advocatus.

O advogado foi acusado na mesma investigação que envolve o empresário Jorge Mendes e a mulher Sandra Mendes, também acusados pelo MP por um crime de fraude fiscal relativo a uma doação, na chamada “Operação Fora de Jogo”. Rui Patrício, também sócio da Morais Leitão, é o advogado do agente de futebol e Manuel Magalhães e Silva tem a seu cargo a defesa de Carlos Osório de Castro.

No despacho de acusação, os procuradores alegam que se tratou de uma doação fictícia que serviu para o casal evitar pagar 18 milhões de euros em IRS. Factos que estão relacionados com a doação de 49,9% da Start SGPS, a holding portuguesa de Jorge Mendes, à sua mulher em outubro de 2012 e o que aconteceu a seguir — com a recompra dessas ações por uma nova holding criada na Holanda, a Start BV.

O Ministério Público acredita que “através da atuação típica, ilícita e culposa dos arguidos Sandra Mendes, Jorge Mendes e Carlos Osório de Castro, estes dois últimos na qualidade de legais representantes das sociedades arguidas START, os arguidos cometeram um crime de fraude fiscal qualificada”, segundo a acusação, avançada pelo Correio da manhã e a que o ECO teve acesso. Acrescentando que o arguido Carlos Osório de Castro “nunca declarou, nas declarações de IRS de 2015 e 2016, as transferências que recebeu de Jorge Mendes de 110 mil euros em 2013 e de 700 mil euros em 2016, num total de 810 mil euros, tendo em concurso real, conforme descrito, cometido um crime de fraude fiscal qualificada”.

Carlos Osório de Castro é sócio da ML desde 2006. Integra a equipa de comercial e M&A e mercado de capitais. É um dos advogados mais bem referenciado na área do mercado de capitais e fusões e aquisições. Foi Assistente da Católica Faculdade de Direito – Escola do Porto entre 1982 e 2002, a partir de 1996 com a regência da cadeira de Mercado de Capitais.Foi ainda membro da Comissão de Revisão do Código do Mercado dos Valores Mobiliários e sócio fundador da Osório de Castro, Verde Pinho, Vieira Peres, Lobo Xavier e Associados – Sociedade de Advogados (1989 – 2005).

À Lusa, Jorge Mendes refutou a acusação do Ministério Público, considerando-a “incorreta, infundada e injusta”, sublinhando tratar-se de um processo relacionado com a sua vida pessoal e não profissional.

Jorge MendesWikimedia Commons

“Refutamos totalmente esta acusação, porque não existiu qualquer fraude fiscal, e será apresentada defesa por todos os meios legais e nas instâncias próprias. A acusação é incorreta e infundada; e é injusta, quer em si mesma, quer, também, tendo em conta o percurso de vida de Jorge Mendes e o contributo que tem dado ao país, e também o seu histórico de contribuinte por si e pelas suas empresas”, refere o advogado de defesa do empresário, Rui Patrício.

No mesmo comunicado, o advogado explica que “estão em causa factos estritamente relacionados com a esfera pessoal, familiar e sucessória” do seu constituinte, “não se tratando da área profissional”.

A defesa de Mendes lembra que a matéria em causa “já havia sido analisada pela Autoridade Tributária (AT) em 2014 (há cerca de 11 anos, portanto), tendo também havido várias inspeções e análises posteriores”.

“Ora, apesar disso, e durante muitos anos, nunca foi levantado qualquer eventual problema sobre estes factos, nem foi liquidada qualquer quantia ou enviada qualquer notificação para o efeito; o que ainda torna mais estranho e objetivamente incompreensível este processo e, agora, esta acusação, parecendo-nos que o processo-crime foi usado pela AT, de forma abusiva, para finalidades estritamente fiscais”, sustenta Rui Patrício.

No europeu do ano passado, dos 26 atletas que Roberto Martínez selecionou para vestirem a camisola da Seleção nacional, 18 eram agenciados pela Gestifute, a empresa de Jorge Mendes. Nunca o “super agente” teve tanta influência na Seleção nacional como agora. Nas últimas duas grandes competições internacionais de seleções – Campeonato Europeu de 2022, em França, e Campeonato Mundial, no Qatar –, a Gestifute agenciava 62% dos atletas. Agora, esse rácio sobe para 69%.

No grupo de jogadores representados por Jorge Mendes pontificam nomes como Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva e Rúben Dias, assim como o jogador mais velho do grupo (Pepe, com 41 anos) e o mais jovem (João Neves, com 19 anos).

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