Lisboa quer apertar licenças de Alojamento Local nos imóveis vendidos pela autarquia
A câmara quer deixar de aprovar licenças de Alojamento Local em imóveis que tenham sido vendidos pela autarquia em hasta pública e que fiquem localizados nas freguesias ou bairros com saturação de AL.
A Câmara de Lisboa quer deixar de aprovar licenças de Alojamento Local (AL) nos imóveis que tenham sido vendidos pela autarquia em hasta pública e que fiquem localizados nas freguesias ou bairros com altos rácios deste tipo de alojamento. A câmara liderada por Carlos Moedas quer também travar as licenças de AL em imóveis onde nos últimos cinco anos tenham existido contratos de arrendamento para habitação.
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As regras constam da proposta de alteração ao Regulamento Municipal do Alojamento Local – a que o ECO teve acesso – e que vai ser apresentada pela vereadora do Urbanismo Joana Almeida para ser votada esta quarta-feira em reunião de câmara, à porta fechada.
De acordo com a proposta, há oito freguesias a que se somam 19 bairros em contenção absoluta e relativa, onde as regras para as licenças apertam por existirem “cinco ou mais títulos de AL por cada 100 alojamentos familiares clássicos”, lê-se no documento da autarquia.
Em contenção absoluta estão as freguesias que apresentem “um rácio entre o número de estabelecimentos de alojamento local e o número de alojamento familiares clássicos, igual ou superior a 15 %”. Nesta situação estão cinco freguesias: Misericórdia, Santa Maria Maior, São Vicente, Arroios e Santo António.
Nestas zonas da capital, a Câmara de Lisboa quer passar a atribuir as licenças de AL apenas em casos excecionais como “reabilitações integrais de edifícios com comprovada criação de oferta de fogos sujeitos a valor máximo de renda ou preço de venda, nos termos previstos no regulamento do Plano Diretor Municipal de Lisboa e na demais regulamentação municipal aplicável, em número igual ou superior a 25 % do total”, lê-se no documento.
Em contenção relativa estão três freguesias – Alcântara, Estrela e Avenidas Novas –, onde existe “um rácio entre o número de estabelecimentos de alojamento local e o número de alojamento familiares clássicos, igual ou superior a 5 % e inferior a 15 %”. Há ainda 19 bairros onde se aplicam as regras de contenção relativa.
Para estas zonas, as regras para a aprovação de licenças apertam ao nível de “quartos em habitações de tipologia T2 ou superior que constituam a residência habitual do titular”, definindo um o número máximo de quartos admissível nesses casos, uma, no caso de imóveis de tipologia T2, e duas, no caso de tipologia superior.
Com esta proposta assinada pela vereadora Joana Almeida, a Câmara de Lisboa cria também a figura de mediador de alojamento local que vai ter uma função de “mediação ativa” para “garantir a prevenção e resolução alternativa de conflitos entre os diversos intervenientes”. O mediador vai ainda emitir pareceres sobre o pedido de cancelamento do registo apresentado pela assembleia de condóminos.
O novo regulamento de alojamento local passa também a assumir “a freguesia como unidade geográfica de base para a regulação, monitorização e fiscalização” do alojamento local, complementada pela monitorização à escala do bairro, dentro de cada freguesia.
Com estas medidas a vereadora do Urbanismo acredita que irá chegar a um “equilíbrio” em Lisboa entre o alojamento local e a habitação, impedindo a criação de “bairros exclusivamente turísticos”. Mas, sublinha Joana Almeida, assim há soluções “sem olhar para o alojamento local como bode expiatório para os problemas da habitação”.
A autarca independente, eleita pela coligação Novos Tempos Lisboa, diz ainda que a Câmara de Lisboa não quer criar “penalizações fiscais desproporcionais” para o setor, é contra “a suspensão de novas licenças em todas as áreas urbanas” e a “aplicação de forma arbitrária dos conceitos de extinguir, declarar caducidade ou reavaliar” as licenças de alojamento local.
O Regulamento Municipal de Alojamento Local está em vigor desde 2019 e esta é a primeira vez que o documento é revisto. Enquanto decorre este processo, no último ano, a Câmara de Lisboa suspendeu as autorizações de novas licenças para alojamento local. Uma medida que vai ser aplicada até que entrem em vigor as novas regras do regulamento municipal.
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