AD aposta em programa de PPP para a construção de habitação em larga escala
Para resolver a crise na habitação, a coligação quer fazer parcerias com privados para construir casas e alojamento para estudantes e trazer para o mercado os imóveis devolutos do Estado.
A Aliança Democrática (AD) quer lançar “um programa de parcerias público-privadas para a construção e reabilitação em larga escala” de habitação e de alojamento para estudantes. Além disso, a coligação composta pelo PSD, CDS-PP e PPM para as legislativas quer trazer para o mercado de forma “quase-automática” os edifícios e os terrenos do Estado que estão “devolutos ou subutilizados” e criar um “regime excecional e temporário” de eliminação ou redução de impostos para obras de construção ou reabilitação com uma “compensação” para as autarquias “por perdas de receita”.
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Estas são algumas das 13 medidas que constam do programa económico da AD para dar resposta à crise na habitação com a coligação a avisar, desde já, que caso vençam as eleições vão revogar as “medidas erradas” do programa Mais Habitação. É o caso do arrendamento forçado, do congelamento de rendas, das “medidas penalizadoras” do alojamento local como a Contribuição Extraordinária, a caducidade das licenças anteriores ao programa Mais Habitação, e “outras limitações legais desproporcionais” desenhadas pelo Governo do PS, vinca do documento apresentado esta quarta-feira por Luís Montenegro no Centro de Congressos de Lisboa. Aviso que, aliás, já tinha sido deixado pelo vice-presidente do PSD, António Leitão Amaro, em entrevista ao ECO.
Para a AD, o pacote Mais Habitação é composto de medidas que não só “falharam no objetivo de aumentar” a oferta de casas, como também “aumentaram a dificuldade” no acesso à habitação, sobretudo entre os jovens. Isto porque, considera a AD, as medidas desenhadas pelo Governo são “restritivas” que “colidem com o direito de propriedade” e que também “limitam a iniciativa económica privada” acabando por “reduzir o investimento privado e cooperativo”, deixando o Estado “sozinho e incapaz de garantir um impulso ao mercado de habitação que garanta o acesso para todos”.
Seguem abaixo algumas das medidas que constam do programa económico da AD para resolver a crise na habitação com o contraponto das medidas aprovadas pelo Governo:
- A AD defende a flexibilização das limitações de ocupação dos solos, densidades urbanísticas (incluindo construção em altura) e exigências e requisitos construtivos, para aumentar os perímetros urbanos. Neste campo o Governo aprovou um diploma que permite reclassificar os solos rústicos para urbanos, desde que tenham como finalidade a construção de habitação pública ou a custos controlados. Além dos terrenos, também os edifícios afetos a comércio e serviços podem ser reclassificados para habitação.
- A coligação quer fazer uma injeção no mercado, quase-automática, dos imóveis e solos públicos devolutos ou subutilizados. O Ministério da Habitação nunca revelou quantos edifícios devolutos tem o Estado, mas identificou 10 mil espaços que podem tornar-se habitação. O Tribunal de Contas avisou que o inventário do património imobiliário do Estado “está muito incompleto”.
- A AD quer criar um regime excecional e temporário de eliminação ou redução dos custos tributários em obras de construção ou reabilitação em imóveis destinados a habitação permanente, mesmo as que fiquem fora das Áreas de Reabilitação Urbana, com compensação das autarquias por perdas de receita, a realizar através do Orçamento do Estado. Aqui cabem, a redução “substancial ou eliminação” de taxas de urbanização, edificação, utilização e ocupação ou o IVA à taxa mínima de 6% nas obras e serviços de construção e reabilitação. O Governo chegou a ponderar avançar com esta medida mas acabou por recuar.
- A coligação quer ainda lançar um programa de Parcerias Público-Privadas para a construção e reabilitação em larga escala, quer de habitação geral quer de alojamento para estudantes. Para atrair investimento privado, o Governo aprovou uma nova linha de crédito, com garantia mútua e bonificação da taxa de juro, com um total de 250 milhões para as empresas que queiram construir a habitação acessível, sendo que as verbas deste crédito podem ser usadas para a aquisição do imóvel.
- O PSD/CDS/PPM também quer estimular novos conceitos de alojamento no mercado português, como o regulatory sand box (build to rent, mixed housing com bónus de densidade urbanística para habitação a custos moderados, co-living, habitação modular, cooperativas de habitação, utilização flexível dual das residências de estudantes. Nesta área, o Governo aprovou a criação de projetos-piloto de cooperativas de habitação acessível em parceria com as autarquias. Um dos projetos-piloto seria em Setúbal, mas ainda não avançou.
- A AD quer ainda analisar o novo enquadramento legislativo do licenciamento para simplificar e reduzir “obstáculos”. No início deste ano foi promulgado pelo Presidente da República o simplex do licenciamento com várias alterações e que uniformiza as regras e acelera os prazos de aprovação dos projetos pelas autarquias que, a partir de 4 de março, vão passar a dispor de um prazo de entre 120 e 200 dias para decidirem sobre os pedidos de licenciamento que lhes sejam apresentados.
- Ainda no campo a habitação, a AD quer repensar e planear a oferta de transportes públicos para encurtar as distâncias físicas e temporais entre casa e o trabalho. Para os transportes, no pacote legislativo Mais Habitação, o Governo não adotou qualquer medida.
- No campo do arrendamento, o PSD/CDS/PPM quer atribuir os apoios aos inquilinos seguindo outras regras que não se resumam à taxa de esforço e nível de rendimento e deixar de ter como baliza os contratos assinados até 15 de março de 2023, registados na Autoridade Tributária e Aduaneira. Para atribuir o apoio extraordinário às rendas, o Governo decidiu como critérios os rendimentos até ao 6.º escalão do IRS, ou seja, até 38.632 euros anuais (cerca de 2,760 euros líquidos por mês) e que tenham uma taxa de esforço superior a 35% para o pagamento da renda.
- Para apoiar os jovens que queiram comprar casa sem “poupanças familiares ou próprias suficientes”, a AD quer aplicar a isenção de IMT e Imposto de Selo e criar uma garantia pública para viabilizar o financiamento bancário da totalidade do preço da casa. Para os jovens que queiram comprar casa não há qualquer medida prevista no Mais Habitação, desenhado pelo Governo do PS.
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