Costa admite “risco” de redução do IVA ser absorvida pelas margens da distribuição
O primeiro-ministro concorda que existe o risco de parte do IVA zero ser absorvido pelas margens da distribuição e que leve ao aumento do preço de outros bens.
O primeiro-ministro dá razão ao seu antigo ministro das Finanças e atual governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, que esta quinta-feira disse que há um risco de que parte da redução do IVA em 44 produtos alimentares do cabaz de bens essenciais seja absorvida pelas margens da distribuição.
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“Se esse risco existe? É claro que existe“, reconheceu António Costa, em entrevista no Jornal da Noite da SIC. “Por isso é que procurámos que este acordo fosse tripartido, em que associássemos o Governo, que se compromete a reduzir o IVA para zero naqueles produtos; o comércio a retalho, que se compromete a não só reduzir o IVA como a manter o IVA; e os produtores, a quem reforçámos em 200 milhões de euros as ajudas à produção, tendo em conta o aumento que estão a ter nos seus custos de produção, de forma a que evitemos a repercussão em cadeia do aumento dos preços”, completou.
Reiterando que vigorará por seis meses e que será revista trimestralmente, o chefe de Governo não antecipa, para já, um prolongamento da medida, apresentada na semana passada, que isenta de IVA uma lista de 44 produtos alimentares que inclui legumes, carne e peixe nos estados fresco, refrigerado e congelado ou, nas gorduras, azeite, óleos vegetais e manteiga.
Costa explicou que, para chegar a essa lista de produtos, foi pedido ao Ministério da Saúde que elaborasse um estudo com os produtos que perfaziam um cabaz de alimentação “equilibrada e saudável” de acordo com a roda dos alimentos. Depois, essa informação foi cruzada com dados da distribuição sobre quais os produtos mais vendidos. “Foi nessa escolha que assegurámos um equilíbrio”, sublinhou o primeiro-ministro.
“Todos temos de fazer uma parte do sacrifício. O Estado prescinde de 400 milhões de euros de receita de IVA, os retalhistas têm que acomodar e reduzir nas margens para conter o aumento, e reforçámos o apoio aos produtores para fazerem um esforço para acometer a subida dos seus preços”, concluiu.
No bloco dedicado à habitação, António Costa disse que a questão do licenciamento das obras municipais irá a 27 de abril a Conselho de Ministros, por ser necessário mais tempo para analisar os contributos da consulta pública. O executivo quer ainda rever, nesta matéria, a simplificação de licenciamentos para outros setores, em particular na indústria.
O primeiro-ministro classificou o tema da habitação como “dramático”, sobretudo entre os mais jovens, e por isso não é possível limitar as soluções à “oferta pública” de casas. “Enquanto se constrói a habitação pública, temos de criar incentivos para que quem é proprietário coloque as casas no mercado e no mercado de arrendamento”, acrescentou.
Na questão sensível do arrendamento coercivo, o chefe de Governo disse ter ficado “perplexo” com a polémica. De seguida atirou para os municípios a execução da medida – notificação do proprietário com proposta de arrendamento se o prédio estiver dois anos devoluto. “O dever que temos é dar ferramentas aos municípios, que são autónomos. Não querem exercer essa competência, estão no seu direito”, defendeu.
No final da entrevista, em reação à última sondagem que aponta para empate entre o PS e o PSD, o primeiro-ministro admitiu que este resultado não o surpreendia. “Não havia uma inflação assim há 30 anos. A sociedade portuguesa não está a viver momentos de euforias. As pessoas não podem estar satisfeitas com o Governo”, disse.
(Notícia atualizada pela última vez às 22h05)
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