António Jaime Martins apresenta candidatura a bastonário

Os problemas da advocacia "cuja resolução em 2019 era premente, agudizaram-se drasticamente, assumindo hoje contornos quase endémicos", diz o ex-líder da Regional de Lisboa.

António Jaime Martins – ex-presidente do Conselho Regional de Lisboa (CRL) – apresentou formalmente a sua recandidatura a bastonário da Ordem dos Advogados (OA). “Com efeito, volvidos dois anos e meio sobre as últimas eleições, com uma pandemia de permeio, os problemas da advocacia cuja resolução em 2019 era premente, têm vindo a agudizar-se drasticamente, assumindo hoje contornos quase endémicos”, explicou na apresentação, que decorreu no Salão Nobre da Ordem dos Advogados. Criticou o atual bastonário, Luís Menezes Leitão, ao dizer que existe, atualmente, “uma clara tibieza dos dirigentes e, nalguns casos, mesmo falta de intenção de os resolver”.

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Advogado inscrito na Ordem dos Advogados desde 1996 com a cédula profissional é fundador da ATMJ – Sociedade de Advogados. Foi Presidente do Conselho Regional de Lisboa da OA nos triénios 2014-16 e 2017-2019. E Vice-presidente do mesmo Conselho no triénio de 2011-2013 com os pelouros da formação, do acesso à profissão e do centro de arbitragem. Foi ainda membro convidado da Comissão de Acompanhamento do Código dos Contratos Públicos em representação da Ordem dos Advogados no triénio 2011-2013.

A “banalização da procuradoria ilícita”, a tentativa das auditoras, consultoras e contabilistas “se apropriarem do atos próprios dos advogados a pretexto da criação de ‘sociedades multidisciplinares'”, o “incentivo dos poderes públicos para que cidadãos e empresas deixem de recorrer aos nossos serviços, o custo excessivo da justiça, o valor vetusto dos honorários no SADT, a falta de assistência na doença, na maternidade e na paternidade, a insatisfação generalizada com o sistema de previdência, a duplicidade de descontos de quem advoga com contrato de trabalho, a ausência de um estatuto do associado nas sociedades de advogados e o regime da transparência fiscal que retira competitividade às sociedades de advogados portuguesas” são algumas das questões que o candidato a bastonário considera urgentes mudar.

Medidas propostas

  • Impedir a liberalização selvagem dos atos próprios de advogados tal como pretende a o legislador e a sua concentração nas auditoras, consultoras, contabilistas e imobiliárias,
  • Impedir por todos os meios legais (a nível nacional e comunitário) a redução do ato próprio ao exercício do mandato forense tal como se pretende na Assembleia da República, solicitando a intervenção do Presidente da República caso a lei venha a ser aprovada no sentido de suscitar junto do TC a declaração da sua inconstitucionalidade;
  • Criar a vinheta eletrónica (e vinheta física), sem qualquer custo para o/as advogado/as, com vista à certificação dos atos próprios;
  • Acabar com as buscas aos escritórios realizadas apenas para obter prova contra os clientes e impedir o/as advogado/as de testemunhar contra os clientes sob pena de crime de desobediência.
  • Criação de um regime de proteção na relação entre as sociedades de advogados e os seus associados que assegure o equilíbrio dos direitos e obrigações entre as partes, sobretudo em caso de cessação da relação;
  • Possibilidade do/as advogado/as em relação jurídica de trabalho, optarem por descontar apenas para um sistema de previdência.
  • Defesa das carreiras contributivas, do direito à reforma e do assistencialismo à Profissão;
  • Defesa de um sistema de previdência que assegure proteção na doença, maternidade e paternidade;
  • O próximo Bastonário e a Direção da CPAS terão, em alternativa, que negociar a integração na SS com salvaguarda dos direitos adquiridos /em matéria de reforma e carreiras contributivas) ou aumentar as receitas da CPAS com o apoio do Estado;
  • Combate incansável e sem quartel por uma revisão das tabelas honorários de 2004 para valores justos e atuais;
  • Implementação da modalidade de pagamento faseado dos honorários ao longo do processo e não apenas no final com o trânsito em julgado das decisões;
  • Repristinação das escalas presenciais e escalas de prevenção que o MJ extinguiu com a cumplicidade silenciosa da Ordem durante o período pandémico e a criação de outras novas em todos os Tribunais e junto de entidades onde seja necessária a presença de advogado/as;
  • Tornar automática a confirmação da presença do/as advogado/as nas diligências, tornando desnecessária a sua confirmação pela secretaria que leva muitos meses e permite protelar indefinidamente o pagamento dos honorários;
  • Propor a redução das custas judiciais para os cidadãos e pequenas e médias empresas, devendo prever-se a isenção de custas para todas as partes em processos de família e menores e para os trabalhadores em matéria laboral. Para os contribuintes singulares no tributário prever o seu pagamento apenas no final;
  • Propor a fixação de um limite máximo de duas unidades de conta para acesso ao Tribunal Constitucional que chega a aplicara 20UCs (2040€);
  • Propor uma alteração legislativa que consagre a liberdade de opção entre o regime da transparência fiscal e o regime geral de tributação em IRC;
  • Negociar a introdução de melhorias no Regime Simplificado de Tributação (IRS), de forma a baixar o imposto a pagar;
  • Aumento do teto do regime para beneficiar de isenção de IVA para, pelo menos, vinte mil euros;
  • Propor isenção ou, no limite, uma taxa de IVA reduzida (6%) para a consulta jurídica e para o exercício do mandato em representação de pessoas singulares;

Em, novembro de 2019, António Jaime Martins teve 4.264 votos na primeira volta e Luís Menezes Leitão contou com o apoio de 4.677 advogados. Ou seja: uma diferença de apenas 413 votos. Guilherme Figueiredo (o antecessor de Leitão) na primeira volta — tinha atingido o número de votos mais alto (6.121) mas depois, na segunda volta, acabou por perder para Menezes Leitão.

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